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Guimarães

Suspeito de matar eletricista em Guimarães diz que 25 anos de prisão é pouco

Crime

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Corpo de Fernando Conde foi encontrado no rio Ave, a 08 de janeiro de 2020. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO (Arquivo)

O empresário detido por ser o principal suspeito de matar um amigo eletricista em janeiro de 2020, em Guimarães, por estar convencido de que o mesmo lhe terá furtado cerca de 100 mil euros, escreveu na rede social Facebook – alguns meses depois de ter cometido o alegado ato de assassinato – que “25 anos de prisão é pouco” para “assassinos e ladrões”.

António Silva, mais conhecido como “Toni do Penha”, é suspeito de raptar, agredir e matar Fernando “Conde”, depois de alegadamente o ter contratado para um trabalho de eletricidade que nunca chegou a existir, uma vez que era tudo para ‘forçar’ a vítima a confessar o alegado roubo – que nunca ficou provado.

Terá então, com ajuda de um tratador de cavalos da região, de apelido Salgado (que também foi detido), atirado o corpo de Conde ao rio Ave. Poucos dias depois, e já com o alerta dado para o desaparecimento do eletricista, Toni do Penha tentou suicidar-se, depois de interrogado pela Polícia Judiciária como testemunha.

Fernando Conde. Foto. DR

Poucos meses depois, e enquanto decorria a investigação que culminou esta semana com a sua detenção, o suspeito fez uma publicação inusitada nas redes sociais, onde diz ser pouco 25 anos de prisão como pena máxima.

António Silva. Foto: Facebook

“Porquê só 25 anos de prisão para monstros que nem merecem ver a luz do dia? (E que muitas vezes nem 25 anos de pena cumprem!)”, escreveu a propósito das boas vindas que deu ao surgimento do partido Chega.

E prosseguiu a publicação, atribuindo um possível aumento de criminalidade à chegada de cidadãos estrangeiros: “E como se não bastasse já toda a escumalha, os parasitas do sistema que já cá temos, agora também temos que financiar a vinda de tantos estrangeiros que se dizem ‘refugiados’, que supostamente fogem da guerra mas que na verdade só nos trazem mais criminalidade e problemas”.

Conta ainda o suspeito que passou “muitos anos” na Arábia Saudita onde observou “a maneira como são castigados os ladrões e assassinos”. “Quem mata morre, e quem rouba fica sem mãos. Se aqui em Portugal usássemos isso como exemplo, aposto que essa escumalha começava a pensar duas vezes antes de roubar. No tempo do Salazar não havia a corrupção e a falta de valores que há hoje em dia”, escreveu, apelando ao voto no partido da extrema-direita parlamentar para “correr” com “assassinos e corruptos”.

Fonte: Facebook de António Silva

Fonte: Facebook de António Silva

Fonte: Facebook de António Silva

Na publicação, que contou com mais de uma centena de reações (gostos, comentários e partilhas), o autor realizou uma fotomontagem onde se coloca ao lado do líder do partido, André Ventura, mas não é conhecida qualquer ligação entre ambos.

A polícia especifica que os factos em investigação reportam ao dia 08 de janeiro de 2020, quando a vítima (Fernando Conde) foi atraída às imediações da praia fluvial de Briteiros, nas Caldas das Taipas, onde foi agredida e atirada ao rio Ave, vindo o seu corpo a ser detetado, no dia 22 de janeiro, passados 14 dias, no canal fluvial do Parque da Ínsua, em S. Cláudio de Barco – Guimarães.

Buscas por Fernando Conde no rio Ave. Foto Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

As buscas e as detenções decorreram sob a supervisão do juiz de instrução criminal de Guimarães, Pedro Miguel Vieira, tendo a operação decorrido a cargo de operacionais da Secção Regional de Combate ao Terrorismo e Banditismo, uma subunidade da Diretoria do Norte da Polícia Judiciária, que é especializada neste tipo de criminalidade altamente violenta, sendo dirigida pelo coordenador de investigação criminal Manuel Santos.

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