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Reivindicações de medidas equitativas ao passe único fora de Lisboa e Porto

“Os transportes coletivos em Lisboa ou Porto recebem já (entre barcos, metros, comboios ou autocarros) mais de 120 milhões de euros de indemnizações compensatórias, pelos serviços públicos prestados”.

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Foto: DR

A Câmara de Vila Real reivindicou hoje medidas “equitativas ou equivalentes” ao passe único, com custo reduzido, que foi anunciado pelo Governo para as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

“Aguardamos ansiosamente a apresentação das medidas equivalentes ou equitativas para o resto do país, nomeadamente para o interior”, afirmou, em comunicado, o município liderado pelo socialista Rui Santos.

Há precisamente um mês, numa entrevista à SIC Notícias, também Ricardo Rio, autarca de Braga, também exigiu a redução dos passes sociais para todo o país, e não apenas na Grande Lisboa e no Grande Porto.

03/09/2018 Imagens: SIC Notícias 

O Governo anunciou a intenção de apoiar financeiramente a criação de uma modalidade de passe único, que permitirá aos utentes de transportes coletivos nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto deslocarem-se nesses territórios, alternando entre vários tipos de transporte, quer de operadores públicos, quer de privados.

Este passe permitirá também que as crianças até aos 12 anos sejam transportadas gratuitamente, que o preço do passe esteja limitado a 30 euros dentro de cada concelho e a 40 euros dentro de cada uma das áreas metropolitanas e ainda que cada família gaste, no máximo, 80 euros em transportes públicos, somando os preços dos vários passes de cada elemento da família.

O município de Vila Real, naquele comunicado, congratulou-se com estas medidas, que frisou que “apoia inequivocamente”.

E disse ainda compreender as “diferenças entre as áreas metropolitanas e o resto do país ao nível da mobilidade, trânsito e ambiente”, no entanto, ressalvou que, “infelizmente há muitas outras diferenças, com óbvio prejuízo nomeadamente para o interior”.

A autarquia destacou o rendimento “genericamente inferior” das famílias que não vivem nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e, portanto, defendeu que “a preocupação do Governo em aumentar o rendimento das famílias, diminuindo os encargos com transportes, deve ser generalizada a todo o país”.

Elencou ainda as distâncias, que nas “cidades se medem em tempo, mas que no interior se medem em quilómetros”.

“Em Lisboa e no Porto terá que se vencer o trânsito lento, mas em Vila Real, Boticas, Mesão Frio ou Mondim de Basto terão que se vencer dezenas de quilómetros, por exemplo, até ao hospital público mais próximo. Ambas as situações são muito caras”, referiu.

Para o executivo de Rui Santos, “uma criança de 12 anos em Lisboa, Porto, Vila Real ou Évora deverá ter o mesmíssimo direito de ser transportada gratuitamente em transportes coletivos”.

“Não acreditamos na existência de portugueses de primeira e de segunda. Não faz sentido que se eduquem as crianças de Lisboa e do Porto para a importância da utilização de transportes coletivos e se faça a apologia do transporte individual em Vila Real, Braga, Coimbra ou Guarda”, sublinhou.

A câmara de Vila Real lembrou “que os transportes coletivos em Lisboa ou Porto recebem já (entre barcos, metros, comboios ou autocarros) mais de 120 milhões de euros de indemnizações compensatórias, pelos serviços públicos prestados”.

Um valor deverá “ser aumentado, fruto da existência do passe único”.

“Por exemplo inverso, em Vila Real, os transportes públicos urbanos custam 200 mil euros por ano à autarquia, que não é ressarcida de todo. No caso dos transportes escolares, a fatura anual de 890 mil euros é paga integralmente pela autarquia e pelas famílias dos alunos”, sublinhou.

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