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Alto Minho

Toda a história de “El Canceliñas”, o “terror do Alto Minho” condenado a 35 anos de cadeia

Entre muitos crimes, sequestrou um médico em Arcos de Valdevez

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“El Canceliñas” no banco dos réus. Foto: Rafa Vázquez/Faro de Vigo

O célebre cadastrado galego “El Canceliñas”, assaltante que foi o terror do Alto Minho e da Galiza, ao longo da década passada, foi condenado a 35 anos de prisão, em cúmulo jurídico. Em Portugal ficou conhecido por ter sido coautor do sequestro de um médico em Arcos de Valdevez, no decorrer de um assalto violento, no ano de 2013, ocasião em que foi o mais procurado da raia e recapturado, três semanas depois do crime.

A soma total das penas de prisão individualmente aplicadas a “El Canceliñas” ascendiam a algumas centenas de anos, mas esta semana o Tribunal Supremo de Justiça, em Madrid, por imperativos legais, teve que aplicar um cúmulo jurídico, o que significa chegar até um máximo legal que em cada país um cidadão pode cumprir em termos de prisão efetiva.

Saturnino Marcos Cerezo Cancelas, o “El Canceliñas”, de 53 anos, natural da localidade de Mos, na Província de Pontevedra, da Região Autonómica da Galiza, esteve envolvido, como líder do grupo, no sequestro do médico António Veloso, a 07 de novembro de 2013, mas seria libertado no dia seguinte, algures num monte galego, em Galleiro de Ponteareas.

Ex-operário da construção civil, “El Canceliñas” cometeu o sequestro do médico, em Arcos de Valdevez, em cumplicidade ativa com um jovem do Alto Minho, Álvaro Miguel Santos Barbosa, que assim como “El Canceliñas”, tinha problemas de toxicodependência.

Sequestraram o médico António Veloso no parque de estacionamento de uma grande superfície comercial, em Arcos de Valdevez, obrigando-o a entrar com ambos no Mercedes do clínico. Roubaram-lhe 120 euros e levantaram o máximo que puderam, do cartão de multibanco da vítima, num total de dois mil euros, em Portugal e na Galiza.

A detenção após o sequestro em Arcos de Valdevez

A 28 de novembro de 2013, três semanas depois do sequestro e rapto do médico, entre a vila de Arcos de Valdevez e a Galiza, “Canceliñas” foi detido quando caminhava pela Estrada Nacional 550, em Redondela, Pontevedra, sozinho, perto da estação ferroviária no concelho de Pontevedra, ao princípio da tarde, tendo o fugitivo sido reconhecido por populares que já tinham visto as fotografias difundidas pelas autoridades espanholas.

Foto: DR

Saturnino Cancelas era procurado pelas autoridades policiais, depois de ter sequestrado o médico António Veloso, juntamente com Álvaro Miguel Santos Barbosa, então com 32 anos, que já estava com prisão preventiva, aquando da detenção de “Canceliñas”.

Segundo apurou O MINHO junto do Tribunal Supremo, de Espanha, este cadastrado, em função da pena máxima, em cúmulo jurídico, de 35 anos, terá que cumprir, legalmente, a condenação exta de 32 anos de prisão, 45 meses e 65 dias, segundo determinou o acórdão.

O jovem português Álvaro Barbosa, do Alto Minho, continua a cumprir a pena de prisão.

Mais de 50 assaltos no Minho e na Galiza

“El Canceliñas” cometeu cerca de meia centena de roubos, de ambos os lados da fronteira, tendo protagonizado a senda mais perigosa do seu historial, aquando do rapto do médico, poucas semanas após não ter regressado de saída precária da Prisão de A Lama, na Galiza, em fevereiro de 2013.

Saturnino Marcos Cerezo Cancelas, de 44 anos, é um antigo operário da construção civil que enveredou por uma carreira no mundo do crime e tem um longo cadastro por roubos e violência, que incluem a três bancos, em Baiona, Soutomaior e Salvaterra do Minho, que valeram a “Canceliñas” uma condenação a 16 anos de cadeia, em 1997.

Começou, aqui, a ganhar fama como escapista, com uma dupla fuga em poucos dias. Primeiro, fugiu dos calabouços do tribunal, onde estava a ser julgado. Foi localizado dias depois em Mos, localidade onde tinha moradia, acabando detido, em que apesar de armado, não disparou.

Mas uma semana depois de entrar na prisão de Vigo, protagonizou uma fuga espetacular, na companhia de Alfredo Sánchez Chacón, conhecido como “Rambo”, tendo saído ambos pela porta principal da cadeia, depois de simularem uma altercação, para saírem das celas. Aproveitando a saída de um funcionário e a demora da porta em fechar abandonaram as instalações penitenciárias, voltando então “Canceliñas” a reincidir no submundo do crime quer na Região da Galiza, quer no Alto Minho, crimes sempre perpetrados com violência.

À saída do estabelecimento prisional, roubaram um BMW forçando o condutor a deixar viatura, com a qual se dirigiram a Portugal, sendo que “Rambo” era suspeito da morte de um jovem, em Curtis, Espanha, crime pelo qual seria mais tarde efetivamente condenado.

O historial criminoso de “Canceliñas” não parou de aumentar nos anos que seguiram e, em 2006, quando se encontrava em regime de liberdade condicional, deixou o Centro de Reinserção Social onde estava obrigado a pernoitar, tendo sido capturado após dois meses como cabecilha de um grupo que assaltar bancos em Catoira, Arbo, Carballiño e Padrón.

Suspeito de pelo menos dois crimes de carjacking, durante os dois meses de liberdade em 2006, “Canceliñas” deixou marcas em Portugal, especialmente no Alto Minho onde foi localizado um dos carros que roubou e em cujo interior estava uma caçadeira de canos serrados, que terá sido utilizada para cometer assaltos à mão armada em ambos os países.

“Canceliñas” também é autor de dois assaltos a gasolineiras e de ter baleado um casal hispano-germânico em Porrino, perto da fronteira com Valença, num alegado acerto de contas, já dois dias depois de ter saído da prisão, após cumprir mais uma pena.

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