Trovar D’Alma: Professores de Vila Verde juntos pela música tradicional e poesia

Fotos: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

São um dos poucos grupos musicais do país compostos por professores no ativo. Juntam a música mais tradicional à poesia e acabam de lançar os dois primeiros videoclips.

Os ‘Trovar D’Alma’ têm seis anos de existência, 50% de reportório original e construíram um local de ensaios ecológico e moderno.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

À entrada da casa em madeira, que serve de local de ensaios, salta logo à vista a quantidade de instrumentos musicais pendurados nas paredes ou devidamente acondicionados em prateleiras. “Foram todos reconstruídos pelo grupo”, atira o líder do grupo Armando Machado, diretor do Agrupamento de Escolas de Moure e Ribeira do Neiva, em Vila Verde, como se adivinhasse a pergunta.

Adufes, maracas, pandeiros, gaita de foles, vários instrumentos de corda forram as paredes e estão ali ‘à mão de semear’ para uma qualquer eventualidade.

O ensaio começa por um dos temas mais conhecidos do grupo: ‘Por Igrejas e Capelas’ é um original de Zé Machado com arranjos do próprio grupo. Foi o primeiro videoclip lançado pela banda.

Dina Bicas, professora de Português-Francês e Carlos Esteves, de Expressões, são os vocalistas dos Trovar D’Alma. A única mulher é também a declamadora de serviço: “é uma das nossas particularidades. Vamos recitando algumas poesias de expressão portuguesa ao longo do espectáculo. Tivemos algum receio no início mas a aceitação tem sido muito boa”.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

‘Malhão do Souto’, também já disponível no youtube, ‘Rosa Tirana’ e ‘Flor de Chá’, um instrumental original do grupo dão sequência ao ensaio.

Armando Machado, em guitarra, é o líder do grupo, ele que esteve na fundação do grupo ‘Raízes’. Ao lado, também em guitarras estão José Martins, professor de Expressões e Arlindo Sousa da área das Ciências.

Paulo Antunes, de Geografia e Henrique Pereira, de Matemática ficam encarregues da percussão. As teclas são da responsabilidade de António Fonseca, docente de Matemática.

Presente em todos os ensaios e concertos está o responsável pela sonoplastia, Rui Vieira de Expressões.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

“A nossa preocupação está na divulgação da música tradicional, dos nossos instrumentos, dos poetas mais clássicos”, refere Armando Machado. Nesta altura, têm 13 músicas totalmente prontas e que irão ser divulgadas ao longo dos próximos meses pelas redes sociais: “desta forma, chegamos mais longe e mais pessoas”.

Garrett

A estreia oficial do grupo aconteceu no mês de Fevereiro de 2012, durante uma iniciativa muito conhecida em Vila Verde, o ‘Mês do Romance’.

Uma nova pausa na conversa para ensaiar mais um tema: ‘Pescador da Barca Bela’ de Almeida Garrett e música dos Trovar é o mais recente tema e as paragens para ajustar vários pormenores são recorrentes.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

“Agora vamos tocar seguido”, desafia Armando Machado. A concentração está ao máximo e o tema é tocado e cantado sem qualquer interrupção. “Mais uns ensaios e está pronto”, remata o líder. O reportório dos ‘Trovar D’Alma’ já vai nas 50 músicas e promete não ficar por aqui.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

“O nosso caminho é ter um espectáculo só com originais nossos”. Por isso, têm andado a escrever poemas e músicas. O mais recente exemplo é um tema dedicado a Santo António com letra de Dina Bicas e música de José Fernandes.

Poesia

“Uma das nossas características é incluir, nos concertos, poesia de expressão portuguesa porque nós somos um grupo de música e poesia e há pouca gente a juntar este dois tipos de arte”, refere a vocalista.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Camões e Garrett já tiveram direito a poemas musicados e Sá de Miranda pode ser o próximo. Dina Bicas não tem dúvidas que “as palavras ganham outro tipo sentido e o nosso público, que é especial, gosta bastante”. Os Trovar D’Alma já deram mais de 20 concertos na região do Minho mas querem chegar a mais pontos do país.

Outra das particularidades do grupo é não terem um disco: “optamos pelas redes sociais. Chegamos ao público que nos interessa e chegamos mais longe”, confirma Armando Machado que dá o exemplo de um contacto na Galiza: “ouviu os dois temas no youtube e estamos a alinhar parcerias para o futuro”.

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