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Braga

Vida noturna e caminhos da fé partilham calçada em Braga

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A vida noturna e os caminhos da fé em Braga partilham a calçada da rua, com a “zona dos bares” a circundar a Sé Catedral, uma proximidade que deixa turistas “confusos”, comerciantes agradados e moradores em “modo de desespero”.

A convivência entre o sagrado e o mundano nem sempre é pacífica e a relação dos moradores daquela área do coração da cidade com a “maluqueira” dos jovens e o barulho dos bares é, às vezes, “quase de pecado”, tantos são os impropérios ditos “quando o ruído vai além do que até um santo suportaria”.

A vizinhança entre os bares e a “Sé” parece ainda deixar os turistas “surpreendidos” e “fazer confusão”, mas não desgostosos. Depende da idade.

Anette e Sven Baum, 47 e 52 anos, turistas alemães, “profundamente religiosos”, não apreciaram a proximidade entre as esplanadas dos bares e a entrada para a catedral.

“Não nos parece bem. Ficamos confusos. Este é um sítio de recolhimento, oração, deve ser preservado. Sair e ter uma esplanada com gente a beber álcool não me parece apropriado”, considerou Anette.

Para Sven, a questão não é tão problemática. “É estranho porque víamos os bares e achamos que estávamos na rua errada. Mas não me choca tanto como a ela [Anette]. Se calhar porque, e Deus me perdoe a blasfémia, uma cerveja até pode ajudar a ganhar coragem para confessar alguns deslizes”, sorriu.

Anette reagiu, dando-lhe uma palmada no braço.

Para os filhos do casal, com 22 e 25 anos, há “vantagens” na localização dos cafés e bares.

“Já vimos umas cinco igrejas. Já chega. Eles [os pais] foram ver mais esta e nós ficamos aqui a beber umas coisas. E há outra coisa: dizem que Braga é quente no verão. Deve ter o seu encanto estar na rua a beber e olhar para a fachada [da catedral]. Deve dar um ar místico”, analisou John, o mais novo.

O mais velho apontou um outro pormenor. “Pode ser um detalhe mas, como todos os bares, a hora da confusão deve ser à noite. E não me parece que à noite a igreja esteja aberta. Não deve interferir com a oração de ninguém”, referiu.

Para comércio, “não é negativa de todo” a proximidade entre as cadeiras de esplanada e os bancos de oração.

“Faz com que venha aqui mais gente. Saem à noite para se divertir e acabam por espreitar pelas janelas das lojas e depois passam aqui para comprar “recuerdos”. Ou, ao contrário, visitam a Sé e ficam a saber onde se divertirem à noite”, disse Maria Silva, empregada de balcão numa loja frente à Sé de Braga.

“A verdade é que os nossos clientes são maioritariamente turistas, sejam nacionais, sejam estrangeiros. E querem tudo, copos e conhecer a Sé. Claro que também depende das idades”, concluiu.

para os moradores, “a coisa é complicada” por causa do barulho.

“Sinto que vivo numa zona nobre, bonita, de referência, mas nem sempre pelo melhor. Não gosto que me digam que vivo na zona dos bares. Eu vivo na zona da Sé”, explicou Amílcar Santos, 68 anos.

Garantindo que a “cisma” não é por “já não ser novo”, aquele morador da Sé afirmou que às vezes entra em “modo de desespero” por não conseguir dormir com o barulho.

“Ele é gritos, cadeiras a arrastar, miúdos a rir, cargas e descargas. Não há sossego. Então no verão é um martírio. Eu entendo que os miúdos tenham que ter sítio para se encontrar, eu também fui a muitos bailinhos, mas aqui é que não devia ser”, disse.

Amílcar ainda não sabia que de junho a setembro os bares podem estar de portas abertas até as 02:00.

Ao ficar a saber, sentenciou: “Oh, pronto! Está o caldo entornado”.

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