Santander paga 100 mil euros a cada um dos lesados de assalto a cofres em Braga

Assalto na noite de São João

Uma boa prenda de Natal para os lesados. 4,3 milhões de euros. É esta a verba disponibilizada pelo banco Santander para indemnizar os 43 donos de cofres que foram assaltados, numa dependência em Braga, em junho de 2018.

Fonte oficial do gabinete de comunicação do Santander adiantou que já houve acordo com cerca de 30 clientes, 75 por cento dos lesados, para o pagamento de até 100 mil euros a cada um. A entidade bancária aceita como boa a lista que lhe foi entregue pelos clientes que tinham bens, dinheiro, jóias, ou relógios valiosos, em cofres na dependência da Avenida Central.

“Alguns já receberam o dinheiro e os restantes vão tê-lo dentro de dias”, garantiu, acrescentando que continuam as negociações para que seja assinado um acordo idêntico com os outros.

Dez arguidos

No fim de junho, o Ministério Público de Guimarães acusou dez arguidos, um deles agente da PSP, membros de um gangue que fez uma dezena de assaltos a residências em Braga e no Minho e ao banco Santander. Furtando dinheiro e bens que o Ministério Público avalia em 4,7 milhões de euros. Entre os lesados estão, também, o empresário Domingos Névoa, o cantor arcuense Delfim Júnior, e o médico e antigo atleta do SC Braga, Romeu Maia.

No caso do Santander, entre os 43 clientes que tinham cofres alugados estão cerca de dez que reclamam mais de 100 mil euros e que, por isso, não querem aceitar este montante.

Um deles, antigo ourives em Braga e que solicitou o anonimato, salientou que tinha bens no valor de 150 mil euros, mas que resolveu aceitar os 100 mil, para “não trocar o certo pelo incerto”.

Acordo escrito

O acordo escrito entre as partes prevê que seja descontado àquela quantia, o valor das peças já recuperadas pela GNR ou pela PJ aquando da detenção dos arguidos.O Santander quer descontar nos 100 mil euros a pagar às vítimas, o valor das peças recuperadas pela polícia. Só que, explicou um dos lesados a O MINHO, há que ter em conta se vieram ou não danificados…”. Um relógio em ouro e antigo pode valer, por exemplo, 10 ou mesmo 20 mil euros. Se tiver uma amassadela ou um risco, pode valer só metade”. Daí que, em alguns casos, o acordo esteja mais demorado.

Após ter pago aos clientes, o banco assume, no processo que vai ser julgado em 2020, o consequente pedido de indemnização aos três arguidos envolvidos no assalto.

Até agora, os advogados Artur Marques, Licínio Ramalho e Nuno Albuquerque, representando nove dos 50 clientes avançaram com os respetivos pedidos de indemnização cível, de 2,2 milhões.

Visam o banco, e ainda, os arguidos Joaquim Marques Fernandes, Vítor Manuel Martins Pereira e Luís Miguel Martins de Almeida.

Obras no banco

Foto: DR / Arquivo

O banco estava em obras desde 15 de junho de 2018, e a porta blindada que trancava a antecâmera existente antes da porta gradeada que dá acesso aos cofres particulares ficou aberta e assim permaneceu até ao dia do assalto, a 22 de junho.

O banco “contra o que estava previsto, permitiu que o arguido Joaquim Fernandes, a 19 de junho, acedesse à zona de cofres particulares, para estudar o assalto, num momento em que a agência não estava aberta ao público e tivesse percebido que aquela porta blindada permanecia aberta e que o alarme estava inativo e com a indicação “falta ligar”.

Foto: Imagens CMTV

Dias depois, entrou pelas traseiras, e, durante várias horas, a coberto do ruído das festas de São João que decorriam na zona, serrou as grades e esvaziou os cofres, saindo com vários sacos.

Assaltos em Braga, Arcos, Ponte de Lima e Viana

O gangue fez, ainda, assaltos a várias casas na região do Minho (Braga, Arcos de Valdevez, Ponte de Lima e Viana do Castelo), onde, diz o Ministério Público, terá furtado mais 700 mil euros.

Tinha como informador o agente da PSP de Ponte de Lima, Carlos Alfaia, apanhado em escutas e mensagens telefónicas a contar a sua participação nos crimes e a pedir a sua “prenda”, ou seja, o dinheiro correspondente.

Associação criminosa

O MP considera que o mentor da “associação criminosa” é o arguido Joaquim Marques Fernandes (de Priscos, Braga) o qual terá criado o gangue em parceria com Vítor Manuel Martins Pereira (de Vila do Conde), Luís Miguel Martins de Almeida (de Braga) e Rui Jorge Dias Fernandes (Braga). Os quatro estão em prisão preventiva. Oito dos nove arguidos estão pronunciados por associação criminosa e de furto qualificado, havendo uma mulher, companheira de um deles, que apenas terá praticado o de furto

O grupo terá atuado “desde 2017 e até Junho de 2018 em Braga, Viana do Castelo, Ponte de Lima e Arcos de Valdevez”. Utilizava recursos tecnológicos sofisticados para praticar os assaltos, como inibidores de telecomunicaçõe de alarmes, gps’s, clonadores de chaves eletrónicas de automóveis e até instrumentos para neutralizar e afastar cães de guarda.

 
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