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Braga

Vem aí o regresso da Telescola (que o interior do Minho tão bem conhece)

Covid-19

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Foto: Arquivos da RTP

Depois de vários apelos de forças políticas e académicas, parece que a solução para terminar o terceiro período de aulas para o ensino básico (até ao 9.º ano) será mesmo o regresso ao método das aulas via televisão, a conhecida tele-escola.

Segundo o jornal Público deste sábado, o Ministério da Educação estará já a articular com a RTP a melhor forma de transmitir as aulas para as crianças e jovens do país que, face à pandemia covid-19, vão ter as escolas encerradas durante o terceiro período.

Para além da RTP, vai ser possível usar canais disponíveis na TDT e outras plataformas da TV pública, diz o mesmo jornal.

O ensino secundário não utilizará este recurso, segundo o mesmo jornal, existindo outras medidas que serão anunciadas na próxima semana, sobretudo para os alunos do 11º e 12º ano, face aos exames nacionais já agendados para junho.

Teleescola foi solução para as aldeias do interior minhoto

O último ano lectivo com recurso a método de ensino à distância via televisão ocorreu em 1987, há mais de 30 anos. Segundo os arquivos da RTP, entre 1965 e 1987, milhares de alunos completarem o ensino do quinto e sexto anos de escolaridade por este método.

Todavia, em Vila Verde, na freguesia de Penascais, atual União de Freguesias do Vade, a teleescola manteve-se até à década de 1990, com recurso a vídeos enviados diretamente pelas escolas, e já sem ajuda da televisão nacional.

Em 2018, perto de uma centena de antigos alunos deste método encontraram-se em Vila Verde, para recordar os tempos do ensino à distância, quando as crianças não tinham transportes públicos assegurados para os levar a terminar as aulas nos centros urbanos.

Na altura, as sessões eram acompanhadas por professores que completavam as lições com mais informação. Também existiam livros adaptados às emissões que eram entregues aos estudantes, gratuitamente, nos primeiros dias de aulas.

Dois professores, um da área de Ciências e outro de Letras, acompanhavam as turmas, compostas por alunos impossibilitados de frequentar as aulas noutros locais.

Limitações financeiras e uma rede de transportes deficitária levavam a que muitos estudantes abandonassem a escola ao fim do ensino primário. Esta terá sido a solução encontrada, durante várias décadas, para permitir mais estudos aos alunos do interior.

Segundo os arquivos da RTP, as aulas foram transmitidas durante os dias úteis entre as 14 e as 19 horas,  mas eram “vistas também por outras pessoas que posteriormente se propunham para exame externo de modo a completar graus de ensino”.

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