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Braga

Vendeu apartamentos sem instalar eletricidade em Vila Verde (e os moradores é que têm de se desenrascar)

Moradores arriscam a vida várias vezes por dia para terem alguns minutos de eletricidade

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Fotos: DR

Os moradores dos prédios 23 e 33 da Rua Bom Jesus, no centro de Vila Verde, são obrigados a deslocarem-se diariamente até uma caixa de eletricidade para que possam ter energia elétrica em casa, e mesmo assim está “sempre” a ir abaixo. Atualmente, 37 moradores estão há 5 meses sem energia elétrica fixa.

O motivo, apontam, é que a empresa de construção não construiu qualquer Posto de Transformação e que apenas solicitou essa obra à E-Redes já depois dos primeiro moradores começarem a habitar.

Um dos moradores explica a O MINHO que os contratos promessa desses apartamentos foram vendidos em fevereiro de 2022, quando estavam ainda em construção, tendo a câmara de Vila Verde disponibilizado as licenças em setembro de 2022, período em que os primeiros moradores começaram a ocupar os apartamentos, localizados junto ao quartel de Bombeiros.

Mas faltava a energia elétrica. E a construtora, Ribeiro Silva & Alves, LDA, solicitou aos inquilinos que contactassem a E-Redes para ligação à rede, mas a entidade que fornece energia indicou que faltava um Código de Ponte de Entrega para identificar a instalação elétrica, pelo que não autorizou a ligação, apontando responsabilidade à construtora que “deveria ter construído uma baixada/posto de transformação”, isto segundo o relato dos moradores.

Apesar disto tudo, as licenças de habitação foram emitidas pela Câmara de Vila Verde.

Agora, para remediar a situação, a construtora deixou ficar o contador utilizado na obra, mas o mesmo não tem capacidade de suportar energia para todos os apartamentos, levando a ‘apagões’ de quase 24 horas, “descongelando arcas e frigoríficos e mesmo o elevador está interdito, não sendo possível a sua utilização, por existir o risco de a energia falhar e ficarmos presos dentro do mesmo – o que já aconteceu”, denunciam.

Como esse quadro também está sempre a ir abaixo, os moradores revezam-se através de um grupo de WhatsApp para lá irem ligar, correndo sempre o risco de acidente uma vez que estamos a falar de uma baixada sem proteção e que apenas deve ser operada por técnicos especializados. Os moradores denunciam ainda que até os próprios fusíveis do quadro, quando queimam, são substituídos sem qualquer apoio da construtura.

Em declarações à CNN Portugal, a construtora defende que o atraso de instalação da eletricidade se deve ao facto da E-Redes não ter matéria prima para iniciar a obra. Já a E-Redes justifica a demora com a complexidade da obra, que envolve novo PT e licenciamentos.

Os apartamentos foram vendidos entre 175 mil e 230 mil euros cada.

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