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Sindicato de chefes da PSP diz que existe risco de “tempestade perfeita” na segurança

Na sequência dos acontecimentos ocorridos no Bairro Padre Cruz, em Lisboa
Sindicato de chefes da psp diz que existe risco de "tempestade perfeita" na segurança
Foto: DR / Arquivo

O Sindicato Nacional da Carreira de Chefes da PSP demonstra preocupação sobre os recentes acontecimentos ocorridos no Bairro Padre Cruz, em Lisboa, considerando que a situação pode culminar numa “tempestade perfeita” na área da segurança interna.

Em comunicado, o Sindicado Nacional da Carreia de Chefes da PSP (SNCC/PSP) indica que vai pedir reuniões “urgentes com a tutela e a administração” por causa dos factos ocorridos na semana passada que ficou marcada por “ataques violentos a polícias, instalações policiais e património pessoal” de profissionais da PSP.

“Grupos de cidadãos entendem que é legítimo obstar a ação policial; entendem que podem, por via da força, tentar libertar um cidadão detido em flagrante delito pela prática de factos criminais; entendem que é legítimo atacar edifícios públicos e que podem, igualmente, colocar em causa o regular funcionamento de instituições, ou pelo menos entendem e sentem que não há consequências perante os atos praticados”, refere em comunicado o sindicato.

Vinte e uma pessoas foram detidas no último mês no bairro Padre Cruz, em Lisboa, na sequência de várias ações policiais, a última das quais na segunda-feira, que culminou com agressões a agentes da PSP.

Em comunicado divulgado na terça-feira à noite, o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP (Cometlis) refere que as 21 detenções estão ligadas à suspeita de crimes como tráfico de droga (nove), condução sem habilitação legal (cinco), resistência e coação (quatro) e condução sob efeito de álcool (três).

A última detenção aconteceu na segunda-feira e ocorreu após uma intervenção policial “com uso de força para reposição da ordem pública”.

Hoje, o SNCC/PSP manifesta preocupação pretendendo “partilhar com os cidadãos” o que considera ser um “caminho perigoso” que está a ser trilhado e que pode culminar, numa “tempestade perfeita” na área da segurança interna.

Para o sindicato agrava-se a política de “desinvestimento nas Forças de Segurança”, com especial incidência na PSP, verificando-se “falta de capacidade” no recrutamento e “rejuvenescimento” dos quadros.

No comunicado, o SNCC/PP queixa-se que as estruturas de representação dos profissionais têm sido desprezadas e que todos os “problemas e, essencialmente, todas as propostas de solução” têm sido desvalorizadas.

O SNCC/PP critica também a incompreensão face às decisões do poder judicial que, adianta, favorecem a delinquência.

“Decisões do poder judicial que, incompreensivelmente, perante situações de injúrias, ameaças e ofensas à integridade física têm merecido decisões que os cidadãos não compreendem e têm tido o efeito de empoderamento dos delinquentes perante os legais representantes do poder do Estado”, refere o comunicado de duas páginas.

O sindicato compara estes episódios aos acontecimentos ocorridos nas periferias de Paris nos anos 1990 e que “registaram fortes conflitos sociais”, com a destruição da propriedade privada e ataques indiscriminados a profissionais da polícia e bombeiros.

“A solução dos problemas que estamos a viver, não partem todos do Ministério da Administração Interna e muito menos da Polícia de Segurança Pública, mas a capacidade de prevenir e antecipar problemas futuros, cuja gravidade (se nada for feito) irá seguramente crescer, depende e muito de mudar a política que tem marcado as governações recentes”, diz ainda o comunicado divulgado hoje pelo SNCC/PSP.

 
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