Seguir o O MINHO

País

Reportagem: Norte-americanos procuram os Açores para fazer pilates e yoga em pranchas no mar

Reportagem da Agência Lusa

em

Foto: Ilustrativa

Uma luso-canadiana leva todos os anos um grupo de norte-americanos à ilha Terceira, nos Açores, onde nasceu, para um retiro de “sup joga”, uma mistura de yoga e pilates feita em cima de pranchas no mar.

À dificuldade dos exercícios de yoga e pilates junta-se a necessidade de manter o equilíbrio numa prancha insuflável, que vai balançando ao sabor das ondas, mas é isso que torna a modalidade divertida, segundo Joana Meneses, instrutora de yoga e pilates há 18 anos.

“Faz parte cair, por isso é que é joga, de jogar. A gente puxa pela filosofia da yoga e pela anatomia do pilates, mas também é brincar, é mexer com as pranchas e ver se a tua amiga ao teu lado pode cair na água. A gente diverte-se”, descreve, em declarações à Lusa, antes de iniciar mais uma aula na piscina do hotel em que o grupo fica alojado.

Há quatro anos que no verão Joana troca Nova Iorque, onde reside há mais de duas décadas, pela ilha em que nasceu, para das aulas de ‘sup joga’ a locais e a turistas na sua “malmequer”, um conjunto de 10 pranchas ligadas, em forma de flor, a outra no centro, a partir da qual vai demonstrando o que fazer.

Este ano, as inscrições para o retiro de sete dias superaram o número de vagas (e o número de pranchas disponíveis), com 11 participantes não só dos Estados Unidos da América, mas também da Alemanha e da ilha Terceira.

Para além do sup joga, o retiro inclui aulas de yoga e pilates ao ar livre, percursos pedestres, atividades náuticas, como observação de cetáceos, e jantares de gastronomia tradicional, para que os participantes tenham uma verdadeira “experiência açoriana”.

Kari Hansbarger conheceu Joana no prédio em que as duas moravam em Nova Iorque e, depois de integrar a sua turma de pilates, ajudou-a a desenvolver o programa ‘sup joga’ na água.

Há três anos que não perde o retiro na ilha Terceira, mesmo que este ano tenha cedido a prancha a uma amiga que queria experimentar a modalidade.

“Eu volto, não só pelo retiro, volto porque me apaixonei pelas pessoas. Elas são tão generosas. Apaixonei-me pela cultura, pela comida, pelo oceano, por tudo. É como voltar atrás no tempo, com todas as coisas que amamos sobre família e amigos. Há aqui qualquer coisa de muito especial e diferente, que eu não encontrei em lado algum em todas as minhas viagens”, salienta.

Natural da ilha Terceira, Sandra Canto experimentou as aulas de yoga e pilates no tapete, em 2016, e há dois anos que integra também o retiro junto com os turistas.

Diz que a aula tem benefícios para o corpo e para a mente e que é tão divertida que faz exercício sem dar por isso, ainda que no dia seguinte sinta dores.

“A primeira aula que eu tive com a Joana foi no jardim da Praia da Vitória. Eu estava a passar uma fase complicada da minha vida e aquela aula fez com que eu descobrisse o que eu queria verdadeiramente para a minha vida”, conta.

Joana Meneses saiu dos Açores com dois anos, quando os pais decidiram emigrar para o Canadá, mas os verões eram passados com frequência na terra natal e nunca perdeu o contacto com as raízes e com a língua.

“Sinto-me muito abençoada. O meu pai era tanto chegado à sua terra, à sua Terceira, que nunca deixou os filhos esquecerem a sua língua, a sua cultura, a sua família… E é por causa disso que eu agora posso voltar. Tenho amigos desde a infância, que acreditam muito neste programa. É a única maneira de eu poder fazer isto, porque isto dá muito trabalho”, apontou.

É numa mistura de português e inglês que conta como teve a ideia de criar o retiro na ilha Terceira, em 2015, numa ida à praia da Riviera, na Praia da Vitória, com o pai, que veio a falecer pouco depois com cancro.

“No verão, é sol e mar, mas no inverno fica um bocadinho mais frio, não se pode estar sempre na praia. Nesse dia, com o meu pai, eu disse: mas porque é que eu não posso vir nos verões e trazer pessoas para a minha terra”, relata.

Quando regressou aos Estados Unidos, falou com amigos surfistas e desenhou as pranchas insufláveis, em forma de malmequer – a flor preferida da mãe –, que mandou fazer numa empresa francesa.

Podia ter levado as pranchas para qualquer parte do mundo, mas é nos Açores que se sente “em casa”, pela forte ligação que mantém com as pessoas e com a natureza.

Este ano, decidiu deixar Nova Iorque, para onde partiu há 22 anos com o sonho de ser atriz, e instalar-se em Lisboa, no inverno, e na Terceira no verão.

“O meu objetivo é estar aqui na Terceira e dar aulas aos locais de meados de junho, quando o tempo fica bom no mar, até meados de setembro. E depois no inverno vou tentar trabalhar em Lisboa com exercício físico, pilates e yoga, mas nós já estamos a criar uma prancha que é interior, que obrigue a equilibrar como na água, mas que possamos fazer dentro de casa, para fazer retiros no inverno”, avançou.

No próximo ano, quer dar formação para que o programa que chama de Liquid Roots Sup Joga chegue a outros países, aumentar o número de retiros para quem chega de fora e criar retiros mais pequenos para os habitantes da ilha, que também já se deixaram conquistar pela modalidade.

“Os locais dizem-me: nunca pares de fazer o que estás a fazer, Joana”, revela, acrescentando que antes de chegar à ilha já a contactam nas redes sociais a perguntar quando regressa.

Anúncio

País

Parlamento aprova despenalização da eutanásia

em

A Assembleia da República acabou de aprovar os cinco projetos-leis de despenalização da eutanásia.

O debate sobre os cinco projetos de lei para a despenalização da morte medicamente assistida, na Assembleia da República, durou duas horas e 44 minutos.

Em 2018, o parlamento debateu projetos de despenalização da eutanásia, apresentados pelo PS, BE, PAN e Verdes, mas foram todos chumbados, numa votação nominal dos deputados, um a um, e em que os dois maiores partidos deram liberdade de voto.

Há dois anos, o CDS votou contra, assim como o PCP, o PSD dividiu-se, uma maioria no PS votou a favor. O BE, PAN e PEV votaram a favor.

Um grupo de cidadãos está a recolher assinaturas para realização de um referendo sobre a matéria, que tem o apoio da Igreja Católica, ao contrário do que aconteceu em 2018. Dos partidos com representação parlamentar, apenas o CDS apoia a ideia, assim como vários dirigentes do PSD.

(em atualização)

Continuar a ler

País

Eutanásia: Manifestantes defendem que há um país dentro da AR e outro fora

Eutanásia

em

Foto: Facebook

A ideia de que “ninguém pede para morrer se está bem” juntou hoje milhares de pessoas contra a despenalização da morte assistida junto ao parlamento, defendendo que há um país que está lá dentro e outro lá fora.

Durante duas horas, manifestantes de várias zonas do país concentraram-se no largo em frente à Assembleia da República para apelar aos deputados indecisos que tomem uma posição contra os cinco projetos de lei, que hoje estão em discussão e votação em plenário.

Artur Mesquita Guimarães era um dos presentes. Saiu às 08:15 de Vila Nova de Famalicão acompanhado por quatro dos seus seis filhos. Católico, criticou os partidos e deputados pelas iniciativas.

“Há um país que está lá dentro e um país que está cá fora”, afirmou Artur Mesquita Guimarães, que começou por dizer ser contra “referendar a vida”, mas, perante a atual situação, essa poderá ser a única solução viável.

No entanto, essa não era uma opinião unânime. Sofia Guedes e Graça Varão, fundadoras do Movimento Stop Eutanásia, explicaram à Lusa a sua posição desfavorável ao referendo: “Está em causa uma questão ética, moral, humana”, que não deve ser ” deixada ao sabor de um movimento da própria população, porque a vida está acima de opiniões individuais”.

Na manifestação de hoje, a maioria dos protestantes eram crianças ou jovens, como João Paulo Guimarães, de 19 anos, que faltou às aulas para participar na concentração.

“Ninguém pede para morrer se está bem”, disse à Lusa o estudante do 2.º ano de Engenharia Civil da Universidade do Porto.

Uma ideia corroborada por Paula Fonseca, de 58 anos, que hoje também participou nos protestos ao lado da sua mãe de 92 anos.

À Lusa, Paula Fonseca contou um episódio ocorrido com a sua prima Sara Fonseca, enfermeira no Alentejo: “O senhor queria morrer e decidiram modificar-lhe a medicação. No dia seguinte, quando acordou, disse ‘obrigada, enfermeira Sara, esta noite até fiz amor com a minha mulher’. No dia seguinte morreu”.

Também a futura enfermeira Marta, de 21 anos, partilha a ideia de que a solução passa por um maior investimento nos cuidados paliativos, e não pela despenalização da eutanásia, contanto que a sua experiência profissional tem reforçado essa opinião.

“Vejo muito sofrimento em hospital, mas nunca vi uma pessoa a pedir para morrer”, disse a estudante do 4.º ano de Enfermagem à Lusa, sublinhando que “as pessoas pedem companhia, consideração e valor, não pedem para morrer”.

O estudante de engenharia do Porto João Paulo Guimarães contou que a eutanásia tem sido debatida nas aulas e também nas missas.

“No domingo, no fim de todas as missas, o senhor padre avisava sempre que havia alguém à porta a recolher assinaturas”, contou o jovem, que frequenta uma paróquia em Famalicão.

Adelaide, de 75 anos, trocou hoje o conforto da sua casa em Famalicão pelas ruas de Lisboa. Tem lutado pelo referendo e contou à Lusa que, sempre que pode, vai para a sua paróquia ajudar a recolher assinaturas.

No início do mês, um grupo de cidadãos iniciou uma recolha de assinaturas para a realização de um referendo. Durante o protesto, várias jovens tinham hoje como missão angariar novos nomes, com o objetivo de atingir as 60 mil necessárias para o assunto ser referendado.

Muitos dos manifestantes consideraram que a despenalização da eutanásia é um “retrocesso civilizacional” e criticaram os partidos por apresentarem projetos que não constaram dos seus programas eleitorais.

Depois de duas horas a protestar em frente ao parlamento, os manifestantes seguiram para uma das entradas laterais da assembleia para tentar entrar e assistir ao debate, que começou as 15:00.

Por volta das 17:00, ainda havia dezenas de pessoas à espera para entrar, uma vez que os lugares nas galerias foram hoje poucos para tanta gente interessada no tema.

Apesar do assunto ser sério, alguns dos contestatários conseguiam manter a boa disposição durante todo o dia, como Paula Fonseca que perguntou à mãe, de 92 anos, se “estava interessada numa pastilha para ir desta para melhor”.

A Assembleia da República debate em hoje cinco projetos de lei para a despenalização da morte assistida, do BE, PS, PAN, PEV e Iniciativa Liberal, que preveem essa possibilidade sob várias condições.

Em 2018, o parlamento debateu projetos de despenalização da eutanásia, apresentados pelo PS, BE, PAN e Verdes, mas foram todos chumbados, numa votação nominal dos deputados, um a um, e em que os dois maiores partidos deram liberdade de voto.

Há dois anos, o CDS votou contra, assim como o PCP, o PSD dividiu-se, uma maioria no PS votou a favor. O BE, PAN e PEV votaram a favor.

Um grupo de cidadãos está a recolher assinaturas para realização de um referendo sobre a matéria, que tem o apoio da Igreja Católica, ao contrário do que aconteceu em 2018. Dos partidos com representação parlamentar, apenas o CDS apoia a ideia, assim como vários dirigentes do PSD.

Continuar a ler

País

Eutanásia: Milhares de pessoas iniciam protesto em dia de votações no parlamento

Eutanásia

em

Foto: Ilustrativa / DR

Milhares de pessoas, na maioria jovens, iniciaram hoje uma concentração em frente da Assembleia da República, em protesto contra as propostas de despenalização da morte assistida em discussão e votação no parlamento.

O debate das cinco propostas está previsto para as 15:00, mas às 13:00 milhares de manifestantes estavam já reunidos no local e alguns jovens recolhiam assinaturas para a realização de um referendo sobre este tema.

“Quem somos nós para matar?”, era um dos ‘slogans’ mais usados no início do protesto.

Dois jovens levavam dois dos três pastorinhos [de Fátima] – uma “Santa Jacinta” e um “São Francisco”, em barro com cerca de 50 centímetros de altura, como significado de “fé na vida”.

Ao lado, outros jovens carregavam cartazes representando o “Google Tradutor”, em que se convertia a expressão “quero morrer” para “quero cuidados paliativos”.

Uma das personalidades que marcou presença no início do protesto foi o líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, que, apesar dos símbolos religiosos presentes manifestações, considerou que a questão hoje em debate “ultrapassa as fronteiras da fé”.

Em declarações aos jornalistas, o líder do CDS-PP criticou os partidos com propostas de despenalização de morte assistida, afirmando que os programas eleitorais foram omissos e que o tema não foi incluído no debate da campanha eleitoral para as últimas legislativas.

Para Francisco Rodrigues dos Santos, que falava acompanhado por outras figuras do partido como Telmo Correi e Ribeiro e Castro, os partidos estão a procurar legislar de forma “leviana e irresponsável” e estão a fazê-lo de modo “bater todos os recordes de velocidade”.

Sobre a recolha de assinaturas para o referendo, o dirigente partidário defendeu que é uma forma de “permitir que o povo português se pronuncie”, em vez de o país ficar à mercê da “consciência de 230 deputados”.

A Assembleia da República debate em hoje cinco projetos de lei para a despenalização da morte assistida, do BE, PS, PAN, PEV e Iniciativa Liberal, que preveem essa possibilidade sob várias condições.

Em 2018, o parlamento debateu projetos de despenalização da eutanásia, apresentados pelo PS, BE, PAN e Verdes, mas foram todos chumbados, numa votação nominal dos deputados, um a um, e em que os dois maiores partidos deram liberdade de voto.

Há dois anos, o CDS votou contra, assim como o PCP, o PSD dividiu-se, uma maioria no PS votou a favor. O BE, PAN e PEV votaram a favor.

Um grupo de cidadãos está a recolher assinaturas para realização de um referendo sobre a matéria, que tem o apoio da Igreja Católica, ao contrário do que aconteceu em 2018. Dos partidos com representação parlamentar, apenas o CDS apoia a ideia, assim como vários dirigentes do PSD.

Continuar a ler

Populares