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Verdades e mitos urbanos em pandemia: Os cães ladram, mas a caravana passa

Por Vânia Mesquita Machado

em

Artigo de Vânia Mesquita Machado

Humanista. Mãe de 3. De Braga. Pediatra no Trofa Saúde – Braga Centro.


Já estamos todos fartos da pandemia.

– NÃO ACREDITO que alguém goste de usar máscara para trabalhar ou ir às compras,
porque realmente não é agradável.

– NÃO ACREDITO que os pais gostem que os seus filhos vão para a escola carregados com mochilas pesadas e sobrecarregados com máscaras, desinfetantes, circuitos e regras preventivas.

-NÃO ACREDITO que alguém suspeito ou infetado por Covid, goste de ficar isolado em quarentena.

– NÃO ACREDITO que alguém goste de se privar de todas as atividades humanas que envolvam contato próximo com muitas pessoas, excetuando quem é antissocial.

– Mas aquilo que me CUSTA MESMO ACREDITAR,
é que possam existir seres humanos que utilizem a palavra “verdade” para impingirem a outros seres humanos mentiras muito apelativas porque são o que todos querem ouvir.

Nem se trata de vender banha da cobra, porque estes defensores da “verdade”, não são vendedores.

– São um conjunto de pessoas, talvez cegas pelo cansaço por terem vivido vários meses em pandemia.
E sendo a ameaça um vírus invisível,mais facilmente se iludiram com a sua “verdade”, inventando um conjunto de MITOS URBANOS
bastante atrativos.

Infelizmente estão a confundir pessoas exaustas, com as suas “verdades”;
o cansaço acumulado
pode toldar a lucidez.

-O vírus Covid não é “INEXISTENTE”,
mas detetável em testes de laboratório, e até se espalhou pelo MUNDO TODO, pandemicamente. Esta é a verdade.

– É INVISÍVEL, sim.
Como são os nossos pensamentos e as nossas emoções.

– Não é INOFENSIVO.
Existem pessoas internadas com Covid nos Cuidados intensivos, e outras que infelizmente morreram.

Mas como dizem os defensores da “verdade”,
são poucas pessoas internadas (serão?),
e baixa a mortalidade.
(não foram com certeza os SEUS pais ou os seus avós, por isso não interessam, são só  NÚMEROS).

É verdade que os mais novos têm doenças ligeiras, sim.
E os mais velhos, e os grupos de risco?
Não são também PESSOAS, com direitos?

– Os defensores da “verdade” queixam-se de falta de liberdade, pelo uso de máscara.
A liberdade é sinónimo de IRRESPONSABILIDADE SOCIAL?

– Mas todos nós, que somos a MAIORIA, podemos ignorar estes mitos urbanos da pandemia.

Os  cães podem ladrar e a caravana passar…
…Cão que ladra nem morde.

– DESUMANO, é tentar enganar as pessoas com as mentiras apelativas, que todos querem ouvir.

– O pior cego, é o que não quer ver.
Mais vale usar as máscaras,
mesmo que incomodem, mas que impedem a propagação da infeção por Covid,
do que ter VENDAS nos olhos e fingir que a realidade é outra, diferente da atual:
existem pessoas vulneráveis, gravemente doentes, as quais podemos proteger.

A caravana tem de passar,
para conseguirmos ULTRAPASSAR um capítulo difícil da história da Humanidade: a pandemia por Covid.

– Estes defensores da “verdade”,
são na verdade pessoas que estão fartas de sacrifícios.
Cansadas de um “novo normal” que não é normal.

E nisso têm razão, mas ninguém é culpado, muito menos quem se ESFORÇA para que tudo volte ao normal.

– As máscaras não são prejudiciais :
isto é uma MENTIRA completamente absurda.

– Estes defensores da “verdade”,
utilizam outros argumentos ardilosamente,
para nos convencerem que têm razão,
como o aumento da prevalência de doenças não Covid por diagnosticar ou por tratar.

É realmente VERDADE que os profissionais de saúde não têm mãos a medir para conseguir acudir a TODAS as doenças,
as Covid e as não Covid.

Mas é MENTIRA que não as considerem todas como merecedoras de atenção.

– Não foram os profissionais de saúde que inventaram a pandemia.
A maioria dos profissionais de saúde estão exaustos.
Esta é a verdade.

Faltam RECURSOS HUMANOS.

– NÃO, os Médicos de Família
não estão de perna cruzada a atender telefonemas.
Correm sim sérios riscos de não aguentarem a pressão com o excesso de trabalho e a falta de descanso.
Esta é a verdade.

– NÃO, os hospitais não estão vazios.
Até se estão a montar hospitais de campanha.
Esta, é a verdade.

Esqueçam os cães.
Deixem que a caravana siga o seu rumo,
apesar do caminho ser difícil.

Os verdadeiros profissionais de saúde,
CUIDAM dos seus doentes o melhor que sabem,
de acordo com as evidências científicas.
Esta, é a verdade.

Por muito que todos estejam fartos da pandemia,
não estão mais fartos que nós, profissionais de saúde.

– ACREDITEM que estamos cheios de vontade de podermos deixar de usar máscaras.
(exceto onde terão de ser sempre usadas, como no bloco operatório, existem outros micróbios que no caso de cirurgias não convém infetarem os doentes a operar, verdade?)

-ACREDITEM que estamos cheios de vontade que o Covid seja englobado no grupo das viroses que dão só “constipações ou gripezinhas”.

Mas neste momento esta NÃO é a verdade, ainda.
Em NENHUM PAÍS do mundo.

E vai DEMORAR MAIS a ser,
se nos iludirmos com os cães que ladram.

Vamos tapar os ouvidos e cumprir o nosso PAPEL:
– cada um tem o seu, na LUTA CONTRA A PANDEMIA:
Prevenção e tratamento.

A CARAVANA VAI PASSAR,
rumo ao regresso à normalidade, o mundo humano dos afetos entre todos (e não apenas nas nossas “bolhas”),
do qual todos temos muitas saudades.

Com a ajuda da MAIORIA de nós,
surdos aos mitos urbanos, inventados por quem tem os olhos vendados.

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O meu Pediatra, e o de tantos bracarenses

Por Vânia Mesquita Machado

em

Artigo de Vânia Mesquita Machado

Humanista. Mãe de 3. De Braga. Pediatra no Trofa Saúde – Braga Centro.

Foi o meu Pediatra.

Tinha uma voz grave, mas calma e meiga ao mesmo tempo, assim a ouvia eu quando ainda era menina.

Ralhava muitas vezes aos Pais mas tratava-lhes sempre dos Filhos atentamente, cuidando deles com o carinho vindo da alma, ao qual acrescentava o que a Medicina lhe ia ensinando, saber zelosamente acumulado em muitos anos de experiência, de quem gostava genuinamente do que fazia.

O meu Pediatra tinha os cabelos brancos desde que me lembro, e um sorriso que sabia falar com as crianças.

Ia visitá-lo frequentemente, por causa dos bichinhos da garganta ficava muitas vezes doente.
O consultório tinha uma mesa muito grande, talvez não fosse, seria eu um nico de gente e tinha o receio normal de quem é criança pequena, o estetoscópio estava frio, arrepiava-me o peito, eu fechava a boca mal via o pauzinho, mas depois de tudo feito até sabia a pauzinho de gelado.
Passado uns dias já estava melhor, tinha passado a doença, voltava a energia, e com ela a alegria para a brincadeira pelo recreio.

O meu Pediatra não soube a verdade, nem souberam os meus pais, mas a maior fita que fiz na consulta foi por uns dias antes ter engolido sem querer uma peça de um brinquedo.
Fiquei com medo que quando o doutor me abrisse a boca descobrisse a minha asneira, visse lá no fundo da garganta a peça do brinquedo e, claro, eu teria o meu castigo.

O meu Pediatra também não soube de nada, mas fiquei mesmo muito desiludida quando diagnosticou o sarampo à minha irmã mais nova, pintalgada e a arder em febre, logo na véspera do dia da partida para o Algarve. A minha irmã ficou boa depressa, mas as férias foram por um canudo.

O meu Pediatra também não soube como fiquei aliviada por não ter precisado de ser operada à garganta, apesar de não ter gostado nada das injeções de penicilina, mas tinha que ser, era para o meu bem, e com as picas indesejadas tinha-me sido receitada muita praia também, e que melhor remédio do que brincar ao fim da tarde nas pocinhas à beira-mar.

Crescida, deixei de precisar de ir ao meu Pediatra.
Continuava a ouvir falar dele por ser amigo do meu Pai, e decidida a ser Pediatra eu também, admirava secretamente a sua forma de tratar das crianças, já reformado e ainda tão dedicado aos seus meninos, tantos sorrisos trocados com os Pais ao longo de gerações, tantos corações sarados pela felicidade dos Filhos curados.

Quando comecei a estagiar no velhinho Hospital onde o meu Pediatra tinha sido médico também, e que, mesmo aposentado, ainda visitava quase todos os dias ao fim da manhã, lembro-me bem do dia em que lhe fui apresentada na enfermaria do Serviço de Pediatria.
Não se lembrava de mim, já não era criança, vestia agora eu a bata branca.
Mas lembrava-me eu muito bem e o meu coração disparava, enquanto ele olhava para mim e me dizia em jeito de brincadeira:

“És a filha do Lino? Mais uma aprendiz de feiticeira!”.

Vinte anos depois desse dia, recordo com ternura essa e as outras memórias do meu Pediatra, que foi também o Pediatra de tantos bracarenses.

Agora que partiu para sempre de viagem pelo infinito do céu estrelado, presto-lhe a minha simples homenagem com palavras escritas, apenas mais uma entre tantas outras, merecidamente.
Porque quando um ser humano é verdadeiramente bom é, e será lembrado por muita gente.

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CUIDAR (de nós), em pandemia

Por Vânia Mesquita Machado

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Foto: DR

Artigo de Vânia Mesquita Machado

Humanista. Mãe de 3. De Braga. Pediatra no Trofa Saúde – Braga Centro.

CUIDAR
(verbo transitivo); significado:
Tratar de alguém, garantindo o seu bem estar; tomar conta de;
dedicar esforço e tempo com determinado objetivo; pensar, ponderar ( Infopedia.pt)

CUIDAR, significado, em pandemia:

– CUIDAM DE NÓS todos os profissionais de saúde, que tentam travar um vírus há meses a fio.

Um microorganismo invisível, supostamente um ser vivo não inteligente, mas que continua a persistir e a parasitar as nossas vidas, porque usa da melhor forma possível as armas que lhe oferecemos, ao descuidarmos a nossa proteção.

Aumentou exponencialmente a capacidade de infetar, e tornou-se menos letal – sem deixar de matar – para poder continuar a parasitar hospedeiros humanos, supostamente inteligentes.

Sim, somos inteligentes, sem dúvida.

Pela nossa inteligência, a Ciência avançou vertiginosamente num inédito contrarrelógio, na temida e bizarra competição pela sobrevivência entre um vírus e o Homem.

Conhecem-se formas de tratar a infeção grave, e de evitar propagação. A vacina estará prestes a chegar.

Existe esperança, mas um caminho duro a percorrer.

Seremos bem mais inteligentes colocando de lado guerrilhas de opinião, e interesses políticos, em prol do fim da pandemia.

Para que os profissionais de saúde que cuidam de nós o possam continuar a fazer, na iminência de de um colapso
logístico e de meios humanos.

– CUIDAM DE NÓS também os que têm poder decisor.

(Mesmo que para muitos possa não parecer)

É fácil ser comentador de bancada.

Atualmente, e por muito que não nos agradem as medidas X ou Y, mesmo discordando ideologicamente, ou considerando que muitas das medidas tomadas são tardias ou não totalmente adequadas, o interesse individual de egos, a necessidade humana de ter razão, deve ser posta de lado, em prol do fim da pandemia.

É uma guerra desleal, a que enfrentamos.

A enorme imprevisibilidade não permite a acertar em cheio no melhor caminho. Mas é preciso seguirmos um caminho, todos juntos.

Está em jogo não só o Sistema de Saúde, mas a capacidade de pôr pão na mesa de uma enorme fatia da população portuguesa.

Esta é a amarga realidade que se avizinha a passo largo, se não nos unirmos agora.

Mesmo que as medidas sejam injustas para alguns. Independentemente das medidas com as quais possamos discordar, tenta-se que não se regresse ao confinamento total, o qual terá consequências imensuráveis.

Remar no mesmo sentido é mais eficaz do que ficar parado a discutir argumentos, quando o tempo é demasiado escasso para perder e demasiado valioso para minimizar danos.

Um pacote ideal de medidas, ajustado a todos e prevendo todas as circunstâncias possíveis, não existe.

Parafraseando o meu colega Gustavo Carona, “o cobertor é demasiado curto”.

– E todos nós, CUIDAMOS DE NÓS.
Ao cumprirmos o nosso papel na sociedade, cada um no seu lugar.
Ajudando o outro, sempre que possível.
Sendo responsáveis com os cuidados de prevenção, jogando pelo seguro e evitando contactos próximos desnecessários, estando atentos a sinais de doença e agindo, se estes surgirem em nós mesmos, ou nos nossos familiares, colegas e amigos da nossa bolha.

– CUIDAREMOS DE NÓS, se não desistirmos.
Por muito que o desgaste nos pese nos ombros, meses de máscaras e desinfetantes, meses de ansiedade perante a possibilidade dos que mais gostamos serem infetados e sofrerem com a forma grave da doença por covid, ou até não sobreviverem.

– CUIDAREMOS DE NÓS, se para além de nos protegermos da infeção com as medidas de prevenção,
reforçarmos ativamente o nosso sistema imunitário.

Com uma alimentação saudável e noites bem dormidas, zelando assim da saúde física na globalidade.

Mas também protegendo a nossa saúde mental, a mostrar sinais de debilidade, perante uma ameaça que não se vai embora.

O medo ajuda, se nos protege do perigo.
Mas o medo constante é paralisador e corrói-nos, psicologicamente.
A frustração fragiliza-nos, psicologicamente.
A falta de sorrisos e de coisas boas,
torna-nos vulneráveis, psicologicamente.

Estarmos permanentemente com um botão de alarme ligado, terá como consequência um curto-circuito na nossa lucidez e capacidade de discernimento.
Deixamos de pensar claramente…
E debilitamos ainda mais o nosso sistema imunitário.

CUIDAREMOS DE NÓS também, se pararmos, e olharmos por nós.

Se desligarmos um pouco da palavra pandemia, quando nos asfixia de forma neurótica e obsessiva.

Se em vez de ouvirmos notícias e estarmos constantemente online , dedicarmos tempo a outras coisas.
Como mimar os quem gostam de nós, abraçar e dar atenção aos que pertencem ao nosso círculo, e na impossibilidade de outros afetos próximos, com as pessoas que nos fazem falta, fazê-lo à distância, com um telefonema acolhedor, que ajuda a tranquilizar e reforçar laços, com palavras de ânimo e energia positiva.

Se respirarmos ar puro ( mesmo privilegiando estar em casa, a saída para caminhar com os devidos cuidados, ajuda a arejar as ideias), e se disfrutarmos de pequenos prazeres.

Aquilo que cada um de nós sabe que lhe faz bem e lhe recarrega as baterias.

Porque a pandemia está instalada, sim.

Mas não podemos desistir.

Existe esperança, e soletra-se por outras palavras:

-Resiliência.
-Solidariedade
– Ânimo.

A pandemia é uma longa maratona entre um vírus matreiro e toda a Humanidade.

Seremos incapazes de unirmos esforços ou seremos capazes de pôr de lado as nossas diferenças, para CUIDARMOS DE TODOS NÓS?

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Papa Francisco – Um passo gigante para o futuro da igualdade

Por Liliana Matos Pereira

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ARTIGO DE LILIANA MATOS PEREIRA

Presidente Concelhia das Mulheres Socialistas – Igualdade e Direitos de Braga. Vereadora na Câmara Municipal de Braga.

Um passo gigante para o futuro da igualdade! Foi assim que reagi quando li as mais recentes declarações do Papa Francisco.

Francisco – nascido Jorge Mário Bergoglio – foi desde a primeira hora um Papa humano, próximo e consciente dos desafios da Igreja.

A maioria de nós – arriscaria até a dizer todos nós – percebemos que a Igreja se afastou das pessoas. Afastou-se dos divorciados, das famílias monoparentais, dos homossexuais, … o que fez com que nos fôssemos revendo cada vez menos nesta Igreja.  Uma Igreja que ainda não aceita o sacerdócio feminino, nem aceita o casamento dos seus Padres e que continua a fazer tabu de temas como a contraceção, pedofilia, aborto, entre outros.

O Papa Francisco é uma lufada de ar fresco e em muito tem contribuído para uma mudança da imagem da Igreja. E tem sido fundamental na luta pela igualdade.

Sobre o aborto, mesmo defendendo tratar-se de um pecado grave, autorizou todos os sacerdotes a absolver mulheres que tenham praticado o aborto e incentivou, também, o perdão a quem confesse o uso de contraceção artificial. Francisco surpreendeu também a sua comunidade ao abrir a discussão sobre a possibilidade de comunhão por divorciados, defendendo que estes devem ser acolhidos e não excomungados.

A sua maior marca será talvez a sua posição sobre os abusos sexuais cometidos no seio da Igreja. Francisco afirmou sentir-se profundamente envergonhado com estes atos e terminou com o segredo pontifício sobre abusos cometidos por membros do clero e com a ocultação destes crimes. Um caminho gigante na proteção destes menores e destas crianças vulneráveis.

“Não existe mãe solteira, mãe não é estado civil!” disse, enquanto defendeu o batismo dos filhos de mães solteiras. Palavras simples, mas de uma bondade extrema.

Apesar de defender um papel mais interventivo das mulheres na Igreja, mesmo que ainda não defenda a abertura do sacerdócio ao sexo feminino enalteceu o papel do feminismo e das mulheres na sociedade pois estas “nos transmitem a capacidade de olhar além, de sentir as coisas com o coração mais criativo, mais paciente e mais tenro”.

E mais recentemente, por estes dias, o Papa Francisco deu mais um passo enorme no seu tempo. Se logo no primeiro meio ano de pontificado tinha surpreendido o mundo com as palavras “se um gay procura Deus, quem sou eu para julgar?”, ao defender que os homossexuais têm o direito de constituir família e que devem ser protegidos pelas leis de união civil, deu um sinal gigante ao mundo católico e enviou uma mensagem de tolerância ao mundo.

Francisco pode não mudar imediatamente o mundo católico, mas será essencial no processo de mudança de mentalidades e as suas ações são um prenúncio de uma mudança profunda na doutrina da Igreja e são marcantes na luta contra a discriminação e na luta pela igualdade.

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