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Braga

Uma manhã na ala covid do Hospital de Braga

Mais de 1.500 infetados já passaram pelo maior hospital do Minho e o segundo do norte

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Foto: O MINHO

O MINHO passou a manhã desta sexta-feira na Ala Covid-19, do Hospital de Braga, que tem vindo a controlar (mesmo que no limite) os picos mais altos da pandemia mundial. Nos últimos dias, passou a receber doentes de outras unidades do Serviço Nacional de Saúde, cinco vindos de Lisboa em estado crítico, dois deles já com alta.

Ao longo de quase um ano, passaram mais de 1.500 infetados pelo maior hospital do Minho, com universo de um milhão e 200 mil utentes, o segundo maior do Norte.

Esta sexta-feira-feira, o Hospital de Braga tinha 104 internados com a doença – 33 em Cuidados Intensivos e 71 em Enfermarias. Muito menos que as cifras que chegou a ter há poucas semanas – quase centena e meia de pacientes infetados.

Foto: O MINHO

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Foto: O MINHO

Apesar das dificuldades, o empenho e a postura proativa das suas equipas médicas, de enfermagem e de auxiliares, onde “o céu é o limite”, segundo se ouvia nos corredores, é o que prevalece.

“Reduzimos os doentes covid-19”

O diretor do Serviço de Urgência do Hospital Central de Braga, Jorge Teixeira, disse a O MINHO que “mesmo quando as coisas estiveram muito más, conseguimos dar a volta à situação, com o apoio de outros hospitais, inclusivamente os do setor privado e do social”.

Jorge Teixeira, diretor do Serviço de Urgência do Hospital de Braga. Foto: O MINHO

“Nos últimos tempos tem reduzido o número de doentes com covid-19, quer os positivos, quer os que se encontram com suspeitas de doenças respiratórias, eram mais de 300, em que cerca de um terço eram covid, mas reduziam”, afirmou.

Jorge Teixeira assegura que “baixou o afluxo de doentes, no Serviço de Urgência, tanto os graves como os não graves, sendo que continuam a vir doentes que não deveriam vir, enquanto não vêm tantos como deveriam vir, que são os doentes graves, e isso preocupa”.

De 35 para 100 enfermeiros num só ano

Isabel Souto Silva, que é a enfermeira-chefe da Unidade de Cuidados Intensivos da Ala Covid-19, manifestou a O MINHO a esperança que “as coisas lá para o verão já devem estar mais estabilizadas depois destes esforços diários, em que estamos constantemente a adaptar-nos às necessárias mudanças e nós diariamente damos tudo para que nada falhe”.

Isabel Souto Silva, enfermeira-chefe da Unidade de Cuidados Intensivos Covid-19. Foto: O MINHO

Aquela responsável referiu que “a princípio, quando tudo isto começou, éramos 35 enfermeiros e onze auxiliares, mas hoje em dia já temos 100 enfermeiros e 26 auxiliares, a par de muitos médicos, passando ainda de 12 camas iniciais para as atuais 44 camas em exclusivo a doentes de cuidados intensivos”.

Foi necessário reorganizar tudo e todos

A médica infeciologista Ana Cláudia Carvalho, que apanhou o início da fase pandémica, em Braga, logo que surgiu o primeiro grande surto de contaminações, o de Vila Verde, já respira um pouco de alívio, mas alerta “ser necessário estar sempre em cima das coisas”.

Ana Cláudia Carvalho, médica infeciologista do Hospital de Braga. Foto: O MINHO

“Nós já passamos aqui momentos muito difíceis, o que nos permitiu preparar e antecipar esta terceira vaga, pois anteriormente chegamos a ter cerca de 20 internamentos por dia, o que tornava as coisas mais difíceis”, disse, garantindo “ter havido necessidade para reorganização de espaços e de pessoas, com equipas multidisciplinares”.

Adaptação a novos métodos e aparelhos

A jovem enfermeira Alexandra Silva, da chamada Unidade Intermédia da Ala Covid-19, destacou a O MINHO “a rapidez com que nos tivemos de adaptar a novos métodos e a novos aparelhos, com a formação rápida, muitas vezes a chamada formação de corredor”.

Alexandra Silva, enfermeira na Unidade de Cuidados Intermédios da Ala Covid-19. Foto: O MINHO

“É muito difícil gerir estas emoções todas, pois os doentes pressentem a morte, próxima, mas temos um psicólogo a apoiar todos os nossos utentes, dando-lhes autoestima, com a perspetiva que se trata de uma fase mais difícil das suas vidas, temos superado muita coisa com o trabalho conjunto e permanente de grande entreajuda”, salientou Alexandra Silva.

Aqui, até a alimentação tem de ser sempre dada por enfermeiros, porque é necessário ter um ventilador sempre por perto e de ter uma atenção permanente, pois o céu é o limite, mas tudo é feito para que ninguém lá chegue por enquanto.

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