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São estes os vencedores dos ‘Óscares portugueses’

Prémios Sophia 2019

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O filme “Raiva”, de Sérgio Tréfaut, conquistou o Prémio Sophia de melhor filme, da Academia Portuguesa de Cinema, e António-Pedro Vasconcelos, o de melhor realizador, na cerimónia realizada na noite de domingo no Casino Estoril.

A longa-metragem de Sérgio Tréfaut, que adapta o romance “Seara de Vento”, de Manuel da Fonseca, num retrato da exploração do trabalho e de injustiça social, liderou a noite ao arrecadar seis prémios, entre os quais o de melhor atriz principal, Isabel Ruth, melhor ator principal, Hugo Bentes, melhor ator secundário, Adriano Luz, e melhor fotografia, Acácio de Almeida.

Filmado no Alentejo, a preto e branco, “Raiva” conquistou ainda o prémio de melhor argumento adaptado, para Sérgio Tréfaut e Fátima Ribeiro, conseguindo assim a vitória na quase totalidade das principais categorias.

Quando da estreia do filme, em maio do ano passado, no festival IndieLisboa, Sérgio Tréfaut disse à agência Lusa que “Raiva” falava do abuso de quem detém toda a riqueza, sobre os que nada possuem.

“É um filme completamente fora de moda. Porque hoje em dia o assunto social relacionado com justiça social, ou com pobreza e com o abuso de poder por parte de quem tem dinheiro, está completamente fora de moda”, por oposição a questões identitárias, raciais, sexuais. “A questão social e a pobreza não interessam a ninguém”, mesmo que subsistam, disse então Sérgio Tréfaut.

Na contabilidade da noite, seguem-se os cinco prémios de “Soldado Milhões”, de Jorge Paixão da Costa e Gonçalo Galvão Teles, sobre o soldado Aníbal Milhais, que combateu na Primeira Guerra Mundial. O filme conseguiu o pr+emio de melhor argumento original (Jorge Paixão da Costa e Mário Botequilha), melhor montagem (João Braz), melhor som (Pedro Melo, Elsa Ferreira, Branko e Ivan Neskov), melhor direção artística (Joana Cardoso) e melhores efeitos especiais (Filipe Pereira e Manuel Jorge).

“Parque Mayer”, de António-Pedro Vasconcelos, um filme de época sobre o teatro de revista e o Estado Novo, liderava a lista de nomeações, ao ser indicado para 15 prémios, mas conseguiu três: melhor maquilhagem e cabelos (Abigail Machado e Mário Leal) e melhor guarda roupa (Maria Gonzaga), além de melhor realização.

Nos agradecimentos, António-Pedro Vasconcelos dedicou o prémio ao produtor e realizador António da Cunha Telles, que definiu como responsável “por tudo o que se fez [de bom] em Portugal” no cinema “e tudo o que não se fez, porque não o deixaram fazer”, recordando que o realizador de “O Cerco” não filma “há 13 anos”, “porque não o deixam filmar”.

Vasconcelos reclamou por isso “mais meios para o cinema português e outras políticas”, “para que não se percam talentos”, sobretudo “entre os mais novos”.

Na sétima edição dos prémios Sophia, o prémio de melhor documentário em longa-metragem foi para “O Labirinto da Saudade”, filme de Miguel Gonçalves Mendes sobre o pensamento do ensaísta Eduardo Lourenço.

Em curta-metragem, o melhor documentário foi “Kids Sapiens Sapiens”, de António Aleixo, em que três miúdos falam sobre educação.

“Sleepwalk”, de Filipe Melo, venceu o Sophia de melhor curta-metragem de ficção. Rodado nos Estados Unidos, o filme baseia-se numa banda desenhada concebida por Filipe Melo e Juan Cavia, para a revista Granta.

Como curta-metragem de animação foi distinguida “Entre Sombras”, de Alice Eça Guimarães e Mónica Santos. O filme foi nomeado para os Césares do cinema francês, em janeiro.

A série Sara, de Marco Martins e Bruno Nogueira, com Beatriz Batarda, exibida na RTP2 no ano passado, venceu o prémio de melhor produção televisiva de ficção.

Ana Bustorff, atriz secundária em “Ruth”, de António Pinhão Botelho, a banda sonora de Manuel João Vieira, para “Cabaret Maxime”, de Bruno Almeida, e a canção “Cudin”, de Tibars (Miguel Moreira) e Vasco Viana, para “Djon África”, de Joao Miller Guerra e Filipa Reis, foram outros distinguidos.

Os prémios Sophia de carreira, anunciados anteriormente, foram entregues aos atores Lia Gama e Pedro Éfe.

Os filmes vencedores (melhor filme, documentário de longa-metragem, melhores ‘curtas’ e prémio Sophia Estudante) serão exibidos na primeira edição da Festa do Cinema, a ocorrer em todo o país, nos dias 13 a 15 de maio.

A Festa do Cinema, com preços reduzidos em sala, terá este ano uma segunda edição, em outubro.

Os vencedores dos Sophia 2019 são…

Melhor Filme:

“Raiva”

Melhor Realizador:

António-Pedro Vasconcelos – “Parque Mayer”

Melhor Atriz Principal:

Isabel Ruth – “Raiva”

Melhor Ator Principal:

Hugo Bentes – “Raiva”

Melhor Atriz Secundária:

Ana Bustorff – “Ruth”

Melhor Ator Secundário:

Adriano Luz – “Raiva”

“Melhor Documentário em Longa-Metragem:

“O Labirinto da Saudade”, de Miguel Gonçalves Mendes

Melhor Documentário em Curta-Metragem:

“Kids Sapiens Sapiens”, de António Aleixo

Melhor Curta-Metragem de Ficção:

“Sleepwalk”, de Filipe Melo

Curta-Metragem de Animação:

“Entre Sombras”, de Mónica Santos e Alice Guimarães

Prémio Sophia Estudante:

“Terra Ardida”, de Francisco Romão – ETIC

Melhor Série/Telefilme:

“Sara”, de Marco Martins – Ministério dos Filmes

Melhor Direção de Fotografia:

Acácio de Almeida – “Raiva”

Melhor Argumento Adaptado:

Sérgio Tréfaut, Fátima Ribeiro, adaptado do romance “Seara de Vento”, de Manuel da Fonseca – “Raiva”

Melhor Argumento Original:

Jorge Paixão da Costa e Mário Botequilha – “Soldado Milhões”

Melhor Canção Original:

“Cudin” – Composição por Miguel Moreira aka Tibars e Vasco Viana – “Djon África”

Melhor Banda Sonora Original:

Manuel João Vieira – “Cabaret Maxime”

Melhor Montagem:

João Braz – “Soldado Milhões”

Melhor Maquilhagem e Cabelos:

Abigail Machado e Mário Leal – “Parque Mayer”

Melhor Guarda Roupa:

Maria Gonzaga – “Parque Mayer”

Melhor Som:

Pedro Melo, Branko Neskov, Ivan Neskov e Elsa Ferreira – “Soldado Milhões”

Melhor Direção Artística:

Joana Cardoso – “Soldado Milhões”

Melhores Efeitos Especiais/Caracterização:

Filipe Pereira e Manuel Jorge – “Soldado Milhões”

 

Notícia atualizada às 03h27 com mais conteúdo.

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