O setor do turismo está em alta no concelho de Arcos de Valdevez. O Município fez, esta terça-feira, um balanço ao mesmo tempo que lançou a Estratégia de Posicionamento e Desenvolvimento Turístico Sustentável, documento que determina o caminho até 2030. Na sessão, o presidente da Câmara, João Manuel Esteves, sublinhou a importância deste setor como alavanca para todas as outras áreas da economia.
Nos últimos dez anos, o número de dormidas no concelho de Arcos de Valdevez cresceu 350%. Em 2024, o Instituto Nacional de Estatística (INE) contabilizou 106 mil dormidas neste território, mais 8% que em 2019, 11% acima de 2022 e quase 20% mais que no ano de 2023. “Se o INE aponta para 100 mil dormidas, devem ser, pelo menos, o dobro, porque eles só pedem dados aos estabelecimentos hoteleiros com mais de 10 camas. Ora, nós sabemos que a grande maioria dos alojamentos no concelho são pequenas unidades, com três ou quatro quartos e nada disso está a ser considerado”, apontou João Manuel Esteves.
O autarca está satisfeito com os indicadores que apontam para uma estada média de duas noites e para uma receita média por quarto disponível de 28,6 euros, mais 39% que em 2029 e um crescimento de 6% face ao ano de 2023. “Estamos a fazer isto e, ao mesmo tempo, a reduzir a taxa de sazonalidade. O que queremos é que Arcos seja um destino para todo o ano”, refere o autarca.

Os proveitos totais da atividade turística, segundo os cálculos do INE, foram de cinco milhões de euros, em 2024. Todavia, também neste caso o presidente da Câmara discorda dos números: “Temos que trabalhar com os dados estatísticos que temos, mas se concordamos que todos os alojamentos com menos de dez quartos ficam fora do radar do INE, então a receita também tem de ser muito maior”, aponta.
Alavanca que coloca outros setores em movimento
De acordo com o INE, Arcos de Valdevez tem 351 unidades hoteleiras, com capacidade para 2.860 hóspedes, 21 empresas de animação turística, sete agências de viagens e turismo e 141 empresas de restauração e similares. João Manuel Esteves quer que este setor continue a crescer e afirma que os resultados alcançados são o resultado “de um caminho sustentado de aposta que foi feito no turismo como setor fundamental”. Para o autarca, o turismo é a alavanca que coloca em movimento todas as outras áreas da economia.

Para manter esta trajetória de crescimento, o Município apresentou, esta terça-feira, a Estratégia de Posicionamento e Desenvolvimento Turístico Sustentável 2025-2030. “Queremos ser um destino de natureza e eventos culturais e pretendemos ser reconhecidos por isso”, ambiciona João Manuel Esteves. .
A visão deste documento estratégico aponta também para a sustentabilidade e para o facto de o concelho se posicionar como “a entrada privilegiada do Parque Natural da Peneda-Gerês, através da Porta do Mezio.
O plano traça metas, entre as quais: aumentar a estada média para 2,3 noites, em 2027 e para 2,5 noites, até 2030; reduzir a taxa de sazonalidade (atualmente em 41,3%) para 36% até 2030; aumentar o peso dos hóspedes internacionais para 40%; colocar a receita média por quarto disponível, na hotelaria tradicional, em 70 euros; aumentar os proveitos totais por hóspede para 160 euros; e subir o gasto médio dos visitantes internacionais nos restaurantes e bares para 50 euros.

Arcos de Valdevez assume-se como um destino de natureza, apoiado na história e na cultura e na gastronomia e nos vinhos, tudo isto complementado pelos eventos e pelo astroturismo. Nesta última área, o Município reconhece que persegue a certificação como destino de astroturismo.
Hotel do Mezio a abrir e investimento do Parque de Campismo da Travanca
“Temos os pontos de interesse distribuídos pelo território, sem massificação e isso é uma vantagem. Queremos agora criar itinerários e pontos de interesse intermédios para que os visitantes possam circular”, evidenciou o autarca. “Queremos ser um destino para todo o ano, por isso temos um programa de eventos em cada uma das estações do ano. Brevemente, abre o Hotel do Mezio e estamos a fazer um forte investimento no Parque de Campismo da Travanca, com a colocação de bungalows que vão permitir a sua utilização nas épocas mais frias”, acrescentou.
Portugal, Espanha e França são os principais alvos da aposta turística de Arcos de Valdevez, seguidos dos restantes países da Europa e dos EUA e Canadá. O mercado dos portugueses de segunda geração que querem conhecer as suas origens é, assumidamente, muito importante.
Para alcançar estes objetivos o plano estratégico traça um conjunto de medidas entre as quais o Arcos Open Day, em que se pretende mostrar a terra aos agentes locais, “que por passarem nos pontos de interesse todos os dias, deixam de lhes dar a devida relevância”, indica o edil. Esta iniciativa vai reunir profissionais de hotelaria e alojamento, da restauração e bebidas, motoristas de táxi, entre outros.
Arcos de Valdevez pretende também obter a certificação como destino de turismo sustentável. Está em projeto uma Eco Summit que, “à semelhança do que acontece com a Web Summit que reúne os maiores especialistas em tecnologias de informação e comunicação, pretende juntar nos Arcos os grandes nomes da ciência ao nível da biologia e das ciências ligadas ao estudo do clima”.