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Tratamento da Osteoartrose

em

Doutor Jorge Neves


A osteoartrose (OA) deve ser encarada como uma doença global da articulação e não apenas como uma doença da cartilagem; a compreensão de que para o seu aparecimento, expressão sintomática e evolução, contribuem múltiplas estruturas articulares (cartilagem, osso subcondral, membrana sinovial, estruturas menisco-ligamentares intra-articulares, cápsula articulare, tendões e outras partes moles periarticulares, músculos, …) permitiu aumentar o leque das opções disponíveis para a sua abordagem terapêutica específica e ajustada a cada caso.

 A OA deve ser sempre vista como uma doença com um contínuo de apresentações clínicas, desde fases precoces e incipientes em que predomina a inflamação sinovial e alterações microscópicas a nível ósseo e da cartilagem, até fases finais da sua evolução, com alterações destrutivas de todas as estruturas articulares, conduzindo a dor e incapacidade impossíveis de resolver com terapêutica farmacológica.

 A compreensão e identificação da fase evolutiva em que a OA se encontra permitirá ajustar em cada momento as melhores opções terapêuticas para essa situação, que poderão incluir a adopção de terapêuticas que modifiquem a evolução da doença (fases precoces), de terapêuticas que controlem a sua expressão sintomática de dor e/ou inflamação (fases intermédias) ou simplesmente a paliação da dor em situações “terminais” de indicação cirúrgica formal.

 A OA era considerada até há poucos anos como uma “fatalidade” inexorável, muitas vezes ligada ao envelhecimento. De facto envelhecimento da cartilagem e doença OA são coisas bem distintas, e nos últimos anos evoluiu-se de forma notável no conhecimento dos mecanismos fisiopatológicos pormenorizados que contribuem para o aparecimento e evolução da OA. A identificação dos processos microscópicos e patológicos implicados na expressão e progressão da doença permitiu definir alvos terapêuticos específicos que serão decerto promissoras opções terapêuticas de futuro.Encarada com estes considerandos nunca se poderá falar de terapêutica da OA mas sim da terapêutica de cada doente com OA, em cada fase do processo evolutivo da sua doença.

 Poderemos considerar seis vectores primordiais na terapêutica da OA

 1. Tratar a dor

 A dor deverá ser tratada de imediato e precocemente, globalmente e de forma eficaz.

Interessa perceber em que fase da doença osteoartrósica o doente se encontra, para melhor se adaptar a intervenção terapêutica analgésica em cada situação. Assim, um doente com uma OA em fase de grande destruição articular, com dores de ritmo mecânico (ausentes de noite, melhorando com o repouso e agravando-se com carga e utilização mantida da articulação lesada) deverá ser medicado com analgésicos puros ou suas associações; pelo contrário, num doente em fases mais precoces da doença, com presença de sinais inflamatórios articulares ou de dor de ritmo inflamatório (desencadeamento nocturno, agravamento matinal e após imobilizações prolongadas, e melhoria com mobilização suave e mantida da articulação lesada) deve-se preferir a utilização de AINES, que para além da sua eficácia analgésica apresentam uma acção específica no controle da inflamação subjacente ao processo patogénico doloroso, que para além de mais fisiológica e eficaz no controlo da dor, poderá ainda contribuir para uma modificação do processo patogénico da OA. Não esquecer neste doentes a quem se pretende introduzir um AINE que todos eles apresentam um risco cardiovascular potencial (que nos obriga a identificar e tratar em cada doente individual os factores de risco cardiovascular presentes) e que se deve em cada doente avaliar os seus factores de risco gastrointestinais, que quando presentes implicam a associação com protecção gastrointestinal (GI) com inibidores da bomba de protões (IBP) ou a escolha isolada de um coxibe.

 2. Identificar e tratar causas específicas de dor 

 Para além do tratamento inespecífico da dor (que em fases iniciais da doença até poderá contribuir para modificar a evolução da doença) existem situações em que a identificação e correcção de situações particulares poderá implicar um alívio sintomático adicional e uma potencial intervenção na progressão patogénica da doença:

– derrame articular por surto de degradação da cartilagem– repouso, aspiração de liquido articular com agulha e eventual infiltração intra-articular de corticóides;

– periartrites (inflamações fora da articulação, em estruturas à volta da articulação – tendões, bolsas, ligamentos) – infiltração local com corticóide, aplicação local de tópicos (cremes ou pomadas) ou medidas locais de Medicina Física e de Reabilitação (MFR);

– lesão das partes moles intra-articulares (lesões menisco-ligamentares) – terapêutica sintomática, imobilização com ortóteses (talas), medidas de MFR, artroscopia diagnóstica e terapêutica;

– instabilidade articular – colocação de ortótese de estabilização;- alterações do eixo articular (valgismo ou varismo) – ortóteses, medidas de MFR visando a tonificação muscular, cirurgia de osteotomia para alinhamento articular;

– atrofia muscular peri-articular – exercício e medidas de MFR para tonificação e reforço muscular e para melhoria da percepção proprioceptiva.

 3. Prevenir a progressão da doença

 Existem um conjunto de substâncias cuja utilização tem sido associada não só a uma melhoria da intensidade da expressão sintomática da doença, mas sobretudo a um retardar da evolução da doença, reduzindo a degradação estrutural da OA (nomeadamente a diminuição da interlinha articular – marca indirecta da espessura da cartilagem) e modificando o número de casos evoluindo para prótese total articular (marca de destruição final e irreparável da articulação).

Estes fármacos, globalmente designados por “Condroprotectores”, apresentam evidências muito distintas da sua propriedade “modificadora da evolução da doença”, valendo a pena avaliar para cada um deles as demonstrações efectivas desta acção terapêutica.Os fármacos potencialmente “condroprotectores” disponíveis para utilização entre nós são:

– sulfato de glucosamina;

– cloridrato de glucosamina;

– sulfato de condroitina;

– diacereína.

 4. Promover a reabilitação funcional do doente

 A OA é uma doença de uma articulação (ou de várias articulações) e como tal não é uma doença sistémica na verdadeira acepção do conceito.

Porém, deverá sempre enquadrar-se a doença articular focal no doente global e procurar a sua reabilitação funcional que incidirá sempre em duas vertentes:

– recuperação funcional local, da articulação envolvida – com exercícios específicos e medidas concretas de MFR;

– reabilitação funcional global, do doente como um todo, enquadrando as suas especificidades patológicas e procurando uma intervenção o mais ajustada possível à sua realidade total.

 5. Viscosuplementação

 Consiste na introdução intra-articular de uma substância específica, derivada do ácido hialurónico e com propriedades físicas e mecânicas particulares. Esta substância, pelas suas propriedades visco-elásticas e pela sua resistência à degradação, promove uma função de “amortecimento” e lubrificação entre duas superfícies articulares degradadas.A viscosuplementação, efectuada com diversas substâncias, com demonstrações distintas de eficácia, está indicada para casos evoluídos de OA com destruição estrutural evidente e tem várias potencialidades terapêuticas:

– acção analgésica;

– melhoria da capacidade funcional;

– retardar a evolução estrutural da doença, podendo até conceptualmente ser-lhe associado um papel “condroprotector”;

– permitir gerir o timing cirúrgico, com a melhor qualidade de vida possível.

 6. Recorrer à cirurgia sempre que indicado 

 Existem sobretudo três tipos de cirurgia mais frequentemente indicadas em situações de OA:

– osteotomia de correcção de desalinhamentos do eixo articular;

– artroscopia de diagnóstico e terapêutica, permitindo in loco identificar a causa mais provável de sofrimento articular (lesão condral, sinovite, derrame articular, corpos livres intra-articulares, lesões menisco-ligamentares) e promover a sua correcção cirúrgica;

– prótese total articular – ponderar a sua indicação, mediante a referenciação a consulta de Ortopedia, quando o doente apresentar dor de difícil manejo farmacológico, incapacidade funcional e lesão estrutural evoluída e irreversível.

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Queridos meninos e meninas

Por Vânia Mesquita Machado

em

Artigo de Vânia Mesquita Machado

Humanista. Mãe de 3. De Braga. Pediatra no Trofa Saúde – Braga Centro.

Queridos
meninos e meninas,

Sou médica de crianças.

Talvez até seja a vossa Pediatra,
ou parecida com a vossa doutora.
Ou que o vosso doutor também sorria como eu.
Nós, os vossos doutores,
gostamos muito de sorrir para vos tentar animar se estiverem doentes.
E se não estiverem,
até sorrimos
porque a vossa energia e alegria nos contagia,
e nos põe a nós bem dispostos.

Estes dias é mais difícil verem que continuamos a sorrir quando nos vão consultar,
porque temos a cara tapada com as máscaras:
mas os vossos pais já vos explicaram que tem de ser.

Estou a escrever agora para vós,
para também explicar porque tenho de usar a máscara.

Costumo fazer isso na consulta quando me vão visitar,
desde que veio para Portugal o coronavirus,
mas como estou com ela na cara,
nem sempre se percebe bem o que digo,
e quando vão à consulta alguns de vós têm aquele friozinho na barriga, que é normal.

Eu também tinha quando era da vossa idade e ia ao meu doutor…
Confesso-vos que não gostava nada de sentir o frio do estetoscópio no corpo nem o pauzinho na garganta.
Mas os meus pais davam-me a mão com força e tudo corria bem!

Alguns de vós preferem as histórias dos livros que começam com
“Era uma vez”, outros preferem outras histórias,
mas todos gostam que o final seja feliz.

Como nós, os adultos!

Esta história do vírus que em dezembro apareceu na China, ainda não terminou,
não sabemos quando vai acabar,
mas temos todos esperança que seja o mais depressa possível.

Mas esta história ainda se está a escrever,
e como eu já vos disse muitas vezes,
e de certeza, os vossos doutores também,
nós não gostamos de mentir.

Não se deve mentir, pois não?

Quando vão às vacinas dói um bocadinho, mas depois passa.
Certo?

O coronavirus é mais um dos bichinhos invisíveis chamados micróbios.

Este vírus tornou-se mais forte do que
muitos outros,
e viajou pelo mundo todo.
E essa viagem chama-se pandemia.

Mas de certeza que já ouviram falar noutras doenças como a gripe das aves,
a gripe A, o Ébola e a Doença das vacas loucas, que viajaram pelo mundo.

Os micróbios tambem eram mais fortes e
ainda dão doenças más nalguns lugares do mundo.

Mas os cientistas estão sempre a estudar para descobrir como matar os micróbios, e por isso muitos desses vírus já não são tão fortes.

Onde vivemos,
existem milhões de outros micróbios, não só vírus mas bactérias,
que são todos invisíveis, muito mais pequeninos que as formiguinhas.

E podem dar tosse, dor de garganta, dor dor de barriga…
Muitos fazem com que fiquem mal dispostos
e até sem quererem comer.
E quando os vossos pais
vos virem a brincar menos ,
põe-vos a mão na testa e estão quentes, por isso podem ter febre, e
usam o termómetro.
( que muitos de vós também não gostam nada… mas tem de ser)

Tomam os remédios e passado um tempo já se sentem melhor…
Verdade?

Se não melhoram, vêm-nos visitar.
E nós os doutores ouvimos o que se passa, vemos o vosso corpo, e depois damos outros remédios para que fiquem outra vez sem dores, e cheios de vontade de brincar e aprender!

Não precisam de ter medo.

Porque no nosso planeta sempre existiram doenças, tanto pelos micróbios como por outros motivos, já ouviram falar nelas, como o cancro, por exemplo.

A boa notícia,
é que os médicos estudam muito para vos poderem curar, e os cientistas ajudam a descobrir coisas novas, e já existem muitos remédios para tratar as doenças.

De certeza que alguns de vós já ficaram internados quando os tratamentos têm de ser no hospital, ou têm amigos que já lá passaram algum tempo.
Às vezes, tem mesmo de ser!

Como disse no princípio,
o que eu vos queria explicar muito bem,
é que durante uns tempos, nós doutores e os adultos,
temos de usar as máscaras para proteger as pessoas
se estivermos infetados com o coronavirus, porque muitas vezes não se sente nada quando o vírus entra no nosso corpo.

E vós, meninos e meninas, têm de usar máscaras para irem à escola,
exceto os mais pequeninos.

Nós não gostamos muito,
porque escondemos o riso e preferimos estar sem nada na cara, certo?

Mas nem sempre podemos fazer tudo o que nos apetece…
Também é verdade, não é?

Muitos de vós, preferem gomas e outras gulodices em vez da sopa e da fruta.
( quase todos…)

Mas como os pais, e nós doutores explicamos, e alguns já aprenderam na escola,
temos de comer alimentos com vitaminas, proteínas, e hidratos de carbono e gorduras boas,
para crescer, para que o cérebro fique mais inteligente,
e também para ajudar a curar as doenças!

Também é importante
dormir bem,
e termos todos momentos felizes com as pessoas de quem mais gostamos!

Tudo isso vai ajudar a que as defesas do nosso corpo fiquem cada vez mais fortes , o que nós doutores chamamos “sistema imunitário”,
e que é fundamental,
para além dos remédios, para curar as doenças, ou para nem ficarmos doentes.

Mais outra boa noticia para vós,
meninos e meninas:
é que o coronavirus não vos vai quase de certeza fazer sentir muito doentes, todos já tiveram febre, tosse nariz entupido, e depois ficaram bons, certo?

Mas as pessoas mais velhas,
ou que já tenham outras doenças, se se infetarem com este vírus podem ficar muito doentes ou podem morrer…

Por isso estamos todos a usar as máscaras,
a lavar bem as mãos,
não pondo as mãos nos olhos,
no nariz e na boca,
e não andamos na rua ou noutros sítios com muitas pessoas juntas, e se acontecer afastamo-nos.

Porque todos estamos a fazer um grande esforço para que o coronavirus
se vá embora do planeta, ou se transforme num vírus menos forte,
e acabe a pandemia.

E nao se esqueçam que os cientistas estao a estudar os remédios para curar este vírus, e as vacinas para nos proteger contra ele.

E nós doutores, continuamos a tratar de vós, de máscara, enquanto for preciso.

E se estiverem doentes,
com tosse, febre, nariz muito entupido,
têm de ir às consultas das urgências numa sala diferente,
onde estamos vestidos como astronautas…

Mas continuamos a tratar de vós,
meninos e meninas,
e a sorrir!

E este é o meu sorriso,
sem máscara,
parecido com o dos vossos doutores, porque todos acreditamos que rir
também funciona como um remédio para ajudar a curar as doenças!

Um abraço amigo,

Doutora Vânia

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Cimeira Ibérica: Uma oportunidade de aprofundamento da cooperação

Por José Maria Costa

em

foto: DR

José Maria Cunha Costa
Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo e Presidente da RIET

A Cimeira Ibérica vai realizar-se dentro de poucos dias na cidade da Guarda com um significado especial para os dois países, mas com enorme expectativa para as populações dos territórios do interior e de fronteira.

As preocupações e problemas concretos das populações dos territórios de fronteira em dois países com um grande lastro centralista nem sempre no passado estiveram no centro das cimeiras. Normalmente, estes momentos assinalavam acordos entre os dois Governos para grandes projetos, grandes infraestruturas ou tomadas de posição conjuntas sobre temas europeus. Não significa que estes assuntos não sejam relevantes, mas ficavam muitos outros temas por decidir, acordar ou implementar da vida quotidiana das populações.

A fronteira entre Portugal e Espanha é a fronteira mais estável da União Europeia, mas também a mais despovoada e com indicadores de desenvolvimento mais frágeis. Por isso, as Entidades Transfronteiriças têm ao longo destes anos de integração europeia assumido o desenvolvimento de muitos projetos de cooperação, procurando diminuir o isolamento, desenvolver pequenas economias e partilhar equipamentos e projetos culturais. Bons exemplos de boas práticas desses protagonistas são a Associação do Eixo Atlântico, as Euro-Cidades e o Instituto Ibérico de Nanotecnologia, entre outros.

A RIET – Rede Ibérica de Entidades Transfronteiriça tem sido uma plataforma de concertação entre diversas entidades, como redes de cidades, deputações, associações empresariais, universidades e politécnicos, para permitir a discussão de temas e estudos, e a apresentação de projetos e iniciativas de cooperação entre os dois territórios de fronteira.

É por isso que esta Cimeira Ibérica, ao ter na sua agenda política a discussão e aprovação de uma Estratégia Comum de Desenvolvimento Transfronteiriço, traz uma nova esperança e, estou certo, grandes oportunidades, para as populações de fronteira e para todas as organizações e Entidades Transfronteiriças.

Portugal e Espanha vão assumir, em boa hora, um objetivo central das suas políticas de cooperação, a cooperação transfronteiriça. Vamos, assim, poder afirmar no contexto da cooperação europeia um papel mais forte e mais determinado na cooperação entre Universidades e Politécnicos de fronteira, projetos de desenvolvimento e valorização económica, social e turística, partilhar mais equipamentos e serviços públicos e, desta forma, fixar e atrair mais jovens para estes territórios.

Para concluir este processo virtuoso de afirmação e densificação da cooperação transfronteiriça só falta mesmo atualizar o Tratado de Valência, dando mais flexibilidade jurídica e fiscal às organizações e projetos transfronteiriços para que possamos ir mais longe nas políticas da cooperação, do que apenas na gestão dos fundos europeus.

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Regressar à escola com poucos sustos, mas com ainda menos surtos (assim seja)

Por Vânia Mesquita Machado

em

Foto: DR

Artigo de Vânia Mesquita Machado

Humanista. Mãe de 3. De Braga. Pediatra no Trofa Saúde – Braga Centro.

REGRESSAR À ESCOLA/
CONTROLAR A PANDEMIA
– com poucos SUSTOS
– mas ainda menos SURTOS
Assim todos queremos.
Por isso, COLABOREMOS.

– Antes da pandemia, setembro era sinónimo de preparar o REGRESSO ÀS AULAS.
A vontade de rever os colegas a crescer, ou o nervoso miudinho por mudar de escola,e querer conhecer a turma onde rapidamente se faziam novas amizades.

– Sem ninguém contar, o nosso MUNDO a virar do AVESSO, de repente, por um VÍRUS que ninguém vê mas que EXISTE, realmente.

– Nada é o que era.
Mas de nada adianta o lamento ou a revolta, e MUITO MENOS a absurda NEGAÇÃo da pandemia à nossa volta.

– O sol é poente e nascente em cada dia e a lua continua ciclicamente a crescer e mingar.
A natureza indiferente às preocupações da HUMANIDADE como sempre ao longo da nossa HISTÓRIA.
Estamos a ESCREVÊ-LA, agora.
Mais importante:

– estamos a tomar DECISÕES pela GERAÇÃO FUTURA, com repercussões que a vão marcar
INDEVELMENTE.
Muitas baseadas em mais INCERTEZAS que em certezas.

Setembro é este ano sinónimo de um regresso às aulas completamente DIFERENTE.

– Como pais , educadores, ou profissionais de saúde,
TODOS temos o DEVER de colaborar ativamente.
Para que o DIREITO DAS CRIANÇAS À EDUCAÇÃO seja respeitado o máximo possível.

Um direito fundamental:
– APRENDER e BRINCAR,
para proporcionar um crescimento e um desenvolvimento adequados.

– A SOCIEDADE PORTUGUESA de PEDIATRIA já se pronunciou assertivamente sobre a importância do ENSINO PRESENCIAL.
Irrefutável.

– A DGS emitiu um REFERENCIAL PARA AS ESCOLAS, com medidas a aplicar para o controlo da transmissão da COVID-19 em contexto escolar, à luz do conhecimento atual.

Estas medidas visam solucionar possíveis cenários de suspeita ou de infeção pela Covid -19 , após a plena abertura de todas as escolas.
E serão adaptadas conforme a EVOLUÇÃO epidemiológica da pandemia.

– Mas se teorizar, quando a mudança é permanente já se torna difícil,
muito mais será pôr em PRÁTICA tudo o que é necessário para EVITAR ao máximo os SURTOS, mesmo sabendo de antemão que surgirão muitos sustos.

Concretizando:

– um CASO SUSPEITO de infeção pelo Sars-Cov2 abrange sintomas comuns a MUITOS outros vírus e bactérias:
a FEBRE é “a fruta da época” da estação outono/inverno.
A TOSSE que se agrava é típica nos asmáticos com a mudança do tempo.

Vão surgir MUITOS casos suspeitos.
Os sustos.

– um SURTO, implica que existam mais de 2 casos de infeção na comunidade escolar.

E depois, conforme ocorrerem numa turma ou em diferentes turmas, a forma de agir é DIFERENTE, com critérios de baixo ou alto risco conforme a natureza dos contatos e a positividade dos testes.

– As TURMAS vão funcionar como GRUPOS, pois o contato é mais prolongado entre colegas e os seus professores.

Existem riscos a assumir, mas importante é o bem-estar PSICOLÓGICO das crianças.

Desde que lhes seja incutido adequadamente o ABC das medidas de PREVENÇÃO,
os beneficios, e de acordo com o panorama epidemiologico atual, ultrapassam largamente os riscos.

– Voltar de novo ao CONFINAMENTO, durante meses em casa, com ENSINO À DISTÀNCIA, NÃO é uma alternativa saudável para as nossas crianças.

– As escolas terão na Direção elementos responsáveis pelo cumprimento adequado das medidas, sempre em consonância com a Autoridade de saúde local, e em ligação com a linha SNS24/ coordenação com os Agrupamentos de Centros de Saúde.

De acordo com as circunstâncias, poderão ficar turmas de quarentena.

– O que mais desejamos TODOS, é que existam poucos surtos.

E o que MENOS queremos é que sejam implementadas as medidas de última linha, de encerramento temporário de escolas.
AINDA MENOS, o regresso do país ao confinamento.

– Para isso temos de ser TODOS agentes responsáveis e cumprir o nosso papel.

– Sabemos que podemos contar com os professores, e com todos os que estão na escola todos os dias a zelar pelos nossos filhos.

– Sabemos que na DGS existem pessoas competentes, dedicadas a que as escolas funcionem com o máximo de normalidade, e preparadas para adaptar decisões conforme o desenrolar da pandemia.

– Aguardamos também pelo acesso generalizado a TESTES RÁPIDOS à Covid-19, uma vez que se adivinha a necessidade de se realizarem INÚMEROS testes, conforme as medidas anunciadas pela DGS, no Referencial para as escolas.

-Criticar e fácil.
– Agir, à priori, é difícil.
-Ser comentador de bancada é inútil.

– O papel dos PAIS neste regresso às aulas vai ser muito mais exigente.

– Implica não descuidar as regras de PREVENÇÃO de infeção nos seus locais de trabalho.

– Implica ENSINAR aos seus filhos, e de acordo com as idades, como devem proceder nas situações com que se irão deparar.

– Implica NÃO DESCUIDAR sintomas de doença, mesmo sabendo que pode não ser Covid-19.

– Acima de tudo implica TRANQUILIZAR as crianças.

O que não é tarefa fácil, quando os próprios pais estão intranquilos. Mas perder a serenidade não.

A mensagem a reter:

– A infeção por sars-Cov2 tem sido LIGEIRA, e muitas vezes sem sintomas, na idade das nossas crianças.

E isso deve-lhes ser transmitido, de forma a que o regresso a uma escola com circuitos e novas regras NÃO OS ASSUSTE demasiado, de acordo com o entendimento de cada idade.

– EXPLICAR que podem ter de fazer testes, se os colegas ficarem doentes e que se não se sentirem bem existem locais na escola para onde serão levados, e os pais os irão buscar.

Mas SEM DRAMATIZAR.

– As CRIANÇAS aceitam melhor as situações se lhe forem EXPLICADAS, do que se se criarem tabus.

Com PESO e MEDIDA.

Felizmente tem uma grande capacidade de RESILIÊNCIA e adaptação, maior do que julgamos.

Mas é absolutamente necessário ser assim agora, para tudo voltar mais rapidamente ao que era.

– Essencial, é não perder a ESPERANÇA e COLABORAR em comunidade.

Para que no próximo setembro, a palavra PANDEMIA já pertença à nossa HISTÓRIA…

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