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País

Trabalhadores da cultura reclamam fundo que abranja “os invisíveis” do setor

Covid-19

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Foto: Facebook de Maus Hábitos - Espaço de Intervenção Cultural / DR

Condições básicas de existência, para os trabalhadores intermitentes da cultura, ou “invisíveis”, é uma das exigências de um grupo de quase 200 personalidades do setor, divulgadas hoje numa carta aberta, sob o título “Os invisíveis da cultura”.


Em causa estão sobretudo trabalhadores independentes, que constituem uma larga margem do setor cultural, e que podem não ter acesso aos apoios extraordinários anunciados, o que leva os subscritores a apelar a pessoas e entidades privadas interessadas, e com capacidade de ajudar, a que contribuam para a constituição de um grande fundo de solidariedade para com os profissionais da Cultura.

Esse fundo terá de ser um veículo sério, credível e com escala para receber contribuições, fazendo a diferença na vida de centenas, talvez milhares, de profissionais da cultura, sublinham.

Os subscritores acrescentam que lhes parece “lógico e rápido”, neste momento, que a Fundação Calouste Gulbenkian “abra aos contributos de todos o fundo de emergência que tão atempadamente criou, e que se destina, especificamente nesta área, à reposição de rendimentos perdidos pelos profissionais da cultura devido aos cancelamentos e encerramentos de projetos e instituições culturais.”

Desta forma, prosseguem, “aproveitava-se uma estrutura já criada e funcional, gerida por uma entidade respeitada, de confiança e com potencial sistémico”. E caso a Fundação não possa assumir este papel, consideram que outra entidade com características similares devia tomar a iniciativa.

“Por muito que seja importante perspetivar projetos para o ‘online’ ou para o pós-estado de emergência, devido à covid-19, não se pode criar e produzir quando a urgência é pagar a renda ou colocar comida na mesa”, dizem os signatários da carta, publicada ‘online’, hoje, ao fim da tarde, na área de opinião do jornal Público.

Por isso, só congregando “esforços em torno de um fundo de solidariedade que cuide do presente dos profissionais da cultura (…) podemos, enquanto sociedade, garantir um mínimo de condições de sustentabilidade ao quotidiano de um conjunto alargado de pessoas, que se encontra em enormes dificuldades”, dizem.

Os subscritores recordam ainda que, mesmo nessas dificuldades e incertezas, “uma parte destes profissionais saltou para o ‘online’ na primeira hora, oferecendo o seu trabalho gratuitamente, para amenizar as consequências do confinamento forçado a que todos estamos obrigados.

“Ao mesmo tempo que o Ministério da Cultura apresenta uma série de medidas realistas, urgentes, no sentido de honrar compromissos e de criar um futuro para o sector, é fulcral que se pense no presente dos mais desprotegidos e que exista uma ação central coordenada de grande escala (em vez de diferentes iniciativas de pequena dimensão) no sentido de apoiar as suas necessidades mais imediatas, de sobrevivência”, concluem.

Vigilantes de museus, mediadoras culturais, produtores, ensaiadores, costureiros e caracterizadoras contam-se entre as profissões “invisíveis” que os signatários da carta citam.

A diretora do teatro Municipal S. Luiz, em Lisboa, Aida Tavares, os encenadores Alex Cassal, António Durães, António Pires, Carlos Pimenta, Levi Martins e Nuno Cardoso, os museólogos Alexandre Matos e Ana Rita Canavarro e o presidente da Associação Portuguesa de Museologia (APOM), João neto, o ator e encenador Álvaro Correia, a atriz Ana Bola, o ator e cienasta Gonçalo Waddington, a técnica de produção Ana Bragança, a produtora e atriz Andreia Bento, as atrizes Cátia Terrinca e Catarina Wallenstein contam-se entre os quase 200 subscritores da carta, que incluem programadores culturais, professores, investigadores, escritores, dramaturgos, artistas plásticos, bailarinos, coreógrafos e gestores culturais.

Num texto publicado hoje no jornal Público, o músico Pedro Abrunhosa lembra também o “impacto devastador” do combate à covid-19, nesses trabalhadores “invisíveis” que “juntam multidões”.

“Não são autores que se possam agora fazer ressarcir dos seus direitos, nem microempresários que possam recorrer às linhas de crédito disponibilizadas, nem produtores de conteúdos que possam agora disponibilizar e monetizar. São operários do sector, invisíveis e silenciosos mas fundamentais (…). Sem eles, os nossos espetáculos seriam uma negridão em cima de uma caixa de cartão”, escreve Pedro Abrunhosa.

Mais de 24.800 espetáculos foram cancelados, adiados ou suspensos em Portugal por causa das medidas de contenção da epidemia da covid-19, revelou na sexta-feira a Associação de Promotores e Espetáculos, Festivais e Eventos (APEFE).

“Estes números só poderão aumentar exponencialmente nas próximas semanas”, alertou a associação.

De acordo com um inquérito feito pelo Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos (Cena-STE), a perda de trabalho afeta 98 pessoas em cada 100 na área da Cultura, segundo os resultados divulgados na sexta-feira pela estrutura sindical.

Em termos financeiros, para as 1.300 pessoas que responderam ao questionário, as perdas por trabalhos cancelados somam dois milhões de euros, apenas para o período de março a maio deste ano, segundo o Cena-STE, o que corresponde a um valor médio, por trabalhador, de cerca de 1.500 euros.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,2 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram perto de 60 mil.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 266 mortes, mais 20 do que na véspera (+8,1%), e 10.524 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 638 em relação a sexta-feira (+6,5%).

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Marcelo apela a “férias cá dentro” para o turismo recuperar

Economia

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Marcelo Rebelo de Sousa. Foto: Presidencia.pt / Arquivo

O Presidente da República insistiu hoje, em Vila Real, no apelo para que os portugueses façam turismo “cá dentro” no Natal, Páscoa ou próximo verão para ajudarem o turismo a “rearrancar”.

Marcelo Rebelo de Sousa jantou esta noite, em Vila Real, com cerca de 10 empresários ligados ao ramo da hotelaria e referiu que tem estado a percorrer o país “para perceber como é que o nosso turismo pode rearrancar” após a crise provocada pela pandemia de covid-19.

“Houve um período de recuperação que foi ali o mês de agosto e um bocadinho do início de setembro, mas é evidente que as taxas voltaram a cair e apesar dos portugueses terem, com o turismo interno, dado tudo o que podiam dar, um contributo notável, o que é facto é que não chega”, afirmou.

O Presidente da República aproveitou para apelar outra vez aos portugueses para que “façam turismo cá dentro”.

“No Natal e no fim do ano, na Páscoa e na programação das férias, os que puderem tê-las no verão que vem, porque isto vai continuar até lá, não vai haver recuperação do turismo a nível internacional até lá”, salientou.

E continuou: “para além disso temos que ver qual é a situação exata e como é que se pode apoiar, na base de medidas, algumas o Governo já anunciou, mas ainda não foram definitivamente aprovadas como seja, garantir o emprego, isto um regime que substitua o ‘lay-off’ simplificado, onde o que o substitui não chegou”.

“Segundo, aguentar as empresas, porque é preciso aguentá-las e aguentar o emprego senão quando for preciso rearrancar as empresas já não estão lá e os trabalhadores já não têm nada a ver com aquele tipo de atividade profissional”.

De acordo com a Direção-Geral da Saúde (DGS), desde o início da pandemia, Portugal já registou 2.018 mortes e 79.885 casos de infeção, estando hoje ativos 27.413 casos, mais 474 casos do que no domingo.

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País

Novo coronavírus terá infetado 10% da população mundial

Segundo a OMS

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Foto: DR / Arquivo

O novo coronavírus terá infetado 10% da população mundial, cerca de 780 milhões de pessoas, muito acima dos 35 milhões de casos oficialmente confirmados desde o início da pandemia de covid-19, admitiu hoje a Organização Mundial de Saúde.

A estimativa foi avançada pelo diretor de emergências de saúde da OMS, Michael Ryan, que revelou também que a entidade já escolheu os membros da equipa internacional que vai investigar as origens da pandemia, embora não tenha adiantado uma data para o arranque dos trabalhos.

A origem do vírus é um dos temas que mais críticas trouxe à OMS na resposta à pandemia, nomeadamente dos Estados Unidos, que apontou o dedo à China e a uma excessiva proximidade da organização a Pequim.

Numa intervenção na abertura de uma sessão especial do Conselho Executivo sobre a resposta ao SARS-CoV-2, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, vincou a necessidade de acelerar a reforma da instituição ao nível da gestão de emergências, sem deixar de defender o trabalho efetuado no combate à pandemia.

Tedros Ghebreyesus valorizou a reforma que implementou nos últimos três anos na OMS, que tinha sido acusada de subestimar a extensão da crise do Ébola na África Ocidental entre finais de 2013 e 2016. No entanto, esse trabalho não o impediu de apelar a uma reforma mais rápida da organização sediada em Genebra para a tornar ainda mais eficaz.

“Não estamos no caminho errado, mas precisamos de andar mais depressa. A pandemia é um despertar para todos nós”, disse ele, sublinhando: “Todos precisamos de nos olhar ao espelho e perguntar o que podemos fazer melhor”.

Esta reunião extraordinária de dois dias do Conselho Executivo da OMS, que reúne representantes de 34 países eleitos para um mandato de três anos e é responsável pela preparação e implementação das decisões dos membros da organização, é apenas a quinta na sua história.

Foi convocada pela OMS em resposta a uma resolução aprovada pelos estados membros da União Europeia em maio, que pediram uma “avaliação independente” da resposta à pandemia.

“O mundo precisa de um sistema robusto de revisão pelos pares. Encorajamos os países a apresentarem novas ideias. Temos de estar abertos à mudança e temos de implementar mudanças agora”, finalizou o diretor-geral da OMS.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão e trinta mil mortos e mais de 34,9 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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Parlamento Europeu aprova regras comuns para ‘crowdfunding’

Política

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Foto: DR / Arquivo

O Parlamento Europeu (PE) aprovou hoje regras comuns para as plataformas de ‘crowfunding’, um mecanismo de financiamento coletivo digital que junta potenciais investidores a negócios à procura de investimento, prevendo mais proteção para os que financiam.

Em nota de imprensa, o PE salienta que as novas regras “servem para fomentar campanhas de ‘crowdfunding’ transfronteiriças no seio da União Europeia (UE)” e assegurar que os serviços de ‘crowdfunding’ funcionem de “maneira fluida dentro do mercado interno”.

Todos os serviços de ‘crowdfunding’ europeus cujas ofertas atinjam um valor máximo de cinco milhões de euros passam assim a ser abrangidos pela mesma legislação.

A lei hoje aprovada prevê também uma maior proteção aos investidores, salvaguardando-os de perdas financeiras.

Os responsáveis da campanha de ‘crowdfunding’ terão agora que fornecer “informações claras sobre os riscos financeiros e eventuais cobranças” que os investidores possam ter que suportar, incluindo riscos de insolvência, realça o documento.

O pacote hoje aprovado já tinha sido negociado com o Conselho Europeu em dezembro de 2019.

O ‘crowdfunding’ tem conhecido um crescimento nos últimos anos, sendo uma das fontes de financiamento privilegiadas por pequenas e médias empresas à procura de novos investidores.

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