Redes Sociais

Uma nação conformada e anestesiada

Colunistas

Uma nação conformada e anestesiada

Portugal tem tanto de maravilhoso como de duvidoso.

Se em relação à primeira característica nada podemos felizmente fazer, já em relação à segunda de tudo infelizmente parece que fazemos para a não anular em definitivo.

Somos inovadores em funções elementares e outras até mais complexas e não conseguimos inovar numa função essencial – a função justiça – um pilar absolutamente fundamental para o desenvolvimento de qualquer estado de direito.

Portugal vive debaixo de um manto de proteccionismo ao crime económico.

Somos um Povo passivo e inerte em relação a roubos permanentes da coisa pública – de todos nós, paga pelos impostos dos que os pagam – e esperamos sempre por milagres caídos do céu para resolver um problema com séculos.

Não será concerteza com um super juiz (ou até com dez dessa fibra) que o problema se resolve!

Precisamos que o País se mobilize em dois sentidos:

1. Uma reforma que simplifique o exercício do direito e não favoreça a máquina que intoxica a administração da justiça (onde cabem todas as categorias de agentes que nela participam, uns francamente muito bons e outros claramente mediocres);

2. Uma vacina coletiva que aditive os sentidos para que a sociedade civil saiba filtrar e isolar todos os casos de corrupção que diariamente detecta e que destroem o (já pequeno) valor que o País cria. Esta vacina tem que começar a ser injetada nos infantários, nas escolas e nas universidades. Precisamos de muitos anos para isto, gostemos ou não, para resolver de forma estrutural este grave problema de atitude coletiva. Mas algum dia temos que começar!

A corrupção em Portugal (e seguramente em todo o nundo) é um fenómeno que anestesia a sociedade e a consome. Sem que esta se dê conta, este terrível vírus toma conta de todo o corpo através de uma invisível rede tentacular, silenciosa e esfomeada.

Sem uma justiça que actue rápida e eficazmente é impossível educar as futuras gerações numa cultura de rigor, verdade e honestidade.

Um Povo para ser sério não pode pactuar com este estado de anestesia da justiça. Um Povo para ser sério tem que exigir, tem que questionar, tem que sair da zona de conforto e tem que se chatear por muito que custe.

É essa reforma que Portugal precisa para se desenvolver definitivamente como nação civilizada, democrática e economicamente sustentável.

Aquela vacina chamada de austeridade que nos injetaram há uns anos parece não funcionar. Depois de se resolver o problema da corrupção, certamente não precisaremos jamais de austeridade.

Eu gostava um dia de poder contar uma história bonita aos meus Filhos. A história de um Povo que se descobriu a si próprio e matou um vírus que o estava a destruir aos bocados.

Clique para comentar

Comentar

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Mais Colunistas