Declarações após o jogo Arouca – Famalicão (1-2), da 28.ª jornada da I Liga portuguesa de futebol, disputado hoje em Arouca:
– Hugo Oliveira (treinador do Famalicão): “Não só foi a primeira vez que o Famalicão ganhou cá [em Arouca] como foi a primeira vez que pontuou, o que não deixa de ser interessante para nós. Mas vale o que vale, são três pontos, num jogo em que não estivemos ao nosso nível, tenho de admitir.
Tivemos sempre dificuldades com os problemas táticos que o adversário nos colocou, mas é também verdade que a nossa equipa tem um coração muito grande, que sabe estar no jogo mesmo quando este está difícil. Com o decorrer do jogo, fomos conseguindo encontrar os espaços, mas a equipa não esteve ao seu nível.
Pela primeira vez em toda a época, o Arouca mudou a forma como pressionava e tínhamos de ter um pouco de mais paciência a circular a bola. Ao mesmo tempo, tivemos dificuldades na pressão porque o Arouca joga muito por dentro. Com as linhas mais juntas e a substituição ao intervalo, tornámo-nos mais competentes.
Nós acabámos por estar juntos, vestir o fato de macaco quando foi preciso e as equipas grandes dão sinais fortes nestes momentos. Mesmo num dia em que cometemos mais erros individuais do que o normal, saímos com três pontos, que acabam por ser castigadores para o Arouca, temos de ser justos. Mas a vida também já nos tirou pontos com o Nacional e o Casa Pia.
Em relação à expulsão, quero pedir desculpa a todos, porque este não é um comportamento que eu quero que seja norma em mim, não é a minha forma de estar. Não teve a ver com arbitragem, tocaram num jogador nosso e, quando tocam nos meus, temos de estar unidos. Foi uma troca de palavras entre duas equipas técnicas extremamente positivas que têm excelentes relações”.
– Vasco Seabra (treinador do Arouca): ” Eu partilho claramente da opinião do Hugo Oliveira [quando diz que o resultado foi penalizador para o Arouca]. É ingrato chegarmos aqui e ter a noção de que tivemos praticamente 60% da posse de bola, pressionámos quase sempre de forma muito agressiva o Famalicão, que é uma boa equipa, bem treinada e muito difícil de bater.
Nós criámos cinco ou seis oportunidades muito claras. Eu acho que foi o jogo em que tivemos a percentagem de golos esperados mais alta. Acabámos por só fazer um golo no segundo penálti que tivemos e houve muitas oportunidades de golo falhadas. Na primeira parte, penso que foi um jogo de domínio absoluto nosso.
Num erro não forçado, acabámos por conceder uma chance ao Famalicão. A nossa pressão estava muito forte, tínhamos indicadores ligeiramente diferentes dos que tínhamos para os outros jogos. Penso que conseguimos condicionar sempre o jogo, o Famalicão não conseguiu jogar.
Depois, na segunda parte, o Famalicão, a ganhar, como nós também já esperávamos, tentou juntar um pouco mais para impedir a nossa construção. Mesmo assim, acho que nós fomos sempre à procura. Empatámos de forma até tardia no jogo e, depois, sofremos mais um golo de canto, em que é obviamente responsabilidade nossa. Em termos gerais, fizemos um jogo muito capaz, em que levarmos zero pontos do jogo é altamente penalizador.
Eu já tive a oportunidade de pedir desculpa ao árbitro, mas acho que não fiz nada para ser expulso. Também acho que o Hugo Oliveira não fez o suficiente para ser expulso, sinceramente. Foram emoções do jogo, que fazem parte. Eu percebo também o lado do árbitro, porque levantou-se muita gente e foi criado o burburinho. Acho que saíram os treinadores por uma coisa acessória, mas nada contra o árbitro, que teve uma boa prestação hoje”.