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Guimarães

Roubam garrafas antigas no valor de 3 mil euros em Guimarães para comercializar

Moreira de Cónegos

em

Foto: Divulgação / GNR

Dois homens, de 48 e 49 anos, foram esta terça-feira identificados pela GNR por suspeita de furto de garrafas antigas no valor de 3 mil euros, disse aquela força policial.


Em comunicado, o comando territorial de Braga dá conta da investigação levada a cabo por militares do Núcleo de Investigação Criminal de Guimarães, culminando com a identificação dos suspeitos.

O crime ocorreu no passado dia 11 de setembro, numa residência em Moreira de Cónegos. Os suspeitos terão subtraído “uma coleção de garrafas antigas, avaliada em 3 mil euros, com a intenção de a comercializar posteriormente”, refere a guarda.

Foto: Divulgação / GNR

“Após as diligências de investigação, foi possível identificar os dois suspeitos pelos crimes de furto e recetação, tendo sido recuperada a referida coleção e entregue ao legítimo proprietário”, aponta ainda a mesma nota.

Os suspeito foram constituídos arguidos e os factos foram remetidos ao Tribunal de Guimarães.

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Guimarães

Em vez de ir para o café, Manuel Baptista fez a cidade de Guimarães em miniatura

Artesanato

em

Fotos: Rui Dias / O MINHO

Nas traseiras da casa de Manuel Baptista, em Creixomil, Guimarães, num pequeno anexo, cabe toda a Cidade Berço. Ali está o santuário da Penha, a igreja de Nossa Senhora da Oliveira, o Paço dos Duques de Bragança, o Castelo e uma série de outros edifícios simbólicos da cidade. Tudo miniaturizado pelo artista, que já não tem mais espaço.

Não sabe de onde lhe veio o jeito para os trabalhos manuais. Sempre se lembra de ter talento para construir coisas. “Em criança era eu que fazia os meus brinquedos. Os meus carrinhos de rolamentos eram sempre os melhores”, recorda. Na década de cinquenta, praticamente não havia classe média em Portugal, ou se era rico, uma minoria, ou se era pobre, como quase toda a gente. 

Manuel Baptista tem a cidade nas traseiras da casa. Foto: Rui Dias / O MINHO

Manuel Baptista era pobre, foi criado pela avó até aos oito anos, em Aveleda, Braga, nessa altura veio viver com os pais em Guimarães. Era um tio que lhe pagava os estudos. “Sempre que fazia qualquer coisa de trabalhos manuais, saia melhor que o professor. Na escola não me aproveitaram”, lamenta-se. Fez o segundo ano da escola industrial e viu-se obrigado a deixar a escola. “Era o meu tio que me pagava os estudos e a minha tia não tinha muita vontade, torcia o nariz”, recorda. “Quando precisava de alguma coisa para a escola e passava lá por casa a pedir, ela despachava-me, mandava-me voltar mais tarde”. Chegar às aulas sem material era um passaporte para ser posto na rua. Cansou-se e acabou por desistir.

Manuel Baptista tem a cidade nas traseiras da casa. Foto: Rui Dias / O MINHO

Os anos de escola, apesar de tudo, não foram em vão. Numa altura em que uma grande parte da população portuguesa era analfabeta, saber ler e escrever já era uma grande vantagem. O primeiro dinheiro, no início da década de 1960, ganhou-o na porta do posto médico, a preencher boletins. “A empregada do posto médico era minha tia e encaminhava-os para mim. Chegava a ter fila. Davam uma coroa, duas, se davam cinco era uma festa”, relembra com um sorriso no rosto. “Naquela altura, chegava a tirar por dia mais que o meu pai”.

Mas o povo foi tendo cada vez mais instrução, se não eram os pais eram os filhos, ou os netos que preenchiam os papéis em casa e o negócio começou a escassear.  Meteu pés ao caminho, primeiro como empregado de sapataria, mais tarde numa papelaria. Na papelaria estava em casa: tintas e pincéis, guaches, canetas e marcadores, lápis de todos os tamanhos e papéis variados. Além de conhecer tudo aquilo, gostava imenso. Por isso ficou 22 anos, foi à tropa e voltou para lá. Só mudou de emprego, muito mais tarde, quando um amigo o convidou para a sua empresa, a Pizarro, na área da lavandaria, tinturaria, estamparia e acabamentos. “Foram os empregos que tive. Quando me reformei decidi que não me ia consumir mais”, diz com um sorriso.

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Aos 60 anos deixou de trabalhar, mas foi de lá para cá que realmente se dedicou ao artesanato. “Antes fazia pouco, fui fazendo sempre, mas era diferente. Agora, em vez de ir para o café, venho para aqui e ponho-me a fazer estas coisas”, diz olhando à volta o espaço apertado que lhe serve de oficina. Uma marquise nas traseiras da moradia, serve de morada ao peixe vermelho e ao canário, de armazém à lenha para o inverno e esconde a entrada apara a cave. O pouco espaço que resta – duas pessoas têm de se esforçar para se movimentarem sem deitar nada ao chão – é o atelier e o showroom de Manuel Baptista.

As paredes estão forradas com telhas decoradas. “Já fiz centenas”, fica pensativo, “bem centenas talvez não, mas dezenas!” Na parede há pelo menos trinta e, antes de a pandemia ter acabado com o turismo, vendia cinco a sete por semana, através de uma loja no centro de Guimarães, com quem tem uma parceria. “Talvez sejam mesmo centenas!”

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Tem horror ao trabalho em série. “O que me dá gosto é fazer a primeira peça. Depois, quando tenho de repetir, já não é a mesma coisa”. Certa altura, pediram-lhe para fazer cem cópias de uma miniatura da Torre da Alfândega (aquela onde se lê: Aqui Nasceu Portugal), recusou. “Não me ia dar gosto”, reconhece. Fez uma, achou-a despida demais e acrescentou-lhe uma Cantarinha dos Namorados. Para imitar o pó de mica da decoração, usou uma areia branca que serve, nas lavandarias, para dar o ar usado às gangas.

Aquilo que para uns é lixo, madeira para aceder a lareira, ou um seixo da praia, para Manuel Baptista é matéria-prima. O genro trouxe para casa uns restos de madeira, de moldes de sapatos, para pôr na lareira e logo nasceu um D. Afonso Henriques estilizado. 

Na família ninguém lhe acompanha o jeito. “O Sandro (o filho) faz uns desenhos, mas estas coisas sou só eu”, lamenta. Reconhece que o neto, de 13 anos, tem uma forma de olhar para os objetos que denota sensibilidade. “Às vezes pego num bocado de madeira e pergunto: que é que isto parece? Ninguém responde, só ele é que é capaz de ver alguma coisa”.

Os trabalhos de Manuel Baptista são de um detalhe minucioso, têm pormenores que resistem até à observação mais próxima. No modelo da Basílica de São Pedro, no largo do Toural, é possível espreitar pelas portas e ver os azulejos do átrio da entrada. É um trabalho de paciência e imaginação. Duma lata de refrigerante se faz um escudo para D. Afonso Henriques, de uma toalha de papel para bolos, uma linda cortina bordada, de um pedaço de arrame as ferragens de uma varanda. “Às vezes vou para a cama a pensar como resolver um problema de construção”.

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Foto: Rui Dias / O MINHO

Durante a maior parte da sua vida, não vendia nenhum dos trabalhos, acumulavam-se pela casa e iam constituindo uma galeria. Com a reforma e o tempo a sobrar, começou a ir a feiras de artesanato. “Tirei o cartão de artesão. Na altura vieram cá os técnicos do Instituto de Emprego e perguntaram-me com que escala trabalhava. Disse-lhes que com nenhuma. Nem sei trabalhar com escalas! Olho para a fotografia do edifício no livro e vai a olho. Se não sai bem, faço de novo”, esclarece.

A peça mais difícil que já fez, afirma, foi o santuário da Penha. “Tive que repetir a torre três vezes, não acertava com o tamanho”, confessa. Até há uns anos nem sabia que podia fazer estas reproduções com tanto detalhe. “Já tinha feito barcos para meter em garrafas, mas isto é diferente”. Um dia pediram-lhe para fazer uma miniatura da Caso do Carmo, primeiro hesitou, mas acabou por aceitar. A pessoa que fez o pedido ficou muito satisfeita e Manuel Baptista partiu desse para outros edifícios da Cidade Berço. Agora já não precisa de uma encomenda para lançar mãos à obra.

O santuário da Penha foi um projeto para matar o tempo durante a pandemia. Quem vê a peça percebe a dificuldade que envolveu, os vários volumes e as diferentes cores e texturas da pedra, tudo é percetível no modelo feito principalmente em cortiça, mas recorrendo a outros materiais sempre que os detalhes a isso obrigam, como no caso dos sinos.

Aos poucos uma cidade de Guimarães em miniatura vai ganhando forma no atelier de Manuel Baptista. “Projetos? Entreter-me, passar o tempo, divertir-me”. 

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Guimarães

Guimarães dá vacina da gripe a idosos na farmácia para aliviar centros de saúde

Saúde

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Foto: DR

Os habitantes de Guimarães com idade igual ou superior a 65 anos vão poder receber gratuitamente a vacina da gripe nas farmácias do concelho, ao abrigo de um protocolo hoje assinado, anunciou o município.

Em comunicado, o município refere que, desta forma, pretende-se aliviar o fluxo de pacientes nos centros de saúde.

Os custos da administração da vacina são assumidos pela Câmara Municipal e pela Associação Dignitude, no âmbito do programa “Vacinação SNS Local”.

Os beneficiários têm direito à livre escolha das farmácias abrangidas neste programa e para este efeito apenas têm de ser identificados pelo número do utente do Serviço Nacional de Saúde.

O protocolo envolve 31 farmácias do concelho.

Foi hoje assinado entre a Câmara de Guimarães, a Associação Dignitude e a Associação Nacional de Farmácias.

Citado no comunicado, o presidente da Câmara, Domingos Bragança, lembrou que “os profissionais de saúde estão sob uma imensa pressão por causa desta pandemia e é fundamental esta união de esforços para ultrapassar as dificuldades”.

Maria de Belém Roseira, embaixadora da Associação Dignitude, evidenciou o “exercício de inteligência colaborativo”, enaltecendo a “preocupação de Guimarães em criar soluções para os problemas”, num exemplo a seguir por outros municípios.

“É fundamental este trabalho de articulação no sentido de cada entidade fazer aquilo que lhe compete. Este processo ajuda a evitar a concentração de muitas pessoas nos centros de saúde ao permitir dispersar pelas farmácias, num esforço e salvaguarda da saúde pública”, salientou.

Já o presidente da delegação norte da Associação Nacional de Farmácias, Francisco Faria, afirmou que a assinatura deste protocolo “é um momento que fica registado e que terá impacto na vida das pessoas, resultado de um trabalho de colaboração em prol da população”.

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Guimarães

Menina de Guimarães com covid-19 esteve às portas da morte mas foi salva no Porto

Covid-19

em

Foto: CNIM

Uma menina de dez anos, residente em Guimarães, esteve 48 horas internada na unidade de cuidados intensivos do Centro Materno Infantil do Norte (CMIN), no Porto, conseguindo recuperar dos sintomas agravados pela covid-19.

Ana Marques, mãe da criança, disse a O MINHO que a filha começou por ter alguns picos de febre no outro domingo, seguindo para o Hospital de Guimarães onde fez o teste à covid-19, mas este revelou-se negativo. No entanto, foi detetada uma baixa nas plaquetas sanguíneas, algo que, pensaram, estaria a ser provocado por uma virose normal que não o SARS CoV-2.

“Na segunda-feira ela começou a ficar sem forças, não se levantava da cama e tinha muitas manchas pelo corpo todo. Liguei para a saúde 24 e disseram-me para a levar novamente ao hospital”, conta Ana Marques.

Novamente no hospital, os pediatras perceberam que as plaquetas sanguíneas estavam a descer, pelo que foi necessário internar para transfusão sanguínea.

Entretanto, por causa do internamento, a criança foi novamente testada à covid-19 e, desta vez, acusou positivo. Já o teste da mãe deu negativo.

“Ela foi internada por volta das 03:00 horas da manhã de segunda-feira, mas o estado clínico agravou-se e à tarde foi transferida para os cuidados intensivos do CMIN”, explica a mãe.

Além de covid positivo, a menina desenvolveu um quadro designado por doença de kawasaki, que provoca manchas no corpo e inflamação dos vasos sanguíneos.

Ana assegura que estes sintomas raros são derivados da covid-19 e que a filha foi o primeiro caso conhecido em Portugal.

“A grande maioria apareceu nos Estados Unidos e a primeira morte foi registada em França”, explica.

Esta quarta-feira, a menina continua internada no CMIN do Porto, desta vez na pediatria, já não estando nos cuidados intensivos. “Está sob vigilância permanente mas encontra-se francamente melhor”, revela Ana Marques.

“Foram 48 horas muito intensivas onde tudo fizeram para conseguir estabilizar o quadro dela até sair dos cuidados intensivos”, acrescenta a mãe, deixando um grande agradecimento aos profissionais do Centro Hospitalar do Porto por “salvarem a vida” da menina.

Deixa também um agradecimento à “doutora Raquel”, da pediatria do Hospital Senhora da Oliveira, em Guimarães, por ter agido “prontamente” sem nunca “descurar a atenção na menina”.

“Isto que sirva de alerta para os adultos e pais, para que tenham consciência que os nosso atos prejudicam os outros”, ressalva Ana Marques, relembrando que as crianças “são mais frágeis” e podem sofrer muito com o vírus.

O primeiro alerta para crianças infetadas com covid-19 que desenvolveram sintomas semelhantes à doença de Kawasaki foi dado no Reino Unido, em maio, pela Associação de Pediatras de Cuidados Intensivos do Reino Unido.

Acabou por ser secundado pela Associação Espanhola de Pediatria e pela Sociedade Italiana de Pediatras, depois de um “aumento aparente” de casos em apenas três semanas , junto de crianças que iam sofrendo um estado “inflamatório multissistémico que requer cuidados intensivos”.

Os sintomas da doença de kawasaki incluem febre ao longo de cinco dias, erupções cutâneas e gânglios linfáticos aumentados no pescoço.

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