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Seca: Horticultores da Póvoa de Varzim reduzem produção de penca e investem na abóbora

Agricultura

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Foto: Horpozim

Os horticultores da Póvoa de Varzim estão adaptar às suas culturas e explorações à situação de seca do país, apostando em plantas com menor necessidade hídrica a implementando soluções tecnológicas para a rega.

Um desses exemplos passa por reduzir a produção de hortaliças tradicionais como a couve penca, investindo em outros vegetais, como a abóbora, por  as sua produção consumir menos água e ter maior mercado a nível internacional.

O presidente da Horpozim, associação empresarial hortícola que representa centenas de explorações na região do Litoral Norte, considerou que foi “preciso arregaçar as mangas e ter uma postura pró-ativa” para lidar com as contingências climatéricas, partilhando que em termos de rentabilidade o setor tem contornado as dificuldades.

“Beneficiamos de um microclima na nossa região que nos difere de outras zonas do país, mas, ainda assim, com o inverno temperado que passámos, a água também nos escasseou. Tivemos de ser pró-ativos, fazendo uma agricultura de precisão e tecnológica, com métodos de rega localizados, como o ‘gota a gota’, e adequando as nossas plantas à água disponível”, descreveu o líder da Horpozim, Manuel Silva, à agência Lusa.

Em termos práticos, Manuel Silva explicou que “foram cultivadas menos plantas de folha, como a couve coração ou a couve penca, mas também a cebola, que precisam de muita água para se desenvolverem, e apostou-se em culturas menos usuais na região como a batata-doce ou a abóbora, que têm muito potencial de exportação”.

O responsável garantiu que a qualidade de todos os produtos hortícolas produzidos nesta região “manteve-se”, mas reconheceu que as quantidades produzidas foram menores, acabando por potenciar um “aumento dos preços pagos aos produtores”.

“Ainda devido à pandemia, e também agora pela situação da guerra na Ucrânia, que colocavam muitas incertezas no mercado, reduzimos as culturas e, por consequência, diminuímos a oferta. Mas acabou por haver um aumento da procura, sobretudo no verão, com o retomar do setor turístico. Isso fez com que os preços crescessem acima do normal”, explicou Manuel Silva

Apesar desse incremento no valor de venda dos produtos, o presidente da Horpozim lembra que a rentabilidade das explorações também foi afetada pelo aumento dos custos de produção.

“O gasóleo, a energia e os produtos necessários para o desenvolvimento das plantas tiveram aumentos enormes, o que tem um grande impacto nos custos de exploração. Tudo isso se reflete na nossa rentabilidade mas também nos preços para os consumidores”, explicou Manuel Silva.

Apesar de na última semana já ter havido alguma chuva, Manuel Silva considerou que “não teve grande impacto para a horticultura”, partilhando que a amplitude térmica que se faz sentir neste mês de setembro “até tem criado alguns problemas”.

“Temos noites e manhãs frias e tardes com muito calor. Essa diferença térmica, que por vezes chega aos 20 graus, é propícia a situações de humidade que fazem desenvolver mais rápidos fungos e doenças. É preciso muita atenção, empenho e sabedoria para manter o equilíbrio nas culturas”, disse Manuel Silva.

O também produtor lembrou que todo o setor agrícola nacional “vai ter de se adaptar às inevitáveis alterações climáticas” apontando umas das soluções para a região onde se insere a maioria dos associados da Horpozim.

“Estas explorações de Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Esposende estão localizadas entre os rios Ave e Cávado e deve-se pensar numa solução que possa aproveitar esses recursos hídricos, nomeadamente com regadios coletivos, que capte muita dessa água existente”, sugeriu.

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