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Só este ano, no Minho, a violência doméstica já matou três mulheres

Lucília, Marta e Marisa foram vítimas dos maridos ou ex-companheiros

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Foto: DR

Só este ano, no Minho, foram assassinadas três mulheres em contexto de violência doméstica. Em março, Lucília Brandão foi esfaqueada e estrangulada pelo ex-companheiro, que não aceitou a separação, em Arcos de Valdevez. Em abril, Marta Carvalho foi baleada pelo marido, contra o qual já tinha apresentado queixa por violência doméstica 15 dias antes, no centro de Barcelos. Esta semana, Sónia Marisa foi morta a tiro pelo marido ciumento quando regressava a casa, em Ponte de Lima, depois de deixar os filhos na escola. Nos últimos três meses, três mulheres mortas pelos maridos ou ex-companheiros.

“Não és minha, não és de ninguém”

No dia 11 de março, Leandro Cassemiro, de 38 anos, operário madeireiro numa empresa em Lavradas, Ponte da Barca, pediu dispensa de trabalhar na tarde de sexta-feira, alegando ter que ir à Segurança Social, em Arcos de Valdevez, para tratar de assuntos particulares.

Mas, na realidade, dirigiu-se à casa da antiga companheira, Lucília Brandão, munido com duas facas, ambas de grandes dimensões para a assassinar. Convencido que depois de dez anos de vida em comum, “Cila Mantas”, como era conhecida a vítima, no lugar de Penelas, em Arcos de Valdevez, já não o queria de volta.

Decorridos cerca de dois meses de separação, descobriu que a ex-companheira tinha um namorado, e após uma acalorada discussão, terá gritado que “se não és minha, então não és de mais ninguém”, desferindo diversas facadas e estrangulando-a de seguida.

Arcos de Valdevez: “Não és minha, não és de mais ninguém”. Homicida fica em preventiva

Leandro Cassemiro, que era mais conhecido por “Brasileiro”, na União de Freguesias de Jolda Madalena e Rio Cabrão, do concelho de Arcos de Valdevez, confessou o crime e ficou em prisão preventiva.

Lucília Brandão, de 55 anos, deixou três filhos, todos homens adultos.

Morta 15 dias após apresentar queixa

Marta Carvalho, de 47 anos, foi baleada pelo marido, que se suicidou de seguida, na manhã de 07 de abril, no centro histórico de Barcelos, duas semanas depois de ter apresentado queixa por violência doméstica. Desde então, estava a viver com a mãe, no largo da Fonte de Baixo.

Mulher baleada pelo marido em Barcelos já tinha apresentado queixa por violência doméstica

E foi quando saía de casa, para ir para o trabalho, que foi surpreendida pelo marido, tendo sido atingida com dois tiros de uma “arma de fogo transformada”. Ainda foi levada em estado crítico para o Hospital de Braga, onde faleceu no dia seguinte.

Fernando Santos, conhecido como “Cartola”, natural de Barcelinhos, suicidou-se, já noutra rua, a algumas dezenas de metros de distância, junto ao Centro Comercial do Apoio, com um tiro na cabeça.

Mata por ciúmes

O último caso aconteceu, na terça-feira, na Correlhã, em Ponte de Lima. Fernando Correia assassinou a tiro a mulher, Sónia Marisa, à porta de casa, depois de estar ter deixado os filhos, ambos menores, na escola, e depois tentou suicidar-se.

Casados desde 2009, viviam no rés-do-chão da casa e no primeiro andar residiam os pais da vítima, de 35 anos.

Marido que matou a mulher em Ponte de Lima terá agido por ciúmes

Fernando Correia, que já tinha agredido o sogro, chegou a trabalhar em linhas de alta tensão e na construção civil. Esteve emigrado na Alemanha, tendo regressado a Portugal no último Natal. Estava sem trabalho desde a semana anterior. Nos últimos tempos, convenceu-se de que a mulher o trairia, o que terá levado ao desfecho trágico.

Já a mulher, Sónia Marisa Barros Correia, era doméstica e o grande apoio da mãe a cuidar do avô, que vivia na casa ao lado, e que está acamado há muitos anos. Deixa dois filhos, de 11 e 4 anos.

Fernando Correia continua internado em estado grave no Hospital de Braga.

Fugiu pelo 2.º andar para escapar a tentativa de homicídio

Em Vila Verde, no mês de março, uma história idêntica só não teve o mesmo final porque a mulher, de 41 anos, saltou de um segundo andar para fugir ao ex-namorado, que a violou dentro de casa e de seguida tentou estrangulá-la até à morte.

Delfim C., natural de Fiscal, em Amares, onde residiu antes de ser preso, foi detido dias depois pela Polícia Judiciária pela prática de um crime de homicídio qualificado na forma tentada, violação e violência doméstica.

O suspeito, que é caçador, estava armado. Tem antecedentes criminais, tendo sido condenado em 2012 – altura em que era casado e tinha um filho – a dez anos de prisão por ter violado e roubado uma rapariga de 19 anos na praia fluvial de em Lago, Amares. Por isso, e após ter cumprido dois terços da pena, foi colocado em liberdade provisória em setembro de 2021.

Viola ex-namorada e tenta matá-la por estrangulamento em Vila Verde

Seis meses depois, e conforme comunicado da PJ, “com recurso à força física e sob ameaça de morte com uma faca, manteve relações sexuais com a vítima e, no final, agrediu-a violentamente na zona da cara e do pescoço, não lhe provocando a morte por mero acaso, apesar das várias tentativas de estrangulamento. Aproveitando um momento de descuido do agressor, a ofendida conseguiu fugir da residência e pedir socorro”.

“Movido por ciúmes, durante várias semanas, o detido ameaçou, perseguiu, acedeu aos conteúdos dos telemóveis e agrediu fisicamente a vítima”, acrescentava a Polícia Judiciária.

Segundo os mais recentes dados do Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA), entre 01 de janeiro e 15 de novembro de 2021, em Portugal foram mortas 23 mulheres, 13 das quais no contexto de violência doméstica.

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