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Ventura diz a empresários e diplomatas que “é melhor” estar entre eles do que com Marcelo

O deputado único apontou que o Chega quer “um novo estado, um estado novo”.

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Foto: Facebook

O deputado único do Chega, André Ventura, disse esta terça-feira, num almoço com empresários e diplomatas no qual foi orador convidado, que “é melhor” estar entre eles do que com o Presidente da República, com quem tem uma audiência.


André Ventura foi o orador convidado de hoje de um almoço do International Club of Portugal, que decorreu num hotel, em Lisboa.

Quando tomou a palavra, o deputado começou por agradecer a receção, apontando que “nem sempre” é “recebido com simpatia” onde vai, e confessou: “é melhor estar aqui convosco do que com o senhor Presidente da República”.

Logo de seguida, dirigiu-se à imprensa presente e justificou que aquelas palavras foram proferidas “sem nenhuma ofensa”.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, inicia hoje uma ronda de audiências com os partidos com assento parlamentar, e o Chega foi recebido às 16:00.

Já no final da iniciativa, questionado pela Lusa sobre o assunto, André Ventura justificou que gosta mais “de estar junto dos cidadãos, junto dos possíveis eleitores do que com as instituições”.

“Sempre fui assim, nunca fui muito institucionalista, sempre fui mais de fazer política junto das pessoas. É só por isso, não tinha que ver com o senhor Presidente da República com quem vou estar daqui a 20 minutos, não tem nada a ver com o senhor Presidente em particular”, alegou.

Ventura assinalou também que “diria o mesmo se fosse com o primeiro-ministro ou com o presidente da Assembleia da República ou com o presidente da Câmara de Lisboa”.

“Diria o mesmo, é apenas porque a minha forma de fazer política é esta. Onde eu gosto de estar é com as pessoas, junto das pessoas, é só isso”, acrescentou.

Perante a plateia que o ouvia, Ventura afirmou que o Chega é um partido “do cidadão comum”.

Convidado para falar sobre “um novo sistema político para Portugal”, o deputado único eleito pelo círculo de Lisboa defendeu uma “mudança à portuguesa, sem medos”, mas ressalvou que não é “nenhum radical de destruição” do que está instituído desde o 25 de Abril de 1974.

“Este sistema já não nos dá resposta” em temas como a saúde ou transparência e “vai implodir”, advogou, apontando que “ama de tal forma o país” que estaria disposto a “morrer por ele, se fosse preciso”.

Defendendo também que “tem de ser refundado o Estado social”, o deputado único apontou que o Chega quer “um novo estado, um estado novo”.

Apercebendo-se da coincidência com o nome do regime liderado por Salazar, Ventura corrigiu que defende um estado novo, “mas noutro sentido”.

Perante uma pergunta sobre a alegada alteração ao programa eleitoral do Chega, que teria sido retirado do ‘site’ do partido, André Ventura respondeu que “o programa não foi nada alterado, está a ser posto num novo formato digital”.

Sobre o facto de o IVA das touradas subir para a taxa máxima, medida que consta no Orçamento do Estado para o próximo ano, o deputado único criticou o aumento, mas confessou que não é fã deste espetáculo porque “gosta de animais”.

“Mas não confundo isso com as tradições”, apontou, acrescentando que estará “totalmente contra esta tentativa encapotada de acabar com as touradas”.

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País

“Partidos que querem governar devem deixar OE passar”

Diz Marcelo Rebelo de Sousa

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Marcelo Rebelo de Sousa. Foto: Twitter de António Costa / Arquivo

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse hoje no Algarve que os partidos da oposição que aspiram a liderar o Governo devem garantir a aprovação do Orçamento do Estado (OE), mesmo que a esquerda o reprove.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que “normal em Portugal, desde que houve as eleições, é que haja um governo apoiado pela esquerda”, mas afirmou que, “no caso do orçamento, se não for possível haver esse apoio à esquerda, que é o natural”, a “oposição, sobretudo a oposição que ambiciona liderar o governo, pensará o que eu pensei como líder da oposição na altura” em que o atual chefe de Estado liderou o PSD.

“Para mim, é óbvio que tem de ser viabilizado o OE, não passa pela cabeça que, no momento em que a pandemia pode estar em números muito altos, em que a crise económica e social pode estar agravada, em que é fundamental para recebermos o dinheiro europeu e o utilizarmos bem, neste momento, quando estamos para começar a presidência portuguesa da união europeia, seja chumbado o orçamento”, afirmou o chefe de Estado.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma visita a São Brás de Alportel, onde hoje tem marcado mais um jantar com os autarcas da região, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que, quando presidiu ao PSD, “por menos” viabilizou “três orçamentos do primeiro-ministro António Guterres [PS]”, com o partido social-democrata “sublevado e parte do eleitorado a protestar”.

Questionado sobre se esse era um recado para Rui Rio, o presidente da República respondeu que estava a “dizer aquilo que é de bom senso meridiano” e que significa que “há um limite para aquilo que é próprio da democracia, que é a livre escolha dos partidos e dos políticos”.

“E esse limite é muito simples: estamos perante uma situação grave na economia, grave na crise económica e social, importante para os fundos europeus e quando Portugal vai assumir a presidência da União, é nessa altura que se provoca uma crise política”, questionou.

Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu que ao PSD pode “custar muito viabilizar o orçamento” e “discordar disto ou daquilo”, mas argumentou que “importa aprovar o orçamento”.

Quantos à execução orçamental, o Presidente da República disse que os “números que recebemos hoje em relação ao Orçamento de Estado respeitam a dois terços deste ano, que vão até ao final de agosto”, e há “os efeitos visíveis da crise”, com “queda de receitas e aumento de despesas, nomeadamente sociais”.

O chefe de Estado disse ainda que as previsões “vão desde os 7% do Governo a 9 ou 10% de outras instituições” e” está aberto um leque muito grande de hipótese de défice do orçamento de Estado” e é preciso ver como a pandemia e a crise evoluem para tirar conclusões mais definitivas.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou também que o desemprego aumentou em julho e agosto, somando “mais 100 portugueses aos 100 mil anteriores”, que fazem um total de “200 mil mais do que tínhamos no arranque da pandemia”,

“Sabemos também que depende da gravidade da pandemia e da resposta à crise económica e social haver mais desempregados ou não”, acrescentou, frisando que as “autoridades estão a pensar naquilo que pode ser feito para ajudar os desempregados” e “para que as micro, pequenas, médias e grandes empresas possam desenvolver as suas atividades”, como o “alargamento de linhas de crédito, aumento de duração das moratórias, apoios sociais variados”, exemplificou.

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País

Utilização de testes rápidos ainda sob avaliação do Instituto Ricardo Jorge

Covid-19

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Foto: DR / Arquivo

A utilização de testes rápidos de diagnóstico da covid-19 ainda está sob avaliação do Instituto de Saúde Ricardo Jorge (INSA), revelou hoje Raquel Guiomar, responsável pelo Laboratório Nacional de Referência para o Vírus da Gripe e outros Vírus Respiratórios.

Na conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia em Portugal, Raquel Guiomar reconheceu que estes testes “trazem algumas vantagens para a deteção de casos suspeitos” e que podem permitir uma “rápida implementação de medidas que impeçam as cadeias de transmissão”, mas não transmitiu uma decisão final sobre o tema, depois de a ministra da Saúde, Marta Temido, ter chegado a anunciar para o “final da semana” uma posição.

“Neste momento, estamos a avaliar uma nova geração destes testes rápidos e o grupo de peritos vai reunir-se para fazer a avaliação”, afirmou Raquel Guiomar, notando que os “testes devem ser sempre realizados no contexto do historial do doente”, tanto físico como epidemiológico: “Têm critérios específicos de seleção e utilização. Esta é ainda uma situação que está a ser avaliada pela comissão de avaliação dos testes”.

Contudo, a responsável do INSA vincou que eventuais lacunas dos testes rápidos “serão colmatadas pelo encaminhamento para o método de referência”, sem deixar de destacar a expectativa positiva perante a utilização noutros países europeus e que indiciam “uma boa concordância” com o RT-PCR.

O tema dos testes serviu também para a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, reiterar que a realização de testes devem estender-se a pessoas assintomáticas, caso sejam considerados pelas autoridades de saúde como contactos de alto risco.

“Os contactos de alto risco assintomáticos devem fazer teste, especialmente em contexto de surto. E não é o teste que determina o isolamento profilático destas pessoas; no momento em que uma autoridade de saúde identifica um indivíduo como um contacto de alto risco, determina o isolamento profilático, segue-se um teste e depois o resultado desse teste. Não é o teste nem o resultado que determinam que a pessoa fique em quarentena”, explicou.

Já sobre o período de isolamento profilático, atualmente preconizado em 14 dias em Portugal e que nas últimas semanas registou uma redução para 10 dias em alguns países, Graça Freitas notou que o tema está a ser alvo de análise pelas autoridades de saúde nacionais.

“Estamos a analisar se aos 10 dias é seguro, mas seria com várias condições. Uma pessoa que sair de quarentena ao 10.º ou 11.º dia ainda vai ter de manter o compromisso social de distância e máscara, porque ainda tem uma probabilidade de estar infecciosa. Não é uma medida que possa ser tomada de ânimo leve. Estamos a estudar e são decisões que os países vão tomando de acordo com a sua realidade e capacidade de ter medidas complementares”.

Portugal contabiliza pelo menos 1.936 mortos associados à covid-19 em 72.055 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 984.068 mortos e cerca de 32,3 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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OMS admite que número de mortos por covid-19 pode duplicar no próximo ano

Pandemia

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Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO / Arquivo

A Organização Mundial da Saúde afirmou hoje que não se pode esperar pelo aparecimento de uma vacina para conter a pandemia da covid-19, admitindo que o número de mortos poderá duplicar durante o próximo ano e atingir dois milhões.

Numa conferência de imprensa a partir da sede daquela agência das Nações Unidas, em Genebra, o diretor do programa de emergências sanitárias da OMS, Michael Ryan, foi questionado sobre a possibilidade de o número de mortos, (atualmente próximo de um milhão de pessoas), duplicar no próximo ano e admitiu que “infelizmente, é muito provável”, se não se usarem a ferramentas já conhecidas para conter os contágios.

“É certamente um número inimaginável, mas não é impossível”, referindo que em nove meses de pandemia morreram mais de 984 mil pessoas e que a perspetiva de ter uma vacina, que precisa, primeiro que tudo de ser descoberta e que requer depois “financiamento, distribuição e aceitação” não pode ser o que determina as ações contra a covid-19.

O conselheiro do secretário-geral da OMS, o americano Bruce Aylward, afirmou que “não se pode estar à espera” de uma vacina, indicando que se fizeram progressos desde o aparecimento da doença, nomeadamente na redução da mortalidade.

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Estamos a assistir a uma lenta redução na taxa de letalidade dos casos clínicos. Os médicos estão a utilizar melhor os tratamentos com oxigénio, a medicina intensiva, [medicamentos como] a dexametasona”, referiu Mike Ryan.

“Um milhão é um número terrível e temos que refletir nisso antes de pensarmos num segundo milhão. Há muita coisa que pode ser feita para salvar vidas”, salientou, questionando se a comunidade internacional está “preparada para fazer o que é preciso”.

Vigilância, testagem, rastreio de contactos, gestão de riscos e investimentos em terapias e na investigação de vacinas são algumas dessas ações, enunciou.

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