Cinco agrupamentos de baldios vão gerir 13.000 hectares de floresta no Minho e Trás-os-Montes com foco na prevenção de incêndios, numa iniciativa da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) com três associações.
O protocolo de constituição dos cinco agrupamentos de baldios vai ser assinado no sábado, em Valença, entre a CAP e as suas três associadas: a Associação de Produtores Florestais do Vale do Minho (Valminho Florestal), a Associação Florestal do Vale do Douro Norte (Aflodounorte) e a Cooperativa Agrícola do Barroso (CoopBarroso).
A CAP disse hoje, em comunicado, que os agrupamentos vão gerir 13.000 hectares de floresta nos concelhos de Alijó, Montalegre, Murça e Sabrosa, no distrito de Vila Real, em Mirandela, distrito de Bragança, e Valença, no distrito de Viana do Castelo.
O objetivo, segundo a confederação, é “assegurar a melhor gestão dos recursos florestais, com foco na prevenção dos incêndios e na valorização das atividades relacionadas com a floresta”.
“A criação destes agrupamentos de baldios, que passam a ser geridos por entidades profissionais e especializadas, que conhecem bem o terreno, é fundamental para garantir uma gestão florestal que, por um lado, promova as melhores práticas e previna fogos florestais e, por outro, promova a valorização da atividade florestal e, assim, combata o despovoamento do Interior”, afirmou, citado em comunicado, Álvaro Mendonça, presidente da CAP.
O responsável acrescentou que a “floresta portuguesa vive, há muito, uma crise estrutural, de que os incêndios de grandes dimensões são a face mais visível”.
“Tal cenário resulta, em grande parte, da estrutura fundiária de uma vastíssima parte das zonas florestais que, associada ao despovoamento do Interior do país e à desvalorização económica dos produtos florestais, deixa uma grande mancha de floresta ao abandono”, referiu ainda.
A criação destes novos agrupamentos acontece no âmbito da segunda geração de contratos-programa apoiada pelo Fundo Ambiental, da qual a CAP é uma das entidades promotoras.
O ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, participará na cerimónia de assinatura do protocolo.
Citando dados do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), a CAP referiu que os baldios (terrenos possuídos e geridos pelas comunidades locais) representam cerca de 6% do território de Portugal continental, num total de 300.000 hectares, maioritariamente localizados nas regiões Norte e Centro (98%), sendo mais de 80% destas áreas ocupadas por floresta, matos e pastagens.