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Alto Minho

Via da Geira em destaque na National Geographic pela lente de Carlos Pontes

Fotógrafo e videógrafo natural de Ponte da Barca

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Imagem: Cortesia National Geographic

A edição especial de dezembro da edição portuguesa da National Geographic, “Jóias do Passado em Portugal”, traz em destaque dois trabalhos do fotógrafo e videógrafo de natureza Carlos Pontes, natural de Ponte da Barca, sobre dois “monumentos muito importantes da romanização em território português”.

Um dos trabalhos mostra a Via da Geira, antiga estrada romana que liga(va) Braga à Galiza, enquanto o outro capta o ainda pouco explorado pelos fotógrafos Santuário de Panóias, em Vila Real.

Em declarações a O MINHO, o diretor da revista, Gonçalo Pereira Rosa, destaca o trabalho realizado na via romana, que “emerge em alguns pontos do Parque Nacional da Peneda-Gerês”.

“Conhecendo aquele território como poucos, o Carlos captou a essência daquela velha estrada romana, onde ainda despontam marcos miliários e que de alguma forma ajudava a penetrar no interior da serra, ligando as importantes cidades do Minho e da Galiza”, sublinha Gonçalo Pereira Rosa.

Cortesia National Geographic

O outro local fotografado pelo barquense, nos arredores de Vila Real, é o Santuário de Panóias, “conhecido desde o século XVI” mas que ainda “intriga os especialistas”.

“Sabe-se hoje que terá sido mandado construir por um cidadão romano que vinha do oriente e que trouxe de lá os cultos religiosos mais exóticos. O Carlos explorou o local e encontrou a melhor maneira de representá-lo fotograficamente. Do ar. Com um drone, captou a extraordinária força daquele espaço mágico que ainda dará muito que falar”, explica o diretor.

Cortesia National Geographic

Gonçalo Pereira Rosa esclarece que esta edição especial selecionou cerca de “50 locais correspondentes a uma vivência anterior à da fundação nacional”.

“Quer isso dizer que seleccionámos monumentos correspondentes a ocupações a pré-históricas, calcolíticas, romanas, pós-romanas, paleocristãs e islâmicas”, contextualiza o responsável editorial.

Outro dos destaques nesta edição especial vai para Guimarães. Através da lente do fotógrafo alentejano José Barros, é mostrada uma perspetiva, já com alguns anos, do sítio arqueológico da Citânia de Briteiros.

Imagem: Facebook de José Barros

Quem é Carlos Pontes?

Um apaixonado pela fotografia de fauna selvagem. Natural de Ponte da Barca, desde criança que tem contacto com o Parque Nacional Peneda-Gerês (PNPG), não só com a área inserida em Ponte da Barca mas também em Arcos de Valdevez e Melgaço, zonas com as quais mais se identifica.

Aos 35 anos, é hoje considerado um autor diferenciador dos animais e paisagens do PNPG. Esteve sempre em contacto com serras e animais, enquanto se formou em design e buscou conhecimentos em biologia. Com grande habilidade técnica no mundo da natureza e fotografia, estuda teoria e prática sobre as áreas e espécies que fotografa.

Carlos Pontes em trabalhos junto ao rio Vez. Foto: Luís Fernandes

Venceu alguns prémios em concursos nacionais de fotografia, colaborou com documentários de vida selvagem transmitidos pela televisão portuguesa e colabora em publicações da National Geographic

Mais recentemente, colaborou como câmara no novo projeto “DEHESA – el bosque del lince” do aclamado produtor e realizador de filmes de natureza, Joaquin Gutierrez Acha.

Esta produção, sobre sobre Portugal e Espanha é da autoria de um dos melhores realizadores da Europa onde só entram dois portugueses: Carlos Pontes e João Cosme.

“Momento raro”. Cria de lobo-ibérico fotografada no Gerês

“Conhecer Carlos Pontes é perceber que o seu ADN é marcado pelas serras e os animais, particularmente o lobo-ibérico (canis lupus signatus)”, diz a biografia que o autor partilhou com O MINHO.

Desde os nove anos que vê lobos em estado selvagem, mas desde os vinte anos que começou a mostrar mais interesse. Os lobos são, hoje, a sua “principal fonte de inspiração”.

‘Set’ improvisado no monte por Carlos Pontes. Foto: Facebook de Carlos Pontes

Através de exposições, Carlos Pontes quer ajudar a valorizar o lobo como “um elemento crucial não só da biodiversidade regional, mas também da identidade cultural e tradição populares”.

“Desmistificar a falsa ideia do lobo mau pode permitir que as entidades governativas da região vejam na sua imagem e no rico património cultural a ele associado no contexto ibérico uma mais valia para o desenvolvimento económico e turístico”, refere o autor.

Pode consultar o trabalho do autor nas redes sociais Instagram e no Facebook.

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