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Ponte de Lima

Descargas ilegais em Ponte de Lima chegam à Assembleia da República

Alertando para falta de avisos à população que “usufrui” daquele curso de água.

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Foto: Facebook de JSD Ponte de Lima (2016)

Os Verdes questionaram hoje o Ministério do Ambiente sobre “descargas ilegais feitas para o rio Lima, em Ponte de Lima, e seus afluentes”, alertando para falta de avisos à população que “usufrui” daquele curso de água.

Através de uma pergunta entregue na Assembleia da República e dirigida ao ministro do Ambiente, o deputado do Partido Ecologista “Os Verdes” José Luís Ferreira realça que, “ao longo do leito e margens do rio Lima, crianças e adultos praticam canoagem e usufruem de praias fluviais onde não existem quaisquer avisos da qualidade de água”.

No pedido de esclarecimento sobre as medidas que o Governo pretende tomar para “defender” o rio Lima, o deputado sublinha que aquele curso de água “entra em Portugal próximo do Lindoso e de Soajo, passa por Ponte da Barca e Ponte de Lima, até desaguar no oceano Atlântico junto a Viana do Castelo, após percorrer um total de 135 quilómetros”.

Acrescenta que, após uma denúncia feita junto do PEV, em julho o partido foi ao local, tendo “identificado a zona onde são feitas algumas descargas diretas para o rio Lima”.

“Foi possível visualizar um tubo, que parece ser de esgoto, a libertar resíduos diretamente para o rio. Este encontra-se a meio da Avenida dos Plátanos. Foi possível verificar que aquele local tem sido alvo de várias descargas. Verifica-se pela cor das pedras que formam um pequeno muro e pelo lixo e lamas acumulados nas árvores envolventes e no leito”, sustenta o deputado José Luís Ferreira.

Refere também que “a preocupação por crimes ambientais que possam estar a ser cometidos no rio Lima, à semelhança de outros rios ao longo de todo o país, é denunciada pela população que está cada vez mais sensível à preservação dos seus rios e da natureza”.

O deputado José Luís Ferreira quer saber se o Ministério do Ambiente “tem conhecimento da existência de denúncias feitas, este ano, junto do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) de Arcos de Valdevez sobre descargas ilegais feitas para o rio Lima e seus afluentes e da falta de quaisquer avisos sobre a qualidade de água”.

O Partido Ecologista “Os Verdes” pretende ainda saber se a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) acompanha a situação e se existe algum plano com o município de Ponte de Lima para que seja revisto o saneamento da vila”.

Ponte de Lima

Escola de Ponte de Lima recebe prémio em concurso nacional da Direção Geral da Educação

Agrupamento de Escolas de Freixo.

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Foto: Facebook de Agrupamento de Escolas de Freixo

A Direção-Geral da Educação (DGE) atribuiu um prémio de mil euros ao Clube de Robótica do Agrupamento de Escolas de Freixo, no concelho de Ponte de Lima.

Através das redes sociais, a prestigiada instituição de ensino agradeceu aos responsáveis.

“Parabéns à Ana Lagoa Pedro Correia Joao Cunha Mónica Carvalheira e aos muitos alunos que trabalham muito para conseguirmos cada vez mais e melhor!!!”, pode ler-se.

A seleção dos clubes apoiados foi feita através de concurso nacional, aberto a escolas públicas e privadas, e “visa distinguir os estabelecimentos de educação e ensino públicos e privados que, através dos seus projetos e das suas práticas, promovem os vários tipos de linguagem de programação e robótica, desenvolvendo nos seus participantes capacidades como o pensamento crítico, a resolução de problemas, o trabalho colaborativo e a criatividade”.

Segundo o regulamento, disponível em http://www.erte.dge.mec.pt, “a participação neste concurso implica, numa primeira fase, apresentar o seu projeto e plano anual de atividades. Numa fase posterior, os CPR terão de criar um vídeo que demonstre os objetivos, os produtos e alguns momentos do seu quotidiano que considerem mais relevantes e característicos do seu clube”.

O prémio foi recebido pelo Luís Fernandes, professor de Português e Francês, e diretor do agrupamento, durante a “Codeweek”, encontro de programação e robótica que decorreu em Rio Tinto, no distrito do Porto, nos dias 19 e 20 de outubro.

Em 2017/2018, este concurso nacional atribuiu prémios de 150 euros a várias escolas dos distritos de Braga e Viana, na região do Minho – a lista de 2018/2019 ainda não foi publicada no site da DGE.

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Ponte de Lima

Colega de Dylan da Silva que também morreu caiu de viatura sem reagir e instrutor nada fez

Colega de Dylan da Silva que também perdeu a vida.

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Foto: DR

Um dos instruendos do curso de Comandos em que morreram dois recrutas disse hoje em tribunal que Hugo Abreu caiu no solo e “não se mexeu mais” quando subia para uma viatura, o que foi presenciado e ignorado por um dos instrutores.

Dylan da Silva, de Ponte de Lima, e Hugo Abreu, à data dos factos ambos com 20 anos, morreram e outros nove instruendos sofreram lesões graves e tiveram de ser internados durante a denominada ‘Prova Zero’ (primeira prova do curso de Comandos) do 127.º curso de Comandos, que decorreu na região de Alcochete, distrito de Setúbal, a 04 de setembro de 2016.

Rodrigo Seco, um dos dez instruendos do grupo de graduados, do qual fazia parte Hugo Abreu descreveu que no decurso da ‘Prova Zero’ os dois instrutores responsáveis por este grupo, Tenente Hugo Pereira e Primeiro-Sargento Ricardo Rodrigues, sempre desvalorizaram os sintomas de mal-estar, os sinais de cansaço e ignoraram os vários pedidos para que pudessem beber água.

Sempre que isso acontecia, os instrutores aplicavam “castigos” aos instruendos, como rastejar, fazer flexões, saltar para cima de silvas, fazer cambalhotas ou realizar marchas, segundo este recruta, acrescentando que só podiam “beber água à ordem”, o que só aconteceu por duas vezes, nas quais beberam três ou quatro tampas do cantil com água.

A testemunha contou que se sentiu mal por diversas vezes, com tonturas, boca seca, sensação de que estava tudo a andar à roda e com dificuldades em respirar, além de ter caído algumas vezes, sem forças, o que aconteceu com outros camaradas do mesmo grupo. Sempre que isso acontecia, disse, os instrutores davam ordem para que continuassem a instrução.

Rodrigo Seco, que se constituiu assistente no processo e reclama 40.000 euros do Estado e dos 19 arguidos, todos Exército, do Regimento de Comandos, disse que pouco tempo depois de estar deitado na zona da carreira de tiro após se ter sentido mal, mais uma vez, à semelhança de outros dois instruendos, Hugo Abreu chegou àquela zona.

“Estava vermelho, só cuspia saliva e ria-se”, relatou ao coletivo de juízes, presidido por Helena Pinto, acrescentando que “estava muito calor” durante a prova de tiro, que se realizou após o almoço, possivelmente entre as 12:00 e as 14:00.

Rodrigo Seco explicou que se deixou ficar deitado de olhos fechados, tendo ao seu lado outros dois camaradas que também se sentiram mal, mas que, quando abriu os olhos, viu o sargento Rodrigues “de cócoras” e à frente da cara de Hugo Abreu a dizer: “cospe lá agora, cospe lá agora”, sem conseguir precisar o que é que este instrutor fez.

Assim que o sargento se afastou, Hugo Abreu começou como se estivesse a “engasgar e com falta de ar”, descreveu o instruendo, e que, de seguida, o enfermeiro se dirigiu a Hugo Abreu e lhe atirou água para a zona da boca, parecendo que o estava a limpar.

Rodrigo Seco disse ao coletivo de juízes apenas ter visto terra “à volta da boca” de Hugo Abreu e não no interior da mesma.

Quando quatro recrutas do grupo de graduados se preparava para embarcar numa viatura militar, Hugo Abreu, que seguia pelo próprio pé, caiu no solo “e já não se mexeu mais”, referiu este instruendo, afirmando que o sargento Rodrigues assistiu ao momento da queda.

De seguida, Hugo Abreu foi colocado no interior da viatura pelos restantes camaradas, onde já estavam outros quatro elementos deste grupo de dez recrutas. Nesse momento faltavam dois instruendos, que a testemunha disse não saber onde estavam.

Rodrigo Seco relatou depois que na viagem, Hugo Abreu, que estava deitado e tinha a cabeça amparada nas pernas de um dos recrutas, “começou a revirar os olhos” e não reagia. Um dos instruendos teve de colocar os dedos na boca de Hugo Abreu para que este “não enrolasse a língua” e que a boca foi mantida aberta com uma tampa de cantil, contou Rodrigo Seco.

Durante o percurso da carreira de tiro até à área das tendas, a viatura parou e o primeiro sargento Ricardo Rodrigues veio para junto dos recrutas, mas “não ajudou em nada”, segundo a testemunha, mesmo quando outro recruta que ia na viatura também caiu.

À chegada, os dois recrutas que estavam mal, incluindo Hugo Abreu, foram retirados pelos restantes camaradas e colocados no solo, ainda com os olhos fechados. De seguida, os três recrutas, um dos quais Rodrigo Seco, dirigiram-se para a área das tendas.

“Foi a última vez que vi o Hugo Abreu”, declarou Rodrigo Seco em tribunal.

O óbito de Hugo Abreu viria a ser declarado na tenda médica do Campo de Tiro de Alcochete às 21:45 desse dia.

No final da sessão, o procurador do Ministério Público (MP), José Nisa, dirigiu-se à testemunha e disse que caso se sentisse ameaçado, para se dirigir ao MP para se tratar da sua segurança, o que levou a manifestações de desagrado por parte de alguns advogados dos arguidos.

A próxima sessão está agendada para 25 de outubro, na qual vão ser ouvidos os pais de Hugo Abreu e vai prosseguir a inquirição deste instruendo do 127.º curso de Comandos.

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Ponte de Lima

Pais de Dylan da Silva contam agressões relatadas pelo filho antes do curso de Comandos

Recruta natural de Ponte de Lima.

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Foto: DR / Arquivo

Os pais de Dylan da Silva, natural de Ponte de Lima e um dos recrutas que morreu no curso de Comandos, disseram hoje em tribunal que o filho lhes relatou agressões cometidas por instrutores durante a fase de preparação/estágio, que antecedeu a ‘Prova Zero’.

Dylan da Silva e Hugo Abreu, à data dos factos ambos com 20 anos, morreram e outros nove instruendos sofreram lesões graves e tiveram de ser internados durante a denominada ‘Prova Zero’ (primeira prova do curso de Comandos) do 127.º curso de Comandos, que decorreu na região de Alcochete, distrito de Setúbal, a 04 de setembro de 2016.

Hoje, perante o coletivo de juízes, que está a julgar 19 militares do Exército, todos do Regimento de Comandos, Vítor Silva e Lucinda Araújo relataram que o filho único de ambos partilhou com eles vários episódios de agressões, ocorridos ainda no decurso da fase de preparação/estágio, que durou algumas semanas e que antecedeu a ‘Prova Zero’.

Os também assistentes no processo contaram que o filho chegou um dia a casa com um “olho negro” porque o “instrutor Rodrigues (arguido) lhe deu dois murros”, pois “não estava a posicionar bem a arma”, e que a mesma lhe viria a atingir o olho, fruto do impacto dos murros.

Outro dos episódios descritos aconteceu quando Dylan da Silva, natural de Ponte de Lima, distrito de Viana do Castelo, chegou num fim de semana a casa e disse estar com dores no maxilar porque “o mesmo instrutor lhe tinha batido”.

Numa outra ocasião anterior, o recruta Dylan da Silva apareceu em casa de muletas e com o pé inchado, porque não podia andar, em resultado de uma entorse. O pai do recruta disse que foi com ele ao hospital, uma vez que no “Exército não fizeram nada nem lhe trataram do pé”. No hospital deram-lhe um pé elástico e pediram para que colocasse gelo no pé.

Os pais do jovem contaram ainda ao tribunal que quando foram ao Hospital do Barreiro, o filho já estava em coma e com falência multiorgânica, apresentando vários cortes no corpo, com zonas esfoladas e com partes dos braços e das pernas negras.

Vítor Silva referiu que um médico lhe disse para “tirar fotografias” ao corpo do filho, pois aquela “não era uma situação normal” e “que nunca vira ninguém naquele estado”.

Lucinda Araújo, que à semelhança do que tem acontecido sempre que comparece no tribunal, trazia vestida uma camisola preta na qual está estampada uma foto do filho com ela, revelou que, até hoje, “nunca houve um contacto nem nenhuma explicação” de alguém do Exército.

O único contacto, acrescentou, deu-se através de uma psicóloga indicada por este ramo das Forças Armadas que a seguiu aquando da morte do filho e durante algum tempo depois.

A mãe de Dylan da Silva afirmou ao coletivo de juízes que discordava da opção do filho de ingressar nos Comandos, mas que sempre respeitou a sua escolha, acrescentando que o filho queria conquistar a boina dos Comandos e ser “o orgulho” da família. Nesse momento, o pai, que já tinha prestado declarações, abandonou a sala a chorar.

Dylan da Silva viria a morrer cerca de uma semana após o internamento, no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, para onde foi transferido do Hospital do Barreiro, quando aguardava transplante de fígado.

Os pais de Dylan da Silva pedem 400.000 euros de indemnização ao Estado e aos arguidos.

O julgamento dos 19 militares do Exército, acusados de vários crimes relacionados com a morte dos dois recrutas no curso de Comandos prossegue durante a tarde de hoje com a inquirição de um dos militares que sofreu lesões durante o 127.º curso de Comandos, o qual se constituiu também assistente no processo, reclamando 40.000 euros ao Estado e aos arguidos.

Em junho do ano passado, o Ministério Público deduziu acusação contra os 19 militares do Exército, todos do Regimento de Comandos, considerando que os mesmos atuaram com “manifesto desprezo pelas consequências gravosas que provocaram” nos ofendidos.

Os oito oficiais, oito sargentos e três praças, todos militares do Exército do Regimento de Comandos, a maioria instrutores, estão acusados, ao todo, de 539 crimes de abuso de autoridade por ofensa à integridade física.

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