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Violência nas urgências de Famalicão: Bastonária viu “rosto desfigurado” de enfermeiro

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A bastonária da Ordem dos Enfermeiros descreveu esta noite alguns dos momentos vividos por dois enfermeiros e um segurança durante um ataque violento ocorrido durante a passada madrugada, no Serviço de Urgência do Hospital de Famalicão.

Ana Rita Cavaco revelou que teve acesso a mais fotografias do incidente, que mostram um “rosto desfigurado, coberto de sangue”. Refere-se a um dos enfermeiros que terá ficado com ferimentos mais graves.

Recorde-se que durante a última madrugada, um grupo de cerca de dez pessoas de etnia cigana invadiram as ‘urgências’ hospitalares, causaram danos materiais e agrediram violentamente três trabalhadores, alegadamente por quererem que uma mulher fosse atendida rapidamente.

“Chorei de impotência e revolta e acalmei-me o suficiente para poder falar com os dois enfermeiros brutalmente agredidos às 3.30h da manhã, no SU do Hospital de Famalicão”, escreveu a bastonária no Facebook.

Explica que não existiu “nenhuma troca de palavras ou algum mau gesto de quem quer que fosse”, deixando a ressalva que “ainda que se acontecesse não seria justificação para este ataque brutal”.

Revela que cinco “pessoas esbofetearam repetidamente uma enfermeira de 62 anos enquanto oito “pessoas pontapearam repetidamente o corpo e a cabeça deste enfermeiro”.

“Ele podia ter morrido”, critica.

“A Enfermeira explicou-me a revolta e a angústia de quem os cuida com tanto respeito e carinho para não serem mais ostracizados e ainda por cima acontece isto”, prossegue, referindo-se à etnia dos agressores.

Ana Rita Cavaco refere que ambos os enfermeiros agredidos “já têm idade para dispensa de trabalho nocturno, de acordo com a Lei, mas não se importam de vestir a camisola porque não há Enfermeiros suficientes”.

Afirma ainda que “a reforma era aos 57 anos de idade”, e que isso lhes foi “tirado”, bem como tratar-se de uma “profissão de risco”.

“Não existe polícia na maioria dos SU do País, foi-nos retirado no governo Sócrates. Os poucos que têm são pagos pelos hospitais, como se o MAI também não tivesse obrigação de nos proteger”, acusa.

Pede ainda urgência para que estas situações sejam tratadas como “crime público como a violência doméstica”, e para a “a alteração das penas”.

“Volto a repetir o que não me sai da cabeça, podia ser eu. Saí tão angustiada de casa que me esqueci de metade das coisas”, conclui.

Também o segurança noturno foi espancado pelos agressores.

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