“Queremos ser um facilitador dos bons projetos que temos em Portugal para os investidores do Qatar”

Nuno Anahory dá como exemplo investimento qatari no SC Braga

Portugal e o Qatar celebram em 2022 “40 anos das relações económicas”, as quais são atualmente “muito positivas”, considera, em entrevista à Lusa, o ‘chairman’ e fundador do Fórum Portugal Qatar, Nuno Anahory.

A um mês do arranque do Mundial de Futebol 2022, que decorre pela primeira vez num país árabe, o presidente da associação faz um balanço positivo de quatro décadas de relações económicas entre os dois países e acredita que estas podem ser reforçadas.

“Este ano 2022 é o ano em que se celebram os 40 anos das relações económicas entre Portugal e o Qatar”, as quais “acreditamos que podem se muito melhoradas”, afirma Nuno Anahory, salientando que o Fórum procura dinamizar essa comunicação entre os dois lados.

O estabelecimento das embaixadas aconteceu em 2009, quer em Portugal, quer no Qatar, “e nós procuramos” em associativismo privado e de empresários portugueses “contribuir para a dinamização das relações económicas entre Portugal e o Qatar”, sublinha.

“Os dois países, institucionalmente, têm excelentes relações e por razões de relações históricas do passado – no tempo dos Descobrimentos Portugal passou pela zona do Qatar”, conta, apontando que próximo de Doha existe um forte da armada portuguesa, em Omã.

Portanto, “as relações entre Portugal e a comunidade árabe são históricas, dos tempos em que os árabes ocupavam também o território português e, desses tempos, ficaram uma série de memórias”, prossegue o presidente do Fórum, que classifica as relações atuais como “muito positivas” e “muito saudáveis”.

O que “nós procuramos, por via da iniciativa privada, é alavancar essas relações nos diversos setores”, desde a economia, passando pelo desporto, cultura, turismo, entre outras, continua.

Ou seja, seguir “um pouco as oportunidades e as solicitações que nos são feitas, quer em Portugal, quer no Qatar”.

Atualmente, diz, existe uma comunidade de “cerca de 1.500 portugueses” a residir no Qatar, “são trabalhadores que estão integrados em empresas internacionais ou empresas do Qatar”

Aliás, o trabalho dos portugueses no Qatar “é reconhecido como sendo (…) de qualidade e com muito mérito”, refere.

Nuno Anahory salienta que a decisão de realização do Mundial de Futebol no Qatar “foi tomada há 12 anos” e isso “teve como consequência uma dinâmica nas infraestruturas e na transformação do país”, o que passou por várias obras públicas: construção de estádios, infraestruturas, metro, caminhos de ferro, viadutos, o que tornou este país do Médio Oriente “completamente diferente”.

Entretanto, as empresas portuguesas foram “à procura das oportunidades” que existem no país e, durante esse processo, nomeadamente aquando da assistência da ‘troika’ a Portugal, “vimos uma grande dinâmica” na área da construção, arquitetura e engenharia, afirma.

“Continua esta dinâmica de empreendedorismo de portugueses que vão lançar as suas empresas no Qatar”, diz, apontando as ‘fintech’, saúde ou os media – este último “concentra muitos portugueses no Qatar” – como áreas de aposta.

Partilha ainda que há cerca de seis anos, quando esteve no Qatar, assistiu no dia internacional da língua portuguesa ao “primeiro curso de português para árabes”, uma “curiosidade” que demonstra o interesse daquele país em Portugal.

“O Qatar está a descobrir Portugal, claramente. Esse é um trabalho para o qual todos nós procuramos contribuir um pouco no sentido de promover e posicionar Portugal no radar dos interesses do Qatar”, sublinha.

Quanto aos interesses de Doha em Lisboa, Nuno Anahory destaca o imobiliário, hotelaria, desporto, ou até na área das ‘fintech’, entre outros.

O Qatar “tem estado a investir em alguns projetos na área do imobiliário e este ano creio que é um ano de grande mudança (…) de paradigma”, não só porque abriu em agosto no Algarve “uma cadeia internacional de hotéis, cujo proprietário é do Qatar” – o W -, mas também, recentemente, “em termos desportivos”, o Qatar Sports Investments (QSI) comprou 21,67% do capital social do SC de Braga.

“Queremos ser um facilitador, um promotor dos bons projetos que temos em Portugal para os investidores do Qatar”, reforça o ‘chairman’.

Quanto ao Mundial 2022, Nuno Anahory salienta que no Qatar há “muitos adeptos” do Cristiano Ronaldo e há “uma expectativa enorme” relativamente ao desempenho de Portugal. Aliás, existe uma comunidade de portugueses no Qatar que está “a dinamizar uma série de atividades” no país com torneios de futebol.

“Obviamente que o futebol e estes eventos são sempre facilitadores da promoção da cultura e da conexão entre os povos”, sublinha.

Quanto à questão que envolve os direitos dos trabalhadores estrangeiros naquele país, o responsável admite que, quando o Qatar conquistou a organização do Mundial de Futebol deste ano, o país não estava preparado para a “dinâmica de obra e de necessidade de contratualizar recursos humanos para trabalhar nestas obras e nessas infraestruturas”.

Na sequência disso, “foram cometidos muitos erros, seguramente que foram, mas creio que foi um processo de aprendizagem também da parte do Qatar e que conseguiu aos poucos, enfim, em alguns casos, de uma forma mais tardia, há que reconhecê-lo internacionalmente, (…) implementar uma série de regulamentos, normas que têm a ver com as condições dos trabalhadores”, considera.

Conseguiu, por exemplo, “ser o primeiro país árabe a implementar um salário mínimo e o direito a uma compensação pelo final do contrato”, algo que são direitos adquiridos na Europa, refere, salientando que existe uma diferença entre o país que era antes da organização do Mundial e atualmente.

A fase final do Mundial vai ser disputada entre 20 de novembro e 18 de dezembro, dia nacional do Qatar, por 32 equipas.

Portugal integra o Grupo H da competição, com Uruguai, Coreia do Sul e Gana.

 
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