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Alto Minho

Viana, Ponte de Lima e Caminha vão colocar “todas as dificuldades possíveis” à prospeção de lítio

Câmaras do Alto Minho estão a “trabalhar na classificação da Serra d’Arga”

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José Maria Costa, autarca de Viana do Castelo. Foto: Divulgação / CM Viana do Castelo (Arquivo)

O presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, afirmou hoje, que o município irá “colocar todas as dificuldades que puder” para evitar a prospeção de minerais na Serra D’Arga.

“O que posso dizer é que vamos criar muitas dificuldades, tudo o que a lei nos permitir”, afirmou.

O autarca socialista, que respondia à interpelação de Carlos Seixas, munícipe e porta-voz do SOS Serra D’Arga, movimento recém-criado em defesa daquela zona, no período aberto ao público da reunião camarária de hoje, explicou que a “competência de licenciamento” não é da Câmara Municipal que, na deliberação que emitiu em 2016, “colocou muitas restrições à prospeção de minerais”.

“Tudo o que podemos alegar colocámos lá, dentro da lei. O executivo municipal vai colocar todas as dificuldades que puder porque há outros valores mais importante para a serra e para os quais estamos a trabalhar, em conjunto, com outros dois municípios do distrito”, sustentou.

O autarca especificou que Viana do Castelo, em parceria com as Câmaras de Caminha e Ponte de Lima está a “trabalhar na classificação da Serra d’Arga”.

“Com esta classificação conseguiremos, de certa forma, impedir essa prospeção”, referiu.

Em causa está o projeto “Da Serra d’Arga à Foz do Âncora”, apresentado publicamente em abril pelas Câmaras de Viana do Castelo, Caminha e Ponte de Lima.

O projeto intermunicipal “incide sobre o território classificado como Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000 Serra d’Arga, correspondendo a uma área com 4.493 hectares, totalmente inserida na sub-região do Alto Minho, e cuja conservação florística e faunística é imperativa”.

A classificação daquele território como Área Protegida de âmbito regional, pretende “reforçar o seu caráter único enquanto ativo territorial e produto turístico emergente”

O projeto intermunicipal implicou um estudo entre o vale do Âncora e o maciço serrano, que incluiu o levantamento das espécies existentes.

Foram identificadas 1.124 espécies de flora, entre as quais uma raridade em Arga de Cima, no concelho de Caminha, a ‘Scrophularia Bourgaeana’ que se pensava estar extinta em território nacional.

Foram ainda identificadas 126 aves, dez anfíbios, 12 répteis, 23 mamíferos não voadores e dez voadores, e cinco espécies de peixes, além de 60 elementos geológicos.

O estudo permitiu ainda fazer “o levantamento do património construído, entre igrejas e fontanários, sendo que destes últimos foram inventariados mais de 100 fontanários”.

O trabalho já efetuado permitiu também “analisar os serviços dos ecossistemas, que permitiu medir, do ponto de vista económico, o valor que a Serra D’Arga presta à qualidade de vida do ser humano”.

A classificação daquele território como Área Protegida “visa conceder-lhe um estatuto legal de proteção adequado à manutenção da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas e do património geológico, bem como à valorização da paisagem”.

No início de maio, a australiana Fortescue Metals Group Exploration Pty retirou a proposta de prospeção de depósitos de minerais na zona de Fojo, (com o objetivo principal o lítio) para um polígono com 74.764 km2, inserido nos concelhos de Arcos de Valdevez, Melgaço e Monção, nos limites do Parque Nacional da Peneda-Gerês(PNPG).

O polígono de prospeção proposto abrangia o território declarado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera, extensões de área de prospeção inseridas na Reserva Agrícola Nacional e na Reserva Ecológica Nacional, território classificado como Rede Natura 2000, bem como zonas densamente povoadas e densa atividade agrícola.

Abrangia ainda os Vales do rio Minho, do rio Mouro e do rio Vez (Vale Glaciar), confinando com os limites do Parque Nacional Peneda-Gerês.

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Viana do Castelo

Viana do Castelo aprova louvor a embaixadora do combate às alterações climáticas

Por unanimidade

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Foto: DR/Arquivo

A Câmara de Viana do Castelo aprovou hoje, por unanimidade, a atribuição de um voto de louvor a Raquel Gaião Silva pela conquista do estatuto de embaixadora da juventude para o combate às alterações climáticas.

A atribuição daquela distinção foi proposta pelo presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, durante a reunião camarária, e mereceu a aprovação dos restantes vereadores da oposição, PSD e CDU.

Raquel Gaião Silva, bióloga de 24 anos natural de Viana do Castelo, venceu o concurso “The Global Youth Video Competition” (Concurso Global de Vídeos da Juventude), organizado no âmbito da Cimeira do Clima da ONU.

O vídeo da jovem investigadora foi selecionado entre 400 candidatos de todo o mundo e obteve mais de 60 mil visualizações do público.

O trabalho será exibido na Cimeira do Clima, que se realiza dia 23, em Nova Iorque e na Conferência das Partes (COP25) em Dezembro, no Chile.

Em comunicado, na terça-feira, a organização não governamental portuguesa Ocean Alive explicou que ao vencer aquele concurso, Raquel Gaião Silva, conquistou o estatuto de Embaixadora da Juventude para as Alterações Climáticas e terá a oportunidade de ser Reporter da Juventude na COP25 onde irá apresentar o projeto que inspirou o vídeo.

O vídeo da bióloga portuguesa, que, em 2018, foi a primeira portuguesa a ganhar o prémio mundial Global Biodiversity Information Facility Young Researchers Award, com um trabalho sobre o impacto das alterações climáticas na distribuição de macroalgas na costa Atlântica da Península Ibérica, “foi selecionado entre 400 candidatos de todo o mundo e obteve já mais de 60 mil visualizações do público”.

Raquel Gaião Silva estudou biologia na Faculdade de Ciências na Faculdade do Porto. Em 2018 concluiu o mestrado internacional, feito na Universidade do Algarve e na Irlanda. Trabalha há um ano na Bluebio Alliance (BBA) uma associação portuguesa sem fins lucrativos, fundada em 2015, que representa todos os participantes dos biorrecursos marinhos e da cadeia de valor biotecnológica azul.

O projeto que inspirou o vídeo documenta o trabalho da Ocean Alive como “um exemplo da categoria do concurso da ONU Cidades e ação local no combate às alterações climáticas”.

O vídeo “retrata a importância das pradarias marinhas enquanto reguladoras das alterações climáticas”.

As “pradarias marinhas, desconhecidas do grande público, são constituídas por plantas aquáticas que formam uma floresta marinha que sequestram carbono a uma taxa 30 vezes superior ao das florestas terrestres”.

“São estas pradarias que tornam o estuário do Sado único em Portugal, pois como florestas que são, oferecem alimento, abrigo e local de reprodução para muitos organismos marinhos, como os cavalos-marinhos, raias e para as presas dos golfinhos que residem neste estuário. Se estas pradarias marinhas forem destruídas, o carbono por elas armazenado será libertado e uma grande biodiversidade marinha será perdida”, explica a nota da Ocean Alive.

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Viana do Castelo

Viana do Castelo restaura filme com 60 anos de representação popular bicentenária

Auto de Floripes

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Foto: DR / Arquivo

O filme Auto de Floripes, produzido em 1959 que retrata a peça de teatro popular com o mesmo nome, representada há 200 anos em Viana do Castelo, vai ser restaurado, num investimento de 13 mil euros, hoje aprovado.

A proposta de restauro da película foi apresentada pela vereadora da Cultura, Maria José Guerreiro, em reunião camarária, tendo sido aprovada por unanimidade.

De acordo com o documento, “o filme Auto de Floripes foi produzido em 1959 pela secção Experimental do Clube Português de Cinematografia – Cineclube do Porto e retrata a peça de teatro popular com o mesmo nome, que se representa anualmente, em 05 de agosto, no Lugar das Neves, uma convergência de três freguesias pertencentes ao concelho de Viana do Castelo: Barroselas, Mujães e Vila de Punhe”.

Em causa está uma representação popular que todos os anos é feita na tarde de 05 de agosto, durante as festividades do lugar das Neves, comum a três freguesias, Vila de Punhe, Mujães e Barroselas, todas na margem esquerda do rio Lima, em Viana do Castelo.

O auto é levado à cena por cerca de 25 comediantes populares da região e baseia-se num episódio extraído da guerra entre o imperador Carlos Magno e o rei turco Almirante Balaão, uma disputa entre cristãos e mouros, que os primeiros acabam por vencer.

“O filme, apresentado em 1961, foi realizado a partir de uma ideia original de Henrique Alves Costa (1910-1988), sendo uma obra coletiva, entre outros, de António Reis, Luís Ferreira Alves, Henrique Alves Costa, Lopes Fernandes, Fernando Ferreira e Virgílio Moreira, bem como um registo ímpar na história do cinema em Portugal;”, lê-se na proposta hoje aprovada.

Maria José Guerreiro sublinhou que a autarquia “reconhece a relevância e a mais-valia deste filme para a região, bem como a sua importância para a preservação da memória da celebração do Auto de Floripes que é parte integrante do património cultural imaterial português”.

“O Clube Português de Cinematografia – Cineclube do Porto, em parceria com a Cinemateca Portuguesa – Museu de Cinema, deu início, no princípio de 2019, ao processo de investigação sobre o filme e de análise do estado da película, bem como ao processo de restauro e digitalização da mesma película para produção videográfica (edição em DVD e em DCP), acompanhada de edição de uma brochura explicativa com textos de personalidades relevantes na área e testemunhos de intervenientes no filme”, especifica a proposta.

De acordo com a parceria hoje aprovada, o custo total do restauro ronda os 13.175 euros, sendo que o Cineclube do Porto suporta 8.225 euros e a Câmara de Viana do Castelo 4.950 euros.

O Núcleo Promotor do Auto da Floripes 5 de Agosto, responsável pela representação da peça no lugar das Neves, trata-se de uma “uma relíquia do teatro popular português”.

A chegada dos exércitos ao campo de batalha é feita ao som de bandas de música, começando logo depois o duelo, interpretado pelo Conde de Oliveiros, pelo lado cristão, e por Ferrabrás, rei de Alexandria e filho de Balaão, pelo lado turco.

Oliveiros ganha o duelo, mas, numa cilada, é feito prisioneiro pelos soldados turcos, enquanto Ferrabrás, muito ferido, é abandonado pelos seus homens, que o julgam morto, sendo recolhido pelos soldados cristãos, que o levam para junto de Carlos Magno.

Este manda embaixadores ao rei turco a propor a troca de Oliveiros por Ferrabrás, mas Balaão recusa e manda Brutamontes, o bobo da corte, encarcerá-lo, após o que se sucedem trocas de embaixadas e mais guerras entre as partes.

É então que entra em cena Floripes, filha do Almirante Balaão, que consegue convencer Brutamontes a libertar Oliveiros, por quem está apaixonada, e os restantes prisioneiros, entregando-os a Carlos Magno.

O rei turco, ferido de raiva pela traição da filha, clama vingança, tendo então lugar mais algumas escaramuças entre cristãos e turcos, mas estes últimos acabam por se render, abandonando uns e outros o campo de batalha, novamente ao som das bandas de música.

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Viana do Castelo

Corpo municipal passa a Companhia de Bombeiros Sapadores de Viana do Castelo

Medida aprovada por unanimidade

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Foto: DR/Arquivo

A Câmara de Viana do Castelo aprovou, hoje, por unanimidade a alteração da designação do atual corpo municipal de bombeiros para Companhia de Bombeiros Sapadores, dando cumprimento ao Decreto-Lei Nº 86/2019.

Na proposta camarária, a maioria socialista justifica a nova designação com aquela legislação que “institui o Estatuto de Pessoal dos Bombeiros Profissionais da Administração Local, introduzindo alterações significativas, nomeadamente, a extinção da carreira de bombeiros municipal e a introdução da carreira de bombeiros sapadores para os corpos municipais de bombeiros”.

“O decreto-lei determina que os corpos de bombeiros profissionais detenham uma estrutura que tendo em conta a sua dimensão implicam a existência de regimentos, batalhões, companhias ou secções ou pelo menos, de uma destras unidades estruturais”, explicou o presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, garantindo que o corpo municipal “está descontextualizado” face a esta legislação.

Os até agora Bombeiros Municipais de Viana do Castelo, tiveram como designação original a de Companhia da Bomba, e foram fundados a 22 de março de 1780. São o terceiro mais antigo corpo de bombeiros do país, logo a seguir aos Sapadores de Lisboa e Porto. Contam com uma estrutura profissional constituída por mais de 50 operacionais.

A corporação “tem como função e objetivo principal o salvamento e proteção de pessoas e bens, tendo como área de atuação o Município de Viana do Castelo. No entanto, entram em campo sempre que solicitados pela estrutura da Autoridade Nacional de Proteção Civil”.

Dispõe de veículos de combate a incêndios, veículos tanque, um veículo autoescada com trinta metros, ambulâncias de socorro, viaturas de socorro e assistência estratégica, veículo de comando, um de apoio a mergulhadores, veículos de apoio diverso e bote de socorro e resgate.

Em termos de capacidade intervenção, está preparado para incêndios, desobstrução e desencarceramento, matérias perigosas, salvamento em grande escala, ambiente subaquático e mergulho e ambientes de condições atmosféricas e anticorte.

Em março, na sessão solene comemorativa dos 239 anos dos bombeiros, o presidente da Câmara de Viana do Castelo anunciou o arranque, “em breve”, de uma intervenção de 300 mil euros na requalificação do quartel, que será ampliado em 2020.

Na altura, autarca socialista explicou que a requalificação a realizar este ano prevê, entre outros trabalhos, a “substituição das coberturas do edifício”.

Quanto às obras de ampliação do quartel, José Maria Costa adiantou que avançarão no próximo ano, justificando que o espaço, com 20 anos, “já não corresponde às realidades atuais”.

“Há necessidade áreas de formação, de um núcleo museológico para preservar o espólio da corporação e que é preciso preservar num núcleo museológico”, disse, acrescentando que a segunda fase do quartel prevê a criação de “uma nova área operacional e sala de operações e emergência”.

José Maria Costa revelou que a autarquia “lançar nova recruta” para formar 12 novos bombeiros para responder à “diminuição de recursos humanos ao serviço” da corporação que, “nos próximos anos vai ficar sem seis operacionais”.

Em dezembro de 2018, 12 novos bombeiros iniciaram a carreira no corpo municipal de Viana do Castelo, após terem concluído cerca de um ano de formação.

Os novos elementos, que iniciaram a carreira como bombeiros de terceira classe, tomaram posse numa sessão realizada em dezembro de 2018.

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