O Ministério Público (MP) acusou um homem, de 37 anos, de 15 crimes de incêndio florestal agravados, cometidos em agosto e setembro de 2022 em várias freguesias do concelho de Vila Verde, foi hoje anunciado.
Em nota publicada na página da Internet, a Procuradoria-Geral Regional do Porto (PGRP) refere que o MP “considerou indiciado que o arguido”, nos dias 23 e 31 de agosto e 02 de setembro, de 2022, “datas em que era de ‘muito elevado ou elevado’ o risco de incêndio rural, ateou fogo a vegetação seca de zonas florestais, dando causa a incêndios”.
Segundo a investigação, o arguido foi o responsável pelos incêndios que deflagraram em vários locais das freguesias de Sande, Gomide, Aboim da Nóbrega, Barros, Coucieiro, Oriz (Santa Marinha), Passó, Valdreu e Atães, no concelho de Vila Verde.
O arguido encontra-se sujeito à medida de coação mais gravosa: prisão preventiva.
O despacho de acusação, com data de 16 de março deste ano, foi proferido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da Procuradoria da República de Braga (Vila Verde, secção única).
Como O MINHO noticiou aquando da sua detenção, o homem, de nome Nuno, residente em Atães, na União de Freguesias do Vade, Vila Verde, levava a mulher ao trabalho e, na viagem de regresso, espalhava diversos lenços de papéis presos em silvas secas que depois ateava.
Certificava-se sempre de incendiar em diferentes pontos, na mesma área, para se certificar que o incêndio pegava, daí verem-se, em alguns casos, diferentes focos de incêndios na mesma serra.
Segundo a investigação da PJ, o homem agiu por “incendiarismo”.
A área consumida pelos incêndios terá ultrapassado os 300 hectares de floresta, constituída principalmente por eucaliptos, pinheiros e mato.
Os vários locais onde os incêndios ocorreram situam-se em zonas com condições de propagação a manchas florestais de grandes dimensões, “gerando enorme risco, potencialmente alimentado pela carga combustível ali existente e pela orografia própria da região, o que se traduziu em elevadíssimo perigo concreto para as pessoas, para os seus bens patrimoniais e para o ambiente”, referiu, na altura, a PJ, em comunicado.
O detido, sem ocupação profissional, fazia uso de viatura própria e recorria a chama direta para as ignições.