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Vieira e empresário de Braga criaram teia de empresas por onde circulava o dinheiro

Justiça

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Foto: Imagem CMTV

O presidente do Benfica, o seu filho Tiago Vieira e o empresário Bruno Macedo, de Braga, estão indiciados de terem lesado a Benfica SAD e o Estado português, utilizando em proveito próprio as verbas, que circulavam numa teia de empresas.

De acordo com documentos da investigação, a que a agência Lusa teve acesso, Luís Filipe Vieira e Bruno Macedo, empresário de futebol e advogado, desenvolveram desde 2014 um esquema para tirarem benefícios pessoais de pagamentos realizados pela Benfica SAD, relativos à compra e venda de jogadores, lesando também o Estado português.

O esquema passava pela utilização de sociedades ‘off shore’, ou domiciliadas na Tunísia, nos Emirados Árabes Unidos e nos Estados Unidos, controladas por Bruno Macedo, nas quais eram colocadas verbas obtidas através da simulação de negócios que envolviam a Benfica SAD, da qual Luís Filipe Vieira foi presidente até hoje, quando anunciou a suspensão de funções

Bruno Geraldes Macedo, nascido em Coimbra mas com vida feita em Braga, filho do conhecido advogado Vespasiano Macedo, de Prado, Vila Verde, foi conselheiro nacional da ANJAP e, antes de se dedicar aos negócios do futebol, foi sócio da sociedade de advogados Vespasiano Macedo & Associados, fundada pelo pai, e com sede em Braga.

Para o Ministério Público (MP), essas verbas, cujo valor global ascende a quase 2,5 milhões de euros (ME) foram posteriormente introduzidas em Portugal e colocadas, em fundos de sociedades da esfera empresarial de Luís Filipe Vieira, diminuindo as tributações em território nacional, com ganhos pessoais para os suspeitos.

Luis Filipe Vieira, Tiago Vieira e Bruno Macedo, detidos desde quarta-feira na operação ‘Cartão Vermelho’, juntamente com o empresário José António Santos, são também suspeitos de terem ocultado as verbas em causa à administração fiscal, obtendo assim benefícios pela não liquidação de impostos.

Segundo o documento, através de contratos simulados foram justificados pagamentos realizados pela Benfica SAD, de forma beneficiar os suspeitos e as suas empresas, tendo as verbas servido para amortizar financiamentos contraídos por sociedades de Vieira, permitindo a diminuição do passivo e a libertação de garantias prestadas.

No esquema, que acredita o MP, estava acordado entre Luís Filipe Vieira, cujo nome sempre foi protegido, e Bruno Macedo, as verbas circulavam através de uma complexa teia de empresas, em muitas das quais o empresário de futebol e advogado figurava como administrador.

Tiago Vieira era, segundo o MP, administrador de várias sociedades envolvidas, nas quais atuava segundo as indicações do pai.

O MP diz haver indícios que entre 2015 e 2019 a Master Internacional FZC, ligada a Bruno Macedo, registada nos Emirados Árabes Unidos, beneficiou de transferências de quase três milhões de euros feitas pela Benfica SAD.

Já antes, em 2013 e 2014, a Benfica SAD tinha procedido à alienação dos direitos económicos dos jogadores Denis Galiano e Claudio Correa a uma outra sociedade, pelo valor de 1,7 ME.

Posteriormente, os jogadores foram vendidos tendo a sociedade lucrado cerca de 1,2 ME, que vieram a beneficiar sociedades do grupo de Luís Filipe Vieira, através de um esquema que permitia ocultar a origem dos fundos.

O mesmo documento indica que Luís Filipe Vieira e Tiago Vieira eram os gerentes de facto da PROMOTAV, uma empresa do ramo imobiliário, da qual Bruno Macedo foi nomeado gerente em 2018, apenas para encobrir pai e filho, e que esteve envolvida no recebimento de verbas provenientes de outras empresas, mas com origem na Benfica SAD.

Na operação “cartão Vermelho”, o MP defende medidas de coação ‘pesadas’ e sugere a aplicação de prisão preventiva de forma a evitar a possível adulteração de provas e eventuais fugas dos envolvidos.

Luís Filipe Vieira, de 72 anos, foi um dos quatro detidos na quarta-feira numa investigação que envolve negócios e financiamentos superiores a 100 milhões de euros, com prejuízos para o Estado e algumas sociedades.

Segundo o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) estão em causa factos suscetíveis de configurar “crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais”.

Para esta investigação foram cumpridos 44 mandados de busca a sociedades, residências, escritórios de advogados e uma instituição bancária em Lisboa, Torres Vedras e Braga. Um dos locais onde decorreram buscas foi a SAD do Benfica que, em comunicado, adiantou que não foi constituída arguida.

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