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UMinho só consegue alojar 8% dos alunos deslocados. Novas residências não resolvem o problema

80% dos alunos são de fora de Braga ou Guimarães

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Residência Carlos Loyd, em Braga. Foto: O MINHO

As residências universitárias da Universidade do Minho (UMinho), só conseguem alojar 8% dos estudantes inscritos que estão deslocados da sua área de residência, embora 30% dos alunos da academia minhota sejam bolseiros e 80% venham de foram dos concelhos onde a universidade está sediada. Nos últimos meses, têm sido anunciadas novas residências, em Braga e Guimarães, mas mesmo com a abertura destas unidades, o número de camas ficará muito aquém das necessidades.

A UMinho tem cerca de 21 mil estudantes inscritos, desses, 16 mil são alunos que estão afastados da sua área habitual de residência. Há 5.500 alunos com estatuto de bolseiros, sendo 4.811 bolseiros deslocados, 3.559 em Braga e 1.487 em Guimarães. 

O Programa de Alojamento Estudantil (PAE) destina-se, prioritariamente a estes estudantes bolseiros e deslocados. Nas quatro residências de que os Serviços de Ação Social da UMinho atualmente dispõem – Loyd e Santa Tecla, em Braga, Azurém e Combatentes, em Guimarães –, há um total de 1293 camas, 811 em Braga e 482 em Guimarães. No total, há menos 3.518 camas que o número de estudantes deslocados com bolsa. Em Braga faltam 2.748 camas para alojar todos os estudantes bolseiros que estão afastados do domicílio familiar e, em Guimarães, 770.

Para alojar todos os deslocados faltam quase 15 mil camas

Todavia, na opinião de Duarte Lopes, presidente da Associação de Estudantes da Universidade do Minho (AAUM), “devemos caminhar no sentido de aproximar a oferta ao número de estudantes deslocados”. Se tomarmos esta premissa como referência, então seriam precisas mais 14.707 camas. 

Na verdade, a lista de espera nas residências da UMinho não ultrapassa os 200 estudantes, porque, como explica Duarte Lopes, muitos nem concorrem porque chegam com o ano letivo já em andamento, já sabem que não têm vaga ou, não sendo bolseiros, sabem à partida que não têm hipótese. 

Novas residências não chegam

Perante o que foi anunciado, em Braga nascerá uma nova residência universitária, nas instalações da antiga fábrica de sabões Confiança. O projeto, candidato ao PRR, resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal de Braga e a UMinho e prevê a criação de um novo edifício nas traseiras da fábrica com capacidade para mais de 750 camas. As instalações da fábrica serão reabilitadas para dar apoio ao funcionamento da residência com zonas de lazer, trabalho, restaurantes, ginásio e spa. O orçamento previsto ronda os 19 milhões de euros.

Em Guimarães, outro projeto em que o Município e a UMinho enum esforços, também inserido no PRR, vai transformar a antiga Escola de Santa Luzia numa residência com 350 camas, num investimento que deverá andar próximo dos seis milhões de euros.

Num e no outro caso, a crescimento da oferta previsto está longe de preencher as necessidades. Entretanto, os alunos têm que se virar para a oferta privada, com o preço médio dos quartos a rondar os 250 euros mensais. Para os estudantes bolseiros que se candidatam ao alojamento nas residências universitárias e não encontram vaga, o Regulamento de Atribuição de Bolsas prevê um suplemento de alojamento. Para terem acesso, os alunos precisam fazer o requerimento e apresentar comprovativos do valor do encargo com o alojamento, até ao limite de 50% do Indexante de Apoios Sociais, ou seja, 219,4 euros.

Em Guimarães há falta de oferta no privado

Até há alguns anos atrás, o alojamento era mais barato em Braga que em Guimarães, isso fazia com que muitos estudantes de Guimarães usassem a linha de autocarros, da AAUM, entre os dois campus, para residir em Braga. Nos últimos anos, os preços do alojamento nas duas cidades nivelaram, embora Duarte Lopes reconheça que “em Guimarães o problema é mais acentuado”, entre outras razões, “porque existe menos oferta privada”.

O panorama nacional

A nível nacional, há cerca de 175 mil estudantes deslocados para uma oferta total, em residências universitárias, de 15 mil camas. São 11 estudantes para cada cama e, se nada fosse feito, no ano letivo de 2025/26, o rácio atingiria os 15 estudantes por cama.

O Governo anunciou, em fevereiro passado, que vai investir 375 milhões de euros, até 2026, ao abrigo do PRR, para aumentar em 15 mil o número de camas disponíveis para alojamento estudantil. Se esta duplicação da oferta de camas acontecer o rácio deverá passar para oito alunos por cama.

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