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Sobreviventes alertam para a vida pós-AVC

O AVC, com cerca de 25 mil episódios de internamento por ano, é a principal causa de morte.

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Foto: DR

A Portugal AVC – União de Sobreviventes, Familiares e Amigos alerta para a atual situação em que vivem os sobreviventes de Acidente Vascular Cerebral (AVC), nomeadamente após a alta hospitalar. O Dia Nacional do Doente com AVC assinala-se no próximo dia 31 de março.

Segundo António Conceição, presidente da associação, “é necessário mudar este paradigma de falta de preocupação com a fase pós-AVC. A continuidade e a qualidade da reabilitação devem ser encaradas, não como um mero custo para o Serviço Nacional de Saúde, mas como um investimento com retorno”.

E acrescenta: “Este é um facto que pode marcar a diferença entre ter um cidadão e contribuinte ativo, ou mais um peso para a Segurança Social, com complicações de saúde crescentes, encargos acrescidos para o Estado, e diminuição da qualidade de vida.”

O Acidente Vascular Cerebral, com cerca de 25 mil episódios de internamento por ano, é a principal causa de morte, mas também o primeiro motivo de incapacidade em Portugal, atingindo todas as idades.

Entre as múltiplas sequelas possíveis estão as físicas e motoras (mais visíveis), mas também as consequências na capacidade de comunicação, no campo cognitivo, psicológico, de visão, entre outros.

“É essencial que a reabilitação seja, por um lado, célere, atempada, e sem limites de tempo pré-estabelecidos, e por outro, sentida por todos como multidisciplinar, de forma que possa requerer a intervenção de diversas especialidades médicas e terapêuticas, conforme cada caso”, sublinha António Conceição.

Os membros desta união querem também chamar a atenção para a dificuldade em se conseguir produtos de apoio, que frequentemente constituem meios auxiliares de reabilitação e instrumentos capazes de melhorar a qualidade de vida.

“É lamentável que a prescrição tenha que seguir um complexo processo burocrático, sujeito a um muito restrito cabimento orçamental, e que, na melhor das hipóteses, só ao fim de largos meses é satisfeita, gerando um atraso muitas vezes irreversível. Utilizando uma comparação, diria que se a reabilitação, ou estes produtos de apoio, fossem meros medicamentos, ou meios auxiliares de diagnóstico, tudo seria multo mais fácil, logo a partir da prescrição”, finaliza o presidente da associação.

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