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Alto Minho

Vilar de Mouros foi palco de sermão político dos “missionários” Prophets of Rage

Entrevista

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Foto: Vasco Morais Photography / O MINHO

Os norte-americanos Prophets of Rage mostraram esta madrugada ao público do festival Vilar de Mouros o seu “arsenal de músicas brutais”, um trabalho de “missionário” da banda que vai “a cada cidade partir tudo e deixar uma mensagem”.

“Vão ver pelo concerto de hoje, tocamos com o mesmo fogo, paixão e visão que tínhamos quando estávamos nos nossos 20 anos”, avisava o guitarrista Tom Morello, acompanhado pelo baterista Brad Wilk e DJ Lord, em entrevista à Lusa, antes da banda subir ao palco principal para um dos mais aguardados concertos desta edição

O supergrupo formado por elementos das bandas Rage Against the Machine, Public Enemy e Cypress Hill, explicou como surgiram os Prophets of Rage, o porquê de continuar a ser relevante fazer música de intervenção e o próximo disco, que ainda não está pronto, nem tem data de lançamento.

“Todos nós entrámos na banda com o ‘mindset’ de que, individualmente, ‘tweetar’ sobre os problemas ou fazer publicações no Instagram sobre os problemas globais não ia ser suficiente. O que temos é um arsenal de músicas brutais que podemos levar a cidades de todo o mundo para dar um grande show de ‘rock’ e expressar as nossas opiniões”, prosseguiu Morello.

A banda surgiu em 2016, ano de eleições nos Estados Unidos, por causa da “loucura da situação política” e descobriram uma “grande química musical”. Este verão, já tocaram para “mais de um milhão de pessoas” e a música e a mensagem “mantêm-se poderosas e intemporais como nunca”.

“Tínhamos uma grande química dentro da sala, éramos seis ali dentro, muito prolíficos e rápidos. Era muito fácil para nós escrever juntos, aconteceu de todas as formas. Foram os ‘riffs’ primeiro, depois uma ideia lírica ou uma mensagem, um ‘beat’, um ‘dj’, um som que nunca tinhas ouvido antes e isso vem de estes dois ‘gajos’ [Tom Morello e Dj Lord]. Foi muito divertido”, descreveu Brad Wilk.

Apesar de terem atingido a consagração nos anos 90, os membros das três bandas decidiram unir esforços porque o mundo “está num estado pior” do que nessa altura, daí haver algo que abordar e com que ficar entusiasmado, por um “sentimento geral de insatisfação”.

“É uma luta constante para a justiça social, tanto domestica como internacionalmente, fazemos parte dessa luta. Somos um elo na cadeia de pessoas que, por séculos, têm tentado fazer deste planeta mais justo, decente e pacifico. O nosso papel como músicos é explicar a nossa visão através da nossa música”, acrescentou Morello.

Além disso, o mesmo explanou que os músicos nunca pensaram em resolver todos os problemas do mundo ao criar uma banda, mas que se envolveriam nas lutas do dia-a-dia, através do “trabalho e convicção”.

“O importante é tecer aquilo em que acreditas naquilo que fazes e é isso que fazemos. Eu não escolhi ser guitarrista, acredito que foi a guitarra me escolheu, agora estou preso. Tenho que encontrar uma maneira de, enquanto guitarrista, infligir as minhas ideias e as dos meus amigos num mundo que não está à espera delas”, apontou.

Questionado sobre o porquê de continuarem a fazer música e começarem um novo projeto depois de já estarem consolidados na indústria, o ‘disc jockey’ de Public Enemy fez um paralelismo da música com o mundo, em constante mutação.

“Se [a música] está dentro de ti, está dentro de ti. Não percebo como há pessoas que dizem que se vão reformar de algo que amam tanto. O que é que vais fazer [daí para a frente]? Da minha parte, ser um ‘dj’, fazer ‘beats’ ou fazer ‘scratching’, vou ter 89 anos e continuar a tentar fazer mexer o mais velho que esteja na sala”, vincou DJ Lord.

Os Prophets of Rage deram na noite de sábado um concerto marcante em Vilar de Mouros, com incursões pela discografia de Rage Against the Machine e ainda um ‘medley’ de músicas de Public Enemy e Cypress Hill.

Carregados de simbologia política, os músicos agradeceram a Portugal – um país que tem “sido incrível” para as bandas originais de cada elemento – acompanhados da tradicional imagem de punho erguido, um sinal de luta contra as desigualdades.

Houve ainda espaço para uma homenagem a Chris Cornell, músico falecido em 2017, que integrou a banda Audioslave, juntamente com Tom Morello, Brad Wilk e Tim Commerford (baixista), ao som do tema “Cochise”, durante o qual os três elementos tocaram os respetivos instrumentos, sem voz e apenas com uma luz no palco direcionada para o microfone.

Já perto do final do concerto, a banda exibiu no painel principal uma imagem na qual se podia ler “Façam Portugal enraivecer novamente”, uma alusão ao ‘slogan’ que ajudou a eleger Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos.

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Viana do Castelo

Fiéis entregam chave de igreja em “protesto” por nomeação em Viana

“Agora está nas mãos da Diocese”

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Foto: Arquivo

Um grupo de paroquianos de Santa Leocádia de Geraz do Lima, em Viana do Castelo, entregaram, esta quinta-feira, ao vigário-geral da Diocese as chaves da igreja em “protesto” pela nomeação do novo pároco que contestam desde maio de 2019.

“Entregou-se a chaves e o inventário de tudo o que existe na igreja. Agora que façam o que quiserem. Agora está nas mãos da Diocese. Já que o sistema é tão ditatorial, agora a responsabilidade é da diocese”, afirmou à Lusa o porta-voz dos paroquianos, Agostinho Lima.

O impasse na tomada de posse do padre na paróquia de Santa Leocádia de Geraz do Lima, com cerca de dois mil habitantes e situada a cerca de 20 quilómetros da cidade de Viana, arrasta-se desde maio de 2019 na sequência da morte do pároco anterior, João Cunha, e da nomeação, pela diocese, do sucessor, o padre Adão Lima.

Os fiéis da nova paróquia entendem que “o padre Adão Lima é uma pessoa materialista, com grandes sinais de riqueza, autoritário, inacessível, não dialogante e um mau exemplo para a comunidade”.

Desde o início do diferendo, tanto o pároco em causa como a diocese recusam fazer comentários sobre o assunto.

Agostinho Lima explicou que a decisão de entregar as chaves do templo “foi tomada no domingo numa reunião que que juntou cerca 300 pessoas”.

Esta quinta-feira, , cerca das 10:00, “um grupo de seis fiéis deslocou-se à Cúria Diocesana para entregar o inventário feito por elementos que antigamente constituem a comissão fabriqueira e as chaves da igreja paroquial”.

Contactada pela agência Lusa, fonte do secretariado diocesano de Viana do Castelo informou que “um grupo de paroquianos foi recebido pelo vigário-geral Sebastião Ferreira”, escusando-se a prestar mais esclarecimentos sobre o assunto.

Agostinho Lima garantiu que pessoas da aldeia “estão revoltadas, cansadas e desanimadas”.

“As pessoas estão desanimadas pela forma como a igreja atua. Não é exemplo para ninguém. Os fiéis mais idosos dizem que andaram a ser enganados pela Igreja toda a vida”, apontou.

Questionado sobre o futuro da paróquia, o porta-voz dos fiéis disse desconhecer.

“Se quiseram mandar o padre Adão que mandem. Se quiserem mandar outro padre que mandem. Quem quiser ir à igreja vai, quem não quiser não vai. Se for o padre Adão, possivelmente as pessoas irão é manifestar-se à porta da igreja. Não haverá violência, mas as pessoas irão protestar”, referiu.

Em janeiro os paroquianos impediram a posse do pároco, desligando as luzes do templo.

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Viana do Castelo

Vianense com suspeitas de coronavírus foi “falso alarme”

ULSAM

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Foto: Ilustrativa / DR

Foi “falso alarme”. O homem que se terá dirigido ontem [quarta-feira] ao Centro de Saúde de Viana depois de suspeitar de sintomas similares ao Covid-19 (coronavírus), está em casa e não foi infetado pela epidemia que já matou 2.118 pessoas na China, apurou O MINHO junto de fonte hospitalar.

O homem, que regressou recentemente de um cruzeiro com sintomas de gripe, terá entrado em contacto com a linha de apoio Saúde 24, que o encaminhou para o centro de saúde de Viana do Castelo.

Segundo disse a O MINHO fonte do gabinete de comunicação da Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM,EPE), o homem apresentava “alguma sintomatologia (análise detalhada)” que poderia apontar para coronavírus, mas já os próprios técnicos do Saúde 24 tinham indicado que seria pouco provável.

“Foi percebido que o doente não padecia dos mesmos sintomas [do coronavírus], pelo que foi contactado o gabinete [de crise da Ordem dos Médicos para o Covid-19] e indicaram-nos que os sintomas não seriam os mesmos”, disse a mesma fonte.

A situação acabou por ser divulgada, erradamente, como um caso suspeito que havia sido transferido para o Hospital de São João, no Porto, unidade hospitalar preparada para receber todos os utentes com suspeitas de contágio desta epidemia.

A mesma fonte que divulgou inicialmente as suspeitas, já veio desmentir o anunciado ontem à noite.

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Viana do Castelo

Renúncia quaresmal de Viana apoia construção de igreja em Angola

Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Cabinda

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Foto: Divulgação / Diocese de Viana do Castelo

O bispo de Viana, Anacleto Oliveira, anunciou, esta quinta-feira, que parte do resultado da renúncia quaresmal da diocese se destinará à construção da igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Cabinda, Angola, destruída durante a guerra.

Em causa está uma prática realizada durante os 40 dias da Quaresma em que os fiéis abdicam da compra de bens, reservando o dinheiro para projetos definidos pelo bispo da respetiva diocese.

Segundo números da Diocese de Viana, todos os anos, em média, são recolhidos cerca de 20 mil euros durante a Quaresma, que começa na quarta-feira, com a celebração de Cinzas, marcada por apelos ao jejum, partilha e penitência, que serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão.

Na habitual mensagem dirigida aos fiéis da Diocese de Viana, a propósito da Quaresma, Anacleto Oliveira refere que o templo será construído “no lugar da que foi destruída durante a guerra que devastou este País irmão”, na aldeia de Tando-Zinze, paróquia de Nossa Senhora das Vitórias do Lucala-Zenze, diocese de Cabinda, em Angola.

“Desta partilha, que está aliada ao jejum e se alimenta da oração, faz parte o nosso contributo penitencial, que, este ano, será canalizado, em partes iguais, para dois fins”, adiantou, referindo que a outra parte da verba apoiará uma instituição de Viana.

Trata-se do Gabinete de Atendimento à Família (GAF), ligado à Ordem dos Carmelitas Descalços “e especialmente vocacionado para o acolhimento de pessoas, vítimas de desprezo e rejeição, violências e carências, e a precisar de apoio solidário”.

As duas finalidades da renúncia quaresmal (que resulta do dinheiro que cada católico juntou graças às renúncias que fez no período da quaresma) foram decididas pelo bispo após auscultação dos conselhos Presbiteral e Episcopal.

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