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Braga

Segundo dia da greve de trabalhadores da CGD mantém adesão de 85% em Braga

Protesto

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Foto: O MINHO / Arquivo

No segundo dia, a adesão à greve dos trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) voltou a rondar os 85% no distrito de Braga, apurou O MINHO junto de fonte sindical.

Ou seja, esta sexta-feira, a situação praticamente igual à de ontem, que levou ao fecho dos balcões da Universidade do Minho e de Terras de Bouro. Os de Barcelos, Amares, Vila Verde, Braga, Vieira do Minho e Famalicão encontram-se abertos, mas a funcionar em “serviços mínimos” com atendimento à porta só para investimentos, nomeadamente PPR.

A nível nacional, o STEC – Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo Caixa salienta “a adesão massiva dos trabalhadores” à greve, “ultrapassando os 70% registados no dia de ontem (primeiro dia de Greve)”. “Consolida e demonstra o seu indesmentível e comprovado êxito, em que pelo segundo dia consecutivo, encontram-se centenas de Agências encerradas ou inoperacionais, apenas com a Gerência presente, sem as mínimas condições para prestar qualquer tipo de atendimento ao público”, considera.

Como O MINHO noticiou, os trabalhadores da CGD estão em greve ontem e hoje contra a proposta de atualização salarial feita pela administração do banco, num protesto convocado pelo Sindicato de Trabalhadores das Empresas do grupo CGD (STEC).

Os trabalhadores do Grupo CGD defendem um aumento justo dos salários, considerando a “proposta de aumento salarial de cerca de 0,4% insultuosa e vergonhosa”, segundo o STEC.

O STEC acusa a administração da CGD de uma postura de “total sobranceria, intransigência e desrespeito para com os trabalhadores”, sublinhando que “esteve desde o início deste processo com total responsabilidade e disponibilidade para negociar, mas não pode aceitar a desconsideração reiterada da gestão sobre os trabalhadores da CGD”.

O sindicato diz que, entre 2020 e os primeiros nove meses de 2021, a CGD teve um resultado próximo dos 1.000 milhões de euros e entregou ao Estado um dividendo extra de 300 milhões de euros, o que – afirma – foi conseguido com o “trabalho, empenho e dedicação de todos os trabalhadores”.

Contudo, acrescenta, “para a administração da CGD esse trabalho vale a miserável recompensa de 0,4% de aumento salarial”, um valor abaixo da inflação prevista para 2021, o que significa que trabalhadores continuarão a perder poder de compra.

Para o STEC, a questão salarial soma-se “a contínua deterioração e degradação das condições de trabalho e ao facto grave e perigoso da CGD não cumprir com o horário de trabalho legalmente estabelecido” e acusa a administração da CGD de não pugnar pelo diálogo e pela paz social na empresa.

CGD lamenta greve durante negociação salarial e diz pagar muito acima dos concorrentes

Por sua vez, a CGD lamenta a greve convocada pelo Sindicato de Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD (STEC) “em pleno processo de negociação de revisão salarial”, garantindo que a tabela de remuneração do banco “é muito superior” à dos concorrentes.

“A Caixa Geral de Depósitos [CGD] lamenta a decisão do Sindicato de Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD (STEC), ao contrário dos demais sindicatos da banca, de avançar para a greve em pleno processo de negociação de revisão salarial. A greve é um direito que assiste a todos os trabalhadores, mas não deve ser banalizado, nem ser uma desvantagem competitiva face aos concorrentes”, sustenta, em comunicado.

Afirmando que se “comprometeu com os sindicatos a apresentar uma proposta, o que efetivamente fez”, a Caixa salienta que, “apesar da falta de acordo, as negociações continuam, à semelhança dos restantes bancos”.

No comunicado, a CGD recorda que, este ano, a “massa salarial da Caixa Geral de Depósitos teve um aumento superior a 1,1%” e que, “com a atual proposta da Caixa para tabela salarial, o aumento ficará em 1,5%”.

“A Caixa Geral de Depósitos tem uma tabela de remunerações muito acima dos restantes bancos com quem concorre (mais de 19%), praticando uma remuneração média para colaboradores em funções diretivas de 5.715 euros e funções não diretivas de 2.353 euros”, avança, acrescentando que a pensão média é de 2.118 euros.

Além da revisão da tabela salarial, a Caixa diz estar a propor também “uma atualização dos valores das cláusulas de expressão pecuniária, mesmo sendo já as mais altas da banca”, com destaque para o subsídio de alimentação (11,32 euros/dia), que destaca ser “superior em 16,5% ao da banca (9,72 euros – 9,75 euros/dia)”.

Por sua vez, nota, “o valor do subsídio infantil é, em média, superior em 120% ao valor do praticado em toda a banca”.

“Ainda assim – salienta – a administração apresentou uma proposta de aumento no subsídio de apoio ao nascimento (+1,9%) que passará para 800 euros”, e, “apesar de na Caixa o subsídio ao trabalhador-estudante ser 5,63% mais elevando que a média da banca, a proposta aumenta o seu valor em 4,7%”.

Adicionalmente, a proposta apresentada pela Caixa “prevê o aumento do apoio ao estudo dos filhos até ao 12.º ano, que já é 6,56% mais alto que a média da banca, e também um aumento de 2,55% no subsídio de apoio ao estudo para o ensino superior”.

“O trabalho, mérito, empenho e dedicação dos seus trabalhadores tem tido reconhecimento”, garante o banco, precisando que “cerca de 1.350 colaboradores foram promovidos em 2021 e vão ser realizadas 802 promoções no primeiro trimestre de 2022”, enquanto “cerca de 82% dos colaboradores tiveram prémios desempenho e potencial em 2021”.

“A Caixa, como instituição relevante no setor bancário nacional, continuará a cumprir o seu papel, em concorrência com os restantes bancos, apesar da maior tabela salarial e de maiores encargos com o Fundo de Pensões (com condições únicas no país)”, lê-se no comunicado.

Contudo, sublinha, “como banco português e de capitais públicos, cumpre-lhe assegurar que tem a solidez financeira para enfrentar os desafios futuros, mas também para prosseguir a missão de devolver os montantes que os portugueses e investidores que lhe confiaram quando da recapitalização de 2017”.

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