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Rui Tavares pede partido Livre “fiel aos seus princípios”

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O fundador do Livre Rui Tavares pediu hoje que o partido volte “aos seus princípios” e não esteja focado apenas na questão da retirada da confiança à deputada Joacine Katar Moreira.


O fundador Rui Tavares pediu que o IX Congresso do partido não seja monopolizado pela questão da retirada da confiança política a Joacine Katar Moreira e apelou à “firmeza” na defesa dos princípios do Livre.

“O Livre prefere ser fiel aos seus princípios do que manter quaisquer cargos políticos”, afirmou o fundador, na sua primeira intervenção sobre a resolução, desde que foram conhecidas as considerações da 42.ª Assembleia do partido.

O antigo eurodeputado anunciou ainda que irá apoiar a proposta ‘B’, adicionada hoje à ordem de trabalhos, a qual defende que a tomada de decisão relativa à retirada de confiança política em Joacine Katar Moreira passe para a próxima assembleia a entrar em funções, após o congresso.

A proposta ‘B’ surgiu no seguimento da proposta ‘A’, uma moção de confiança à assembleia cessante, apresentada por Miguel Won, candidato à assembleia do partido, e adicionada à ordem de trabalhos.

Rui Tavares acredita que os próximos órgãos, nomeadamente a assembleia, irão concluir o processo de forma “justa”, “transparente” e mais “humana”.

Relembrou os pilares ecológicos e europeus do partido e incentivou ao debate “com transparência e frontalidade”.

Por seu lado, Ricardo Sá Fernandes, do Conselho de Jurisdição, lamentou a “injustiça” praticada contra a deputada Joacine e também não ter sido consultado acerca da resolução elaborada pela 42.ª Assembleia do partido.

“Sou do partido do Rui Tavares, do Rafael, do Pedro Mendonça, da Joacine Katar Moreira e só me sinto bem se for deles todos”, acrescentou, apelando a um consenso.

“A minha consciência está tranquilíssima”, diz Joacine Katar Moreira

A deputada do Livre salientou hoje, perante o congresso, que a sua “consciência está tranquilíssima” em relação ao trabalho que efetuou, e acusou a assembleia do partido de “mentiras, manipulação e omissão” na resolução que apresentou.

Numa intervenção de pouco mais de 20 minutos, Joacine Katar Moreira Mostrou um documento com todas as iniciativas que ela e o seu gabinete levaram a cabo até agora na Assembleia da República.

“Estão aqui todas as coisas que fizemos até hoje”, disse enquanto mostrava, a partir do púlpito, um dossiê com várias folhas.

Na ótica da deputada, os trabalhos desenvolvidos ao longo de dois meses de mandato, foram sendo “desvalorizados sistematicamente e manipulados”.

“Este relatório fere a minha honra e a minha dignidade, está cheio de inverdades, de algumas mentiras e de manipulação e de omissão”, acusou.

Apesar disso, disse que a sua “consciência está tranquilíssima” porque os motivos “são facilmente rebatidos”, salientou.

“Qual é o motivo disto? O que é que faz com que os membros do meu partido, dois meses depois da minha eleição, façam um relatório cheio de inverdades e omissões?”, quis saber a parlamentar.

Joacine Katar Moreira queixou-se igualmente de ver a sua liberdade limitada.

“Desde a minha eleição eu venho sucessivamente a ser confrontada com a restrição da minha liberdade de escolha, que começou com a definição do gabinete da Assembleia”, frisou, apontando que “isto também não é cultura do Livre”.

Sobre esta questão, Joacine sublinhou que, “oficialmente, a deputada única é que escolhe as pessoas da sua confiança pessoal e política para o gabinete”, e ressalvou que “no Livre ninguém toma decisões por ninguém”.

A deputada justificou ainda a razão de não ter divulgado como votaria na generalidade o Orçamento do Estado para 2020, – referida como razão para a retirada da confiança política pela assembleia do partido -, com o facto de a sua abstenção ter sido noticiada anteriormente, informação alegadamente divulgada junto da comunicação social por um dos membros do Grupo de Contacto.

“Por causa disto é que eu optei por não fazer declaração nenhuma sobre o Orçamento, isto porque um órgão da direção já o tinha feito”, declarou a deputada única.

Joacine Katar Moreira lembrou ainda a declaração noticiada de que tinha sido “eleita sozinha”, negando tê-la feito, e dizendo que deu até uma entrevista em que a negou. A parlamentar criticou que tal entrevista tenha sido “ignorada” pelos órgãos internos do partido.

“Afinal umas entrevistas importam muito mais do que outras”, acusou, acrescentando que “ninguém é eleito sozinho”.

Joacine congratulou-se com a adesão que o congresso teve (estão presentes cerca de uma centena de pessoas), notando não fazer “ideia de onde vieram”, mas lamentou que o motivo não seja o melhor.

“Infelizmente, o elemento e o motivo desta união não é necessariamente a união, é a desunião”, apontou, considerando isso irónico, apesar de ser “um hábito” em muitos partidos.

Joacine Katar Moreira salientou, de seguida, que “o elemento fundamental tem que ser a ética e a verdade”, num momento em que está em cima da mesa o Livre retirar-lhe a confiança política.

“Eu acho que isto é algo absolutamente inédito, mas o facto é que nós também somos um partido inédito”, gracejou.

Joacine notou também que, apesar de a resolução da assembleia ter sido aprovada por unanimidade, “não estavam lá todos os membros, estavam lá 22”, dos 41 eleitos daquele que é o órgão máximo entre congressos.

Na sua ótica, a resolução apresentada a congresso mostra uma “vulgaridade absoluta e assustadora”.

É a prova de que “muitos de nós não estamos preparados para o voto que os portugueses nos deram a 6 de outubro”, considerou.

“Nunca me foi retirada a confiança política, aliás nunca me foi retirada confiança na minha existência”, sublinhou, acrescentando que “esta não é a cultura do partido Livre, ao menos teoricamente”.

A deputada lembrou a expressão “pontapé no estaminé”, presente no hino da sua candidatura, que quer mostrar que o partido não é igual aos outros.

Apesar de ter contado com poucas reações enquanto discursava, no final a deputada foi bastante aplaudida.

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Crianças imigrantes em Portugal têm risco acrescido de problemas de saúde mental

Estudo

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Foto: DR / Arquivo

As crianças imigrantes de primeira geração têm um risco acrescido de problemas emocionais e comportamentais e são mais vulneráveis a perturbações de saúde mental, conclui um estudo feito com crianças estrangeiras e portuguesas da Amadora.

“Se compararmos duas crianças do mesmo sexo, que pertençam a famílias com iguais rendimentos, onde os pais têm níveis de educação idênticos, a criança imigrante de primeira geração tem uma probabilidade 2,5 vezes maior de vir a desenvolver problemas de saúde mental”, disse, em declarações à agência Lusa, Rosário Oliveira Martins, do Instituto de Medicina e Higiene Tropical (IHMT) da Universidade Nova de Lisboa.

A abordagem à saúde mental das crianças insere-se num projeto mais abrangente do IHMT que, em colaboração com os nove centros de saúde da Amadora e o Hospital Amadora Sintra, está a fazer o seguimento da saúde de 420 crianças de 4 anos, portuguesas e filhas de famílias oriundas de Cabo Verde, Brasil, Angola, Guiné-Bissau e S. Tomé e Príncipe.

Os primeiros dados, recolhidos entre junho 2019 e março de 2020, mostraram, segundo Rosário Oliveira Martins, “um padrão de desigualdades sociais e de saúde mental, com as crianças imigrantes em desvantagem”.

“Pertencem mais frequentemente a famílias de baixos rendimentos, com pais com empregos mais precários e a fazer trabalhos pouco qualificados”, afirmou a coordenadora do Doutoramento em Saúde Internacional e líder do Grupo de Investigação “Population Health, Policies and Services” do IHMT.

Os resultados mostram ainda, acrescentou, que “as crianças imigrantes, sobretudo as de 1ª geração têm um risco acrescido de ter problemas emocionais e comportamentais e como tal são mais vulneráveis a problemas de saúde mental”.

Segundo Zélia Muggli, pediatra e coordenadora do trabalho de campo do projeto, verificou-se que “as crianças imigrantes, de primeira e segunda geração, tinham mais dificuldades do foro emocional do que as crianças nascidas em Portugal e filhas de pais também nascidos em Portugal”, disse.

Tendencialmente, estas crianças não verbalizam essas dificuldades, o que poder potenciar quadros futuros de depressão e ansiedade.

“As crianças que guardam tudo, que internalizam os problemas, têm a tendência de acabar deprimidas, enquanto as que exprimem insatisfação tendem a desenvolver hiperatividade e agressividade”, apontou, por seu lado, Thierry Mertens, professor convidado do IHMT e especialista em saúde global.

“Claramente, a tendência para as crianças da imigração é de internalizar os sentimentos”, acrescentou.

Na origem do agravar dos riscos surge, segundo estes dois especialistas em saúde de crianças vulneráveis, o próprio processo migratório das famílias.

“Com este estudo, temos indicações de que o processo migratório seja em si mesmo responsável por vários traumas, surgindo o processo de integração como uma agravante desses traumas”, afirmou Thierry Mertens.

Zélia Muggli acrescentou que as crianças são expostas a “situações de stresse” relacionadas com as condições de vida no país de origem, os fatores culturais, o trajeto até ao destino e a forma como é feita a sua adaptação e a integração.

“O estudo não é muito grande, mas sugere com muita força que as determinante processo de imigração e integração, desigualdades económicas e educação são fundamentais”, complementou Thierry Mertens.

“As vivências deste período vão influenciar muito a saúde mental e o bem-estar da criança”, apontou Zélia Muggli, sublinhando a “urgência” de atuar na prevenção, envolvendo o setor da saúde – com acesso a psicólogos e pedopsiquiatras – mas também os setores social e económico.

Das crianças participantes no estudo, 80% frequentavam o ensino pré-escolar, mas eram também as crianças imigrantes de 1ª geração que mais ficavam em casa com as mães ou outros familiares.

“Muitas destas dificuldades estão relacionadas com as desvantagens que esta famílias tem a nível socioeconómico e há um padrão crescente de desigualdades económicas que pode ser agravado com a pandemia de covid-19”, acrescentou.

Uma avaliação ao impacto da pandemia de covid-19 nestas famílias, feita também pelo IHMT, concluiu que as famílias imigrantes foram mais severamente afetadas pelo vírus do que as nativas em quase todas as frentes.

Mais de dois terços das famílias imigrantes (72%) viram o seu rendimento mensal diminuir devido à perda de trabalho ou à redução do salário durante a pandemia, um valor de apenas 49% para as famílias portuguesas.

Cerca de 46% das famílias imigrantes tiveram dificuldade em assegurar o acesso ao hospital durante a pandemia, enquanto apenas 12% das famílias nativas o fizeram e 39% das famílias imigrantes adiaram o pagamento de rendas, prestações de crédito ou despesas de água, gás e eletricidade durante a pandemia, contra 23% das nativas.

As famílias imigrantes residiam também em casas mais sobrelotadas e 20% referiram não ter um espaço em casa para que os seus filhos pudessem ter aulas à distância.

“Este resultado é consistente com estudos internacionais que referem que o fecho das escolas pode criar enormes desigualdades nas crianças e exacerbar as vulnerabilidades já existentes”, apontou Rosário Oliveira Martins

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Rússia diz que também foi alvo de ataques informáticos por causa da vacina

Covid-19

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Foto: DR / Arquivo

O diretor do Centro de Investigação Gamaleya, Alexander Ginzburg, informou hoje que os computadores da instituição que trabalha na primeira vacina russa contra a covid-19, a Sputnik V, foram alvo de ataques informáticos.

Numa entrevista a um canal de televisão russo, citada pela agência EFE, Ginzburg afirma que “houve ataques informáticos” e esclarece que aconteceram há uns meses, quando a vacina estava a ser desenvolvida.

“Não sou um especialista em tecnologias de informação e não posso dizer se estavam relacionados com a vacina ou não (…), mas houve tentativas de entrar nos computadores dos nossos programadores”, afirmou o dirigente.

Estas afirmações surgem dois meses depois de também o Reino Unido, os Estados Unidos da América e o Canadá terem dito que as suas investigações no âmbito da vacina contra o novo coronavírus foram pirateadas, presumivelmente por agências de inteligência russa, lembra a agência noticiosa espanhola.

Esta vacina russa foi registada em 11 de agosto e está na terceira fase de ensaios clínicos desde o início do mês.

Com a Sputnik V na última fase antes de aprovação, a Rússia tem também uma segunda vacina, desenvolvida pelo Centro Estatal de Investigação de Virologia e Biotecnologia Véktor, na segunda fase de ensaios, e que deve ser registada no dia 15 de outubro.

O país continua a registar um aumento de casos, com 7.523 novos diagnósticos nas últimas 24 horas, e soma já 1.143.571 infeções pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 desde o início do surto.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 993.438 mortos e cerca de 32,6 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.944 pessoas dos 72.939 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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Voluntários recolhem 19 toneladas de lixo marinho na costa portuguesa

Ambiente

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Foto: DR / Arquivo

Cerca de 19 toneladas de lixo marinho foram recolhidas durante a semana comemorativa do Dia Internacional da Limpeza Costeira, que contou com mais de 170 ações de limpeza.

Em comunicado, a Fundação Oceano Azul refere que as 70 ações de limpeza subaquática, que contaram com o envolvimento de 1.250 pessoas, limparam perto de 130 km de costa portuguesa e recolheram 19 toneladas de lixo.

Onze dessas ações de limpeza decorreram hoje em Sesimbra, no Parque Marinho Luís Saldanha, e juntaram mais de 200 mergulhadores amadores voluntários. Incluindo o ministro do Mar, Ricardo Serrão Santos, que também recolheu lixo marinho.

As ações de hoje permitiram a recolha de vários quilogramas de lixo que foi depositado a bordo do navio Santa Maria Manuela e que será contabilizado no final do dia.

O Dia Internacional da Limpeza Costeira, sempre no terceiro sábado de setembro, foi criado pela organização Ocean Conservancy e destina-se a promover a proteção dos oceanos, sendo atualmente assinalado em mais de cem países, reunindo milhões de voluntários na limpeza costeira.

Segundo a Fundação, em 2019, foram recolhidas 13 toneladas de lixo marinho em 65 ações de limpeza costeira, as quais envolveram mais de 2.300 voluntários e 100 organizações, tendo sido limpos mais de 80 quilómetros da costa portuguesa.

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