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Recolhimento domiciliário para todos, multas mais pesadas e escolas abertas

Covid-19

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Regressar ao dever de recolhimento domiciliário tal como tivemos em março e em abril, com uma excepção (que se prende com as eleições presidenciais) e continuidade do pleno funcionamento de todos os estabelecimentos educativos como até agora. São essas as medidas adoptadas pelo Governo face ao novo confinamento que entra em vigor a partir das 00 horas de dia 15.

Fica em vigor o dever de recolhimento domiciliário, com obrigatoriedade para teletrabalho, e com as exceções que já existiam, pelo período de 15 dias mas com “horizonte de um mês”.

Para além da restauração e do comércio não alimentar, também barbearias e cabeleireiros vão encerrar. O futebol profissional não vai parar. As cerimónias religiosas são permitidas de acordo com normas da DGS. Serviços públicas ficam abertos mediante marcação prévia. Estabelecimentos culturais encerram.

Os restaurantes podem servir em take-away ou entrega ao domicílio.

“Não nos procuremos distrair com as excepções. A regra é simples: cada um de nós deve ficar em casa. Não deixamos de ir à mercearia fazer as compras, trabalhar, mas a regra é o essencial: ficar em casa”, disse António Costa, que anunciou as medidas depois de reunião de Conselho de Ministros face ao novo estado de emergência e confinamento em Portugal.

Multas vão ‘dobrar’ para quem não usar máscara na rua

Sobre as escolas, depois de ouvir representantes de famílias, diretores de escolas, profissionais e depois de “avaliar as consequências irrecuperáveis para o processo educativo que a interrupção letiva, não podemos voltar a repetir. Por isso, com cautelas que tornaram a escola segura, vamos manter a escola em funcionamento”, disse.

Momento “mais perigoso”, mas de “maior esperança”

O primeiro-ministro destaca este como o momento “mais perigoso”, mas o de “maior esperança” desde o início da pandemia, face à vacinação que já arrancou.

“Tivemos mais 156 mortos hoje, ontem mais 155, um total de 535 pessoas que morreram de covid desde o passado domingo, percebemos que estamos no momento mais perigoso, e pior, o que torna difícil é que mesmo a esperança que a vacina nos dá, é a mesma esperança que alimenta o relaxamento que torna a pandemia mais perigosa”, afirmou o primeiro-ministro.

Teletrabalho obrigatório e sem necessidade de autorização da entidade empregadora

“Temos de novo, tal como fizemos no início, em junho e em outubro, de nos unir para travar o crescimento de pandemia, esmagar a curva, salvar vidas, proteger o SNS, apoiar profissionais de saúde e tratar de nos ajudarmos uns aos outros”, sublinhou.

Costa voltou a apelar ao uso de máscara, higienização, distanciamento e etiqueta respiratória, dizendo que “temos de parar isto”.

O primeiro-ministro anunciou ainda que as multas vão ser mais ‘pesadas’, com a duplicação dos valores das coimas para incumprimento das regras do Estado de Emergência e do teletrabalho obrigatório.

Todas as empresas encerradas vão ter acesso automático ao lay-off simplificado, que desta vez contempla um apoio de 100%.

Não há novas restrições em relação a voos para os arquipélagos.

Costa diz que as medidas, “como sempre”, serão revistas daqui a 15 dias, mas é pouco provável que as mesmas sejam aliviadas nessa altura. “Devemos assumir as medidas para o horizonte de um mês”.

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Portugal já terá 20 mil casos da variante inglesa

Covid-19

Foto: DR / Arquivo

Portugal já terá cerca de 20.000 pessoas infetadas com a variante inglesa do coronavírus SARS-Cov-2, disse hoje à Lusa um dos autores de um estudo realizado pelo laboratório Unilabs para o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).

“Já identificamos mais de 1.500 amostras da estirpe inglesa. Atestando a representatividade da nossa testagem, significa que o país terá neste momento 20 mil infetados de estirpe inglesa. E isso é que explica, de facto, esta explosão (de novos casos) que nós temos tido”, disse Carlos Sousa, especialista em biologia molecular e um dos autores do estudo “Vigilância em tempo real da prevalência e distribuição geográfica da estirpe inglesa do SARS-CoV-2”.

De acordo com Carlos Sousa, o estudo científico extrapola que a variante do SARS-Cov-2, que provoca a doença covid-19, inicialmente detetada no Reino Unido já é “responsável por cerca de 20% das novas infeções em Lisboa e Vale do Tejo” e que “dentro de três semanas a estirpe inglesa vai afetar 60% do total de infetados”.

“A projeção do artigo que nós escrevemos, e que foi agora submetido [no INSA], estima que na semana cinco do (atual) confinamento – primeiras semanas de fevereiro – 60% das infeções já serão pela estirpe inglesa. Será catastrófico, porque se tivermos 14 mil casos por dia ou 15 mil infetados e se forem 60% da estirpe inglesa, então significa que teremos, por dia, cerca de 10 mil casos só de estirpe inglesa, que é cada vez mais infecciosa”, adiantou.

Para o especialista em biologia molecular, o “grande perigo desta estirpe é que tem ela tem uma capacidade de propagação muito alta porque tem cargas virais mais altas”.

Outra conclusão do estudo, “muito interessante por causa da polémica das escolas”, é que na distribuição etária dos infetados pela nova estirpe, a proporção dos indivíduos dos 10 aos 19 anos de idade é mais representativa do que, por exemplo, as pessoas dos 60 aos 69 anos e por aí fora. (…) Por isso é que o Reino Unido fechou as escolas”, disse o especialista”.

Segundo Carlos Sousa, o estudo e o método, por ser em tempo real, permite às autoridades, por exemplo, decretar um “cerco sanitário numa localidade ou numa freguesia e isso é que é o grande ‘insight’ (visão inovadora) deste trabalho”.

“No fundo o que nós conseguimos, e fomos o primeiro país da Europa a seguir a algumas regiões de Inglaterra, é que temos uma monitorização em tempo real de como é que a estirpe inglesa está a atacar, onde e com que extensão. Por exemplo, sabemos que um ou dois municípios em particular – região de Lisboa com o aeroporto perto e outro na zona Norte -, têm ‘clusters’ da estirpe inglesa”.

O INSA e a empresa de laboratórios Unilabs desenvolveram uma ferramenta para monitorizar e sinalizar em tempo real a prevalência e a distribuição geográfica em Portugal da variante do coronavírus SARS-CoV-2, que provoca a doença covid-19, detetada no Reino Unido, permitindo uma melhor atuação das autoridades de saúde pública.

Os investigadores que produziram o relatório apresentam “dados abrangentes” que comprovam que a proporção de amostras desta variante “está a aumentar significativamente em Portugal”.

As conclusões do relatório resultam da análise de 27.096 casos confirmados positivos pelo ensaio “ThermoFisher TaqPath RT-PCR, recolhidos desde 01 de dezembro de 2020, em 287 instalações do laboratório Unilabs distribuídas por todo o continente.

Os investigadores observaram que a proporção de casos da nova variante aumentou de cerca de 1% nas semanas de 30 de novembro a 06 de dezembro de 2020 para 11,4% na semana de 11 a 18 de janeiro deste ano.

Portugal registou hoje 219 mortes relacionadas com a covid-19 e 14.647 novos casos de infeção com o novo coronavírus, os valores mais elevados desde o início da pandemia, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 2.058.226 mortos resultantes de mais de 96,1 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 9.465 pessoas dos 581.605 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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Rui Rio pede a Costa para encerrar escolas já na quinta-feira

Covid-19

Foto: DR / Arquivo

O presidente do PSD, Rui Rio, pediu hoje ao primeiro-ministro, António Costa, que encerre as escolas, a partir de quinta-feira, como forma de conter a epidemia de covid-19.

“Faço-lhe um apelo público para que determine o encerramento das escolas” a partir de quinta-feira, escreve Rui Rio, em comunicado, no seguimento das notícias de que Costa “vai repensar, ainda hoje, a questão das aulas presenciais”.

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Suíça volta a colocar viajantes de Portugal em quarentena obrigatória

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Foto: DR

Portugal voltou a entrar para a ‘lista de países de risco’ da Suíça, sendo por isso obrigatória a quarentena durante dez dias para quem viaje do nosso pais para aquele território europeu.

O anúncio foi feito hoje pelo Gabinete Federal de Saúde e entrará em vigor a partir de 01 de fevereiro. Mesmo quem tenha teste negativo para apresentar à chegada, será sujeito ao período de dez dias de isolamento obrigatório. O incumprimento vale uma multa de 9.350 euros.

Para além de Portugal, outros países como França e Itália também estão na lista. Em comum, todos estes países, incluíndo Portugal, registam novas infeções acima da média definida pelas autoridades europeias por cada 100 mil habitantes ao longo dos últimas 14 dias e excedem os números da Suíça por mais de 60%.

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