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Vila Praia de Âncora quer regresso da velha ponte Eiffel que a CP doou à Póvoa de Lanhoso

Câmara povoense diz que, legalmente, não pode dar património

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Foto: DR

A Junta de Freguesia de Vila Praia de Âncora e um grupo de residentes no litoral do distrito de Viana do Castelo quer que a Câmara da Póvoa de Lanhoso devolva a antiga ponte do comboio, construída em 1874 pelo arquiteto francês Gustave Eiffel e que servia para o atravessamento do rio Âncora, na Mata Nacional da Gelfa. Mas o autarca povoense, Avelino Silva diz que, “legalmente, não pode dar património” e assegura que está a ser feito um estudo para a sua utilização.

Em declarações a O MINHO, o presidente da Junta de Âncora, António Brás e o investigador do Centro de Estudos Regionais de Viana do Castelo, Rui Maia, disseram que a estrutura metálica, doada em 1989 pela CP, se está a degradar a olhos vistos sem que a Câmara da Póvoa lhe dê destino: “Queremos criar um centro interpretativo do caminho de ferro e do património aqui em Âncora, requalificando a velha ponte”.

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Para sensibilizar a Câmara povoense e os poderes políticos, foi lançada uma petição solicitando aos deputados na Assembleia da República e ao Governo em particular, para que intercedam junto da autarquia, de modo a que esta restitua a Ponte Eiffel.

Lembram, que, após a substituição da infraestrutura no final dos anos 80, por uma mais capaz de responder aos novos paradigmas de carga e velocidade na ferrovia – Linha do Minho – a Ponte foi doada pela CP – Comboios de Portugal à Póvoa de Lanhoso, para realizar a travessia rodoviária de um rio, nunca tendo sido adaptada para tal, tendo a autarquia construído uma em betão armado.

Após todo este tempo, – sublinham – sem que a Ponte Eiffel fosse condignamente utilizada, decidiu a autarquia da Póvoa de Lanhoso colocá-la num espaço de uma empresa de metalúrgica – a DAEL – em Covelas.

Solução digna

Os peticionários pedem, ainda que a Direção Geral do Património Cultural, com o apoio da Assembleia da República, “encontre uma solução digna” para esse património industrial, que não está classificado como monumento nacional.

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Contactado a propósito, o presidente da Câmara da Póvoa disse que a lei em vigor impede os municípios de doar património e garantiu que, com a conclusão do estudo, a ponte será restaurada e usada para um atravessamento no concelho: “Já disse isto ao meu congénere de Caminha e ao presidente de Âncora”.

Para além da petição, os promotores do regresso da ponte realizam dia 26 um debate sobre o tema, com a participação de José Manuel Cordeiro, conhecido historiador na área do património industrial.

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