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Guerra na Ucrânia

Ucranianos apelam ao parlamento português que reconheça Rússia como Estado terrorista

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Ucranianos vão pedir à Assembleia da República portuguesa que reconheça a Rússia como um Estado terrorista e que apoie a investigação aos crimes de guerra cometidos contra a Ucrânia, disse hoje o presidente da Associação de Ucranianos em Portugal.

Em declarações à Lusa, Pavlo Sadokha afirmou que o pedido vai seguir através de uma carta dirigida ao presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, na sequência de dois casos recentes: o bombardeamento à antiga prisão de Olenivka, na província de Donetsk, ocupada pelos russos, que matou pelo menos 50 prisioneiros de guerra ucranianos, e a castração de um cidadão ucraniano.

Hoje de manhã, algumas dezenas de ucranianos manifestaram-se em frente à embaixada da Rússia em Lisboa contra o ataque que matou 50 prisioneiros de guerra da Ucrânia na região separatista de Donetsk, num protesto em que participou a ainda embaixadora da Ucrânia em Portugal, Inna Ohnivets, durante a qual os manifestantes apelaram precisamente para o reconhecimento da Rússia como um Estado terrorista e exibiam cartazes com imagens do ataque e do Presidente russo, Vladimir Putin.

Na carta que vão enviar a Augusto Santos Silva, a que a Lusa teve acesso, os ucranianos em Portugal apelam para que a Assembleia da República – “em sinal de apoio ao povo ucraniano e para que seja feita justiça” – apoie “o processo de investigação e de julgamento dos crimes cometidos pela Federação Russa na Ucrânia”, “qualifique a Federação Russa como um Estado terrorista” e “reconheça os atos cometidos pela Federação Russa na Ucrânia como crimes de genocídio”.

“A gravidade da situação exige que às palavras de solidariedade se sucedam atos concretos. Estamos certos de que Portugal não será insensível ao nosso apelo”, consideram.

Os ucranianos destacam o caso concreto do ataque de sexta-feira a uma prisão em Donetsk, que destruiu “o edifício em que prisioneiros de guerra ucranianos se encontravam detidos”.

“De acordo com informações dos próprios invasores, mais de 50 militares ucranianos foram mortos e 140 ficaram feridos. Também de acordo com as mesmas fontes, nenhum dos guardas prisionais ou militares russos presentes no local foi morto ou ferido em resultado dos bombardeamentos. Após o sucedido, a Rússia apressou-se a acusar a Ucrânia de ter sido responsável pelo bombardeamento do campo de prisioneiros, alegadamente com recurso a armamento norte-americano. No entanto, todos os indícios apontam para um ato deliberado, por parte dos russos, com o objetivo de matar os prisioneiros ucranianos”, consideram.

Os autores da carta destacam “outra evidência recente da desumanidade dos invasores russos”, que foi a castração de um prisioneiro de guerra ucraniano.

“Estes dois crimes hediondos fazem parte de um já longuíssimo cortejo de atrocidades, em que civis ucranianos são assassinados, incluindo crianças, ou sujeitos a deportação, a tortura e a violação. Estamos perante um conjunto de crimes que exigem a condenação urgente de todas as nações civilizadas, incluindo a portuguesa, e que não podem deixar de ser reconhecidos por aquilo que efetivamente são: atos de genocídio contra o povo ucraniano cometidos por um regime que pratica o terrorismo de Estado”, justificam, considerando que “as autoridades políticas e militares russas têm por objetivo eliminar o maior número possível de Ucranianos, destruir o país e apagar a sua identidade nacional”, o que faz com que a negociação e o diálogo sejam impossíveis.

No protesto de hoje em Lisboa, foram exibidas pelos manifestantes frases como “Sou Azov”, “Assassino, deixa a Ucrânia em Paz”, “Rússia is a terrorist state” (“Rússia é um estado terrorista”), “Your Country could suffer next #terror Rússia” (“O vosso país pode sofrer o próximo terror da Rússia”), “Stop Russia agression” (“Parem a agressão russa”) e “Putin #HUILO#” (em referência a uma canção folclórica ucraniana que ridiculariza o Presidente russo).

O ataque com mísseis a uma prisão em Yelenovka, na região separatista de Donetsk, causou na sexta-feira 50 mortos e 73 feridos graves entre prisioneiros ucranianos, segundo a Rússia, parte deles membros do batalhão ultranacionalista Azov, que se rendeu na cidade ucraniana em Mariupol, tomada pelos russos.

Os separatistas pró-Rússia da Ucrânia acusaram as forças de Kiev de atacar a prisão com mísseis “supostamente HIMARS [sistema de ‘rockets’ de lançamento múltiplo norte-americano]” e o Ministério da Defesa russo responsabilizou mesmo o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e os Estados Unidos da América (EUA) pelo ataque.

Por seu lado, os serviços de inteligência da Ucrânia acusaram a empresa militar privada russa Wagner de ter operado o ataque e os militares ucranianos acusam a Rússia de manter os seus “métodos de propaganda de conduzir uma guerra de informação para acusar as Forças Armadas da Ucrânia de bombardear a infraestrutura civil e a população, ocultando assim as suas próprias ações insidiosas”.

A Ucrânia pediu à ONU e ao Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) que enviem uma missão a Donetsk para investigar o ataque.

Denis Pushilin, o líder separatista apoiado por Moscovo, referiu que a prisão tinha 193 reclusos, sem especificar quantos eram prisioneiros de guerra ucranianos.

Mais de 2.400 soldados ucranianos em Mariupol foram feitos prisioneiros após quase três meses de luta pelo porto de Azov, onde estavam escondidos no complexo siderúrgico Azovstal, e a sua resistência tornou-se um símbolo da luta ucraniana contra a invasão russa que começou em 24 de fevereiro.

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