Seguir o O MINHO

Viana do Castelo

Sarah Affonso e a arte popular do Minho em exposição a partir de sexta-feira em Lisboa

Exposição no Museu Calouste Gulbenkian reúne obras da pintora que nasceu em 1899, em Lisboa, onde veio a casar com José de Almada Negreiros, em 1934. Na infância veio viver para Viana do Castelo, onde ficou até aos 15 anos

em

Fotos: DR

O Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa, vai apresentar, a partir de sexta-feira, a exposição “Sarah Affonso e a Arte Popular do Minho”, um encontro entre a pintora e esta região, disse hoje a curadora Ana Vasconcelos, em visita guiada.

“Neste espaço de conversas [a galeria do piso inferior, do museu], a exposição é feita de pistas para a exploração deste encontro com Sarah, uma mulher fundamental para Portugal, não só por se ter casado com o conhecido artista Almada Negreiros, mas por ser ela própria uma artista conceituada dos anos 20 e 30”, explica a curadora.

Esta exposição reúne obras de pintura, desenho, bordado e cerâmica, inspiradas na iconografia popular do Minho, região que marcou fortemente a artista desde a infância e adolescência em Viana do Castelo, entre 1904 e 1915, e “que influenciou as suas criações artísticas”.

A pintora modernista “encontra-se sempre num percurso muito feminino”, seja no retrato de mulheres — lavradeiras, varinas, noivas, camponesas –, seja nas bijuterias, bordados, desenhos e pintura de cerâmicas.

“Quando pinta, mesmo que pareçam desenhos primários, Sarah sabe que quer desconstruir a figura e dar a volta ao cânone tradicional”, explica Ana Vasconcelos, acrescentando que a artista sentia que “as suas pinturas não eram percebidas”.

“Camponesas” – Sarah Affonso. Foto: Divulgação / Museu Calouste Gulbenkian

Um vestido de batizado, de 1934, bordado em seda e algodão, que “mostra o seu lado mais doce e feminino”, coleções de peças de cerâmica e barro, pintadas por Sarah, desenhos, quadros e objetos pessoais podem ser contemplados na mostra.

A ligação de Sarah Affonso com o Minho está representada por um traje rico de lavradeira, datado de 1882, uma coleção de postais, desde os finais do século XIX, com a evolução da figura feminina folclorista, e dois cartazes das Festas da Nossa Senhora da Agonia, de Viana do Castelo, de 1870.

“Casamento na Aldeia” – Sarah Affonso. Foto: Divulgação / Museu Calouste Gulbenkian

Esta parte da exposição, que integra vídeos, fotografias, documentos e ícones da tradição minhota, como o galo de Barcelos e bijuteria em filigrana, “representa a fixação da imagem do Minho, ativa até aos nossos dias, numa tipificação dos trajes, gestos e pessoas da região”, explicou a curadora.

Ao longo do percurso da exposição ressalta a cor azul cobalto, uma escolha que ficou a dever-se “à cor do quarto de Sarah e Almada Negreiros, quando viviam em Bicesse”, no concelho de Cascais, aponta.

À entrada da exposição, pode ver-se um retrato de Sarah, um quadro pintado por Mário Eloy, pintor modernista do século XX, inspirado numa pintura de Eduardo Viana.

Sarah Affonso com Almada Negreiros. Foto: Pinterest

Sarah Affonso nasceu em 1899, em Lisboa, onde veio a casar com Almada Negreiros, em 1934. Na infância foi viver para Viana do Castelo, onde ficou até aos 15 anos.

Estudou pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, onde foi discípula de Columbano Pinheiro e um dos seus derradeiros alunos. Dessa ligação, escreve a Gulbenkian, “terá ficado com o gosto pelo retrato e pela encenação de uma certa intimidade”.

“Foram poucas as mulheres que souberam transpor em Portugal as barreiras sociais à [sua] afirmação como artistas, nas primeiras décadas do século XX”, lê-se na apresentação da mostra.

A Gulbenkian recorda que Sarah Affonso “foi a primeira mulher a frequentar, contra todas as convenções, o [café] Brasileira, no Chiado, o que ilustra não só os preconceitos do seu tempo, mas também o espírito independente com que os encarava. Se, por um lado, o tempo em que viveu condicionou o seu percurso artístico, [também usou] as suas vivências e memórias, como matéria-prima da sua arte. Foi a partir da sua própria vida – da infância e dos laços de amizade e amor – que construiu uma linguagem e uma temática próprias”, escreve a fundação.

“Sarah Affonso e a Arte Popular do Minho”, desenvolvida no âmbito da celebração do 120.º aniversário da pintora, estará patente até ao dia 07 de outubro, na galeria do piso inferior do Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Anúncio

Viana do Castelo

Juiz manda prender jovem que fez vários assaltos com arma branca em Viana

Crime

em

Foto: DR / Arquivo

A GNR anunciou hoje a detenção de um homem, de 28 anos, por tentativa de roubo e de extorsão, no concelho de Viana do Castelo, o qual ficou sujeito à medida de coação de prisão preventiva.

“Na sequência de várias denúncias, por ameaças, tentativa de roubo e [de] extorsão, todas com recurso a arma branca, os militares desencadearam um conjunto de diligências policiais que levaram à identificação e detenção do suspeito que se encontrava na posse de uma faca de cozinha, de um ‘X-ato’ e [de] um canivete”, explica a GNR, em comunicado.

O detido, com antecedentes criminais pelo mesmo tipo de crime, foi presente ao Tribunal Judicial da Comarca de Viana do Castelo para primeiro interrogatório judicial, o qual lhe aplicou a medida de coação mais gravosa: prisão preventiva.

A detenção ocorreu no domingo, acrescentando a GNR que o arguido “já havia sido detido há cerca de um mês pelo furto de vários objetos em ouro, na residência da própria mãe, num valor a rondar os 25 mil euros”.

Continuar a ler

Alto Minho

Viana do Castelo apela à compra no comércio local

Covid-19

em

Foto: Divulgação / CM Viana do Castelo

A Câmara e a Associação Empresarial de Viana lançaram uma campanha com o “Compre em Viana, apoie o Comércio Local”.

“Em contexto de pandemia, a campanha visa transmitir e demonstrar a confiança e segurança na utilização dos equipamentos vianenses, no acesso aos alojamentos hoteleiros, restaurantes, cafés, pastelarias e estabelecimentos comerciais da cidade e do concelho”, refere a Câmara em comunicado.

A campanha tem por base, como esclarece o município, “as vantagens competitivas e diferenciadoras de Viana do Castelo, como as caraterísticas do território, a qualidade ambiental e do edificado, a extensão das praias, a segurança e os serviços de saúde, os desportos náuticos, os produtos endógenos, os espaços museológicos, a diversidade da oferta cultural, os amplos espaços de fruição e de lazer, a oferta hoteleira de elevada qualidade, a excelência da restauração e do comércio”.

A campanha de apoio ao comércio local está integrada na iniciativa “Havemos de ir a Viana”, de promoção da cidade e do concelho no pós-Estado de Emergência, lançada pelas duas entidades com o objetivo de promover a reativação do comércio, restauração e hotelaria vianenses.

A campanha junta-se ao selo “Comércio Seguro”, lançado no início deste mês e que já conta com a adesão de 1.200 estabelecimentos.

A iniciativa “Comércio Seguro” pretende reativar o comércio tradicional local através de um selo que garante que o negócio está a cumprir todas recomendações de prevenção da covid-19, emanadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Os kits, que incluem o selo, são atribuídos mediante a assinatura de uma declaração de compromisso e incluem um guia com as recomendações da DGS. O objetivo, explica o município, é ajudar a restabelecer o ambiente de confiança que deve existir entre consumidores e comércio tradicional e vice-versa.

Continuar a ler

Alto Minho

PSD de Viana lamenta alegada recusa do PS em auditar finanças da câmara

Vereadores do partido não formalizaram qualquer pedido, segundo garantem

em

Foto: DR / Arquivo

O PSD de Viana do Castelo lamentou hoje que a câmara, de maioria PS, tenha recusado uma proposta para auditar as finanças municipais, iniciativa que os dois vereadores social-democratas garantem não ter formalizado.

“O PSD de Viana do Castelo lamenta que o senhor presidente da câmara municipal tenha recusado a proposta de realização de uma auditoria externa às finanças municipais, com particular ênfase nos lapsos financeiros que se têm verificado, na dimensão do passivo em função da dívida existente e dos compromissos totais assumidos, apresentada na última reunião do executivo”, refere o comunicado hoje enviado pela concelhia, liderada por Eduardo Teixeira.

Contactada pela agência Lusa, a vereadora do PSD na autarquia, Cristina Veiga, afirmou que, “de forma vinculativa, não houve nenhuma auditoria pedida pelos dois vereadores que integram a bancada”, referindo-se ao colega, Hermenegildo Costa.

Na semana passada, a concelhia propôs “uma auditoria externa imediata às finanças municipais”, na sequência de um erro de digitação que a câmara admitiu ter ocorrido num contrato.

Em causa está o contrato para aquisição de um serviço de jantar da Gala do Desporto, que o município promove anualmente para homenagear os campeões do concelho, e que foi publicado na plataforma eletrónica de contratação pública como tendo custado mais de 1,3 milhões de euros, quando foi adjudicado pelo preço contratual de 13.407,80 euros.

Não, o jantar da gala do desporto em Viana não custou mais de um milhão de euros

Na ocasião, em resposta escrita a um pedido de esclarecimento efetuado pela Lusa, a autarquia presidida pelo socialista José Maria Costa explicou que, “efetivamente, e no que toca aos procedimentos concursais aludidos, existem erros de digitação, mas não processuais, ou seja, os procedimentos foram bem instruídos e são legais”.

Hoje, Cristina Veiga disse que terem sido dadas indicações pela concelhia do PSD aos dois vereadores no executivo municipal para que, na reunião camarária da última quinta-feira, realizada por videoconferência, propusessem a realização da auditoria, o que não veio a ocorrer.

“Os vereadores, após uma análise detalhada dos contratos, concluíram que não há qualquer possibilidade de haver outra coisa que não seja um erro grosseiro de processamento. Perante esse facto não foi feito o pedido da auditoria”, afirmou Cristina Veiga.

Fonte camarária hoje contactada pela Lusa adiantou “não constar da ata da reunião do executivo municipal de quinta-feira qualquer proposta do PSD para a realização de uma auditoria às contas da autarquia da capital do Alto Minho”.

No comunicado hoje enviado à imprensa, a concelhia presidida pelo também deputado eleito pelo círculo de Viana do Castelo refere que, “na hora da saída, o senhor presidente tinha a obrigação de prestar contas”.

“Infelizmente, sabemos agora que as contas municipais continuarão mascaradas até ao final do mandato. A somar a isto, não se vislumbra qualquer quarentena ou contenção nos ajustes diretos (instrumento legal para uso em situações excecionais) em compras de bens e serviços por parte do executivo”, adianta o documento.

O PSD disse ter “verificado a identificação do mesmo número de identificação fiscal referenciado para duas denominações de empresas distintas, uma destas contratada, em 2017, para uma prestação de serviços de impressão, no valor de cerca de 30.735 euros”.

“Para além disso, o proprietário destas é um dos fornecedores, direta e indiretamente, com mais faturação acumulada (mais de meio milhão de euros), neste tipo de serviços, nos dois últimos mandatos da câmara municipal”, refere.

A Lusa tentou contactar o presidente da câmara, sem sucesso.

Continuar a ler

Populares