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Opinião

PSD tem de se afirmar num Rio tranquilo

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ARTIGO DE EDUARDO TEIXEIRA

Eduardo Teixeira, Presidente do PSD de Viana do Castelo e Conselheiro Nacional do PSD

 

Num momento em que a geringonça ou frente de esquerda governa, sem legitimidade democrática, há mais de três anos, gerindo um cuidadoso plano de marketing político, que anuncia, mas não concretiza, sempre com as eleições no horizonte, o PSD sofre o seu próprio processo de transformação na renovação da sua liderança nacional.

Rui Rio cumpre agora um ano de liderança, após vencer umas eleições internas bem disputadas entre dois grandes candidatos a 13 de janeiro de 2018. Alguns dos que não estiveram disponíveis nessa altura para participar neste combate político, alimentam, semana após semana, a agenda mediática com questões internas que só têm o propósito de criar divisões dentro do partido.

O líder do PSD não se pode queixar do seu opositor no ato eleitoral, Pedro Santana Lopes, que saiu do partido para seguir um caminho autónomo, num legítimo processo de alteração de filiação partidária. Mas pode e deve queixar-se das intenções desta onda de críticos com e sem rosto, que deixam a sensação de confusão na praça pública.

Muitos de vós deverão lembrar-se da frase “se fosse só olhar para a frente a conduzir, tudo seria mais fácil, mas ando constantemente a olhar pelo retrovisor”, da autoria de Durão Barroso e proferida, aludindo à sua oposição interna, em plena era do Guterrismo. Também recordarão o PS de António Seguro, constantemente criticado pelo opositor António Costa, que nunca escondeu a intenção de destituir o líder em funções. O que está a acontecer agora no PSD não é diferente. E é igualmente lamentável.

A estratégia dos opositores internos é provocar ruído, boatos, contrainformação, tentativas de condicionar a afirmação da liderança nacional do PSD, em movimentos sem rosto e provenientes de fontes anónimas. Ou, em alguns casos, com origens assumidas. Refiro-me, por exemplo, a um antigo deputado e aspirante a líder parlamentar (que não o foi por falta de apoio nacional), que ressurge agora para denominar de “aselha” o presidente do PSD, confundindo debate de ideias com conversa de café. Esta tomada de posição, bizarra para dizer o mínimo, terá em vista um lugar nas listas, que ao longo dos últimos 16 anos, sempre foi por “quota” nacional?

Esta incompreensível e infrutífera oposição interna não serve outros interesses que não algumas agendas pessoais. Definitivamente, não serve os interesses do país, que precisa que o maior partido português se mantenha forte, combativo e construtivo. É Portugal e não apenas os apoiantes ou militantes do PSD que necessitam de um partido capaz de provocar a discussão e a resolução dos problemas dos portugueses, sempre numa lógica de seriedade, honestidade e verdade para com os eleitores, fartos de ser enganados pelo Governo atual.

Ao longo de quase 18 anos e não obstante uma intensa vida profissional, assumi a partir dos 28 anos várias funções nacionais de forma ininterrupta até hoje, mas nunca deixei de estar sempre próximo e atuante nas concelhias, no meu distrito de Viana, da minha região norte. Respeito demasiado o meu partido para não me insurgir face a tão grande contestação à sua liderança, sobretudo vindo de quem não tem nenhum mandato claro de militantes, de quem nunca liderou nenhuma estrutura local ou distrital, e de quem espera apenas um lugar nas listas, à boleia de terceiros.

A legitimidade é um valor inerente à democracia. Rui Rio conquistou essa legitimidade. Venceu as eleições internas, é o presidente de todos os militantes, independentemente de quem o apoiou ou não, e o único que a poucos meses das eleições, reúne reais condições para ser o Primeiro Ministro de todos os portugueses. É o Líder, e foi na Lista dele em Congresso que renovei o meu mandato de Conselheiro Nacional. Tem as características que Portugal precisa. É sério e competente. Já geriu, com sucesso e empenho, uma das maiores cidades do país, tem dado provas inequívocas do seu profissionalismo. Tem carácter e resiliência, fibra, determinação. É um líder à dimensão dos melhores do PSD.

Mas é também um líder com o direito de lamentar esta adversidade, sem rosto ou propostas concretas, sem coragem para se ter sujeitado a votos internos no seu devido tempo, sem outro objetivo que não seja alimentar ambições pessoais, num deplorável jogo de tacticismo político.

Comportamentos como estes a que assistimos nas últimas semanas, a poucos meses de eleições europeias e legislativas, renegam a génese do PSD e do seu fundador, defraudam o património do partido, contribuem para a degradação da atividade política. E colocam em causa tudo aquilo que os portugueses esperam do PSD, que não é pouco. Razões mais do que suficientes para travar esta inconcebível onda de contestação interna e deixar liderar quem conquistou licitamente esse direito. A bem do sistema político, da democracia, dos portugueses, do nosso país.

 

Eduardo Teixeira, Presidente do PSD de Viana do Castelo e Conselheiro Nacional do PPD/PSD

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Marcar a diferença com convicção

Opinião

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ARTIGO DE JOSÉ ALFREDO OLIVEIRA

Presidente do PSD Ponte da Barca

No próximo domingo dia 26 de maio, os portugueses serão chamados a exercerem o seu direito de voto para elegerem os seus representantes ao Parlamento Europeu, numa disputa eleitoral que será decisiva para o futuro europeu e onde abstenção não pode ser a justificação do insucesso.

A Europa hoje vive momentos decisivos e simultaneamente contraditórios. Por um lado, uma perigosa vaga de fundo de opiniões defensoras de uma Europa isolada, dos ditos “populistas”, de que a imprensa agora abusa desesperadamente para dar algum interesse às eleições europeias, onde os extremismos partidários dão corpo àqueles que consideram a União Europeia dispensável da vida dos cidadãos, apelando persistentemente ao egoísmo do nacionalismo como é o caso da Frente Nacional de Le Pen, em França, do Syriza, na Grécia, do 5 Estrelas e a Liga Norte, na Itália, do Partido Independentista do Reino Unido de Nigel Farage que levou ao“brexit”.

Anti-europeus mas que se candidatam ao Parlamento Europeu, num sentimento de contraditório que não se limita aos demais estados-membro da União, pois em Portugal o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda – que suportam o Governo de Costa – partilham desse sentimento anti-Europa, defendendo o recuo em muitas das etapas de integração europeia, tais como o Euro, o mercado único, a livre circulação de pessoas e bens ou a abolição de instituições comuns aos estados-membros.

Perante estas ameaças, não podemos e não devemos tomar a paz, a liberdade, a prosperidade e o bem-estar como garantidos, sendo necessário que todos nos empenhemos nesta grande ideia de uma Europa pacífica e integrada.

Por oposição aos extremismos, todos concordamos que a integração e a unidade da Europa são essenciais para construir uma comunidade mais forte, capaz de enfrentar os desafios mundiais do nosso tempo como as alterações climáticas, o terrorismo, a globalização económica, as migrações, as desigualdades e o desemprego, pois são desafios que não ficam confinados às fronteiras nacionais. Somente se trabalharmos em conjunto enfrentaremos com êxito estes desafios e permaneceremos na rota para a coesão económica, para o desenvolvimento e para o reforço da solidariedade.

Portugal foi prova viva da solidariedade europeia quando em 2011 foi forçado a recorrer à ajuda externa para que o sector público não paralisasse – é fundamental recordar que aquando do pedido de ajuda, o país apenas dispunha de recursos para poder pagar dois meses de salários à função pública!

Perante a importância destas eleições ao Parlamento Europeu, é fundamental o envolvimento de todos para escolher quem verdadeiramente representa este espírito orgulhosamente europeísta sem nunca esquecer o país pelo qual foi eleito.

Notícias: Eleições Europeias >

Ao contrário do Partido Socialista cuja lista se transformou numa verdadeira prateleira dourada para antigos ministros de José Sócrates e os dispensáveis do governo de António Costa, o PSD primou pela diferença, ouvindo as pessoas e escolhendo candidatos pelo mérito e pelo valor que empregam na defesa do projeto europeu.

O PSD apresenta uma equipa de elevada competência liderada por Paulo Rangel cujo trabalho, experiência e inteligência é inquestionável, com provas dadas no Parlamento Europeu e que é acompanhado por uma equipa que junta experiência com juventude e competência com proximidade.

Votar no PSD é votar num partido político genuinamente europeísta, é votar em quem respeita o Alto Minho, é votar em José Manuel Fernandes. Ao longo do seu percurso como Eurodeputado, José Manuel Fernandes primou pela grande qualidade do seu trabalho em matérias fundamentais para o futuro da União Europeia como foi a negociação do Plano Juncker, a reprogramação dos Fundos Comunitários para 2030 ou ainda o trabalho levado a cabo enquanto Coordenador do PPE da grande Comissão dos Orçamentos. Um trabalho reconhecido por todos e que levou a organização internacional Votewatch considera-lo como o Deputado português mais influente de todo o Parlamento Europeu.

Mas é essencialmente na proximidade que se destaca o trabalho de José Manuel Fernandes, sendo uma presença constante em Ponte da Barca e no Alto Minho, envolvendo permanentemente o Poder Local, as Juntas de Freguesia e as Câmaras Municipais na discussão de matérias importantes para o desenvolvimento da nossa região, promovendo o que de melhor existe, destacando-se a forma única como promove as nossas tradições Alto-minhotas e as oportunidades de desenvolvimento económico da região.

Ponte da Barca tem em José Manuel Fernandes um verdadeiro embaixador no Parlamento Europeu.

É pois, com absoluta convicção, de que o Partido Social Democrata tem a melhor equipa e o melhor projeto para a Europa, o melhor projeto para afirmar Portugal na Europa e o melhor projeto para servir os portugueses.

José Alfredo Oliveira

Presidente do PSD Ponte da Barca

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Opinião

A Formiga hipócrita

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ARTIGO DE PEDRO MEIRA

Presidente do CDS-PP de Viana do Castelo. Advogado.

Entre as formigas operárias, havia uma que dizia permanentemente às suas companheiras de trabalho de forma altiva, com uma superioridade moral inatacável: “Temos que lutar por mais justiça e respeito. Não é justo que uns explorem os outros, nem que nos tratem como se fôssemos inferiores.”

Esta formiga fazia discursos inflamados contra a exploração imposta às formigas operárias e diariamente dizia que as formigas se deveriam unir e reivindicar os seus direitos. Com o tempo, essa formiga foi-se tornando uma espécie de líder, ouvida e seguida pelas companheiras operárias.

Um dia, após o fim do turno, combinou com as outras: “Vamos fazer uma reunião na minha casa para planearmos a nossa estratégia para reivindicar os nossos direitos”.

Chegando a casa, a formiga diz à sua mulher: “O jantar está pronto?

–“Não, estive a limpar a casa!”, retorquiu a mulher.

– “Sua incompetente! Não fazes nada direito? Atacou de imediato a formiga “operária”.

– “Mas querido, é muito trabalho. Não posso fazer tudo sozinha!“ Eu é que sustento este lar percebeste? Tu deves cuidar da casa e obedecer às minhas ordens! Eu é que mando aqui!”.

Continuou a formiga operária. E, entre as minhas ordens, “quero que o meu jantar esteja pronto quando eu chego porque eu tenho muito trabalho e tu não fazes nada.”

– “Não sejas injusto! Eu cuido da casa e dos nossos filhos e preparo-te o jantar todos os dias”.

– “Cala-te, és uma incompetente!!”.

Um barulho fez a operária voltar-se para trás e ver os seus colegas de trabalho. Eles tinham ido à reunião agendada para a sua casa , de boca aberta, profundamente espantados disseram: – “Mas o que é isto, amigo? Passas a vida a dizer que as exigências que nos fazem são injustas e que devemos lutar por justiça porque estamos sobrecarregados de trabalho? Tu queres justiça mas não a praticas na tua própria casa?”.

Vem esta célebre fábula a propósito da(s) recente(s) reportagens de um órgão de informação relativamente a ajustes directos pornográficos e escandalosos efectuados por autarquias presididas por comunistas (Loures e Seixal).

Caiu a máscara aos puritanos da já quarentona democracia portuguesa.

Quarenta anos a arvorarem-se de serem impolutos, quarenta anos a atirar pedras para o telhado dos vizinhos, quarenta anos de uma presumida e inaturável superioridade moral, quando afinal, chegados ao poder local, os pecadilhos são os mesmos das outras forças partidárias.

O que choca, no caso em concreto não é, por exemplo, a aquisição de duas viaturas de luxo para o serviço da autarquia, o que choca é o atrevimento da justificação por parte do autarca comunista, “os carros não são de luxo, são carros de trabalho”.

O que choca, no caso em concreto não é, por exemplo, a aquisição de serviços de uma militante comunista para assessora de um vereador e o facto de o contrato que titula o ajuste directo nem especificar que tipo de serviço a mesma irá prestar, o que choca é a justificação anedótica do autarca comunista.

Pergunto, quantas voltas terão dado no caixão Karl Marx e Álvaro Cunhal com estas notícias?

Sempre me causou uma profunda repugnância a generalização da maldade e da falta de seriedade apregoada pelo PCP relativamente às outras forças políticas e a sua auto-proclamada guetização e isolamento na ilha da seriedade. Nós é que somos sérios, nós é que somos incorruptíveis, nós é que somos o pêndulo da moral e dos bons costumes na democracia, diziam…

Sejamos sérios, a contratação pública feita à medida existe nas autarquias, como é consabido, de norte a Sul do País, da esquerda à direita, só os comunistas é que achavam que ser militante do PCP seria um salvo conduto para o reino dos impolutos.

Não está em causa a legalidade dos actos note-se, porque aliás a violação ao princípio da livre concorrência teve sempre cobertura legal, o que está em causa é a questão política ,o ponto de vista moral e da contradição das atitudes com o discurso puritano.

Do ponto de vista jurídico a colisão com a livre concorrência é aliás facto assumido por vária jurisprudência comunitária, facto que levou a profundas alterações legislativas a nível Europeu, tanto assim é que a 1 de janeiro de 2018 entrou em vigor a revisão nacional do CCP (Código da Contratação pública) aprovada pelo Decreto-lei n.º 111-B/2017, de 31 de agosto, tendo esta revisão uma tónica acentuada em matéria de correção e retificação em vários domínios em que a livre concorrência estaria visivelmente afetada.

A revisão do CCP foi motivada pela necessidade de adequar o Código Português à disciplina europeia da contratação pública, decorrente quer das Diretivas 2014/23/EU, 2014/24/EU e 2014/25/EU do Parlamento Europeu e do Conselho, de 26 de fevereiro e da Diretiva 2014/55/EU, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 16 de abril, quer conforme se referiu da jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia.

Esta transposição das diretivas e alterações ao CCP vêm precisamente colmatar a falha do legislador a nível da livre concorrência do mercado.

As alterações concretas realizadas em matéria de ajustes diretos são a face visível dessa reforma que procurou otimizar a livre concorrência na contratação na Administração Pública.

Sejamos claros, o que está aqui em questão não é a questão legal, mas o contributo que o PCP vem agora também dar para o total descrédito dos partidos políticos e para a perigosidade que isso acarreta para a democracia portuguesa.

O cidadão comum não quer sequer ouvir falar em política ou em políticos, os partidos tradicionais vivem momentos de profundo descrédito, os novos partidos tentam com um discurso populista dizer o que o povo quer, mas este tipo de discurso tem um prazo de validade curto, veja-se o caso anedótico e surreal de Marinho Pinto.

Há uma necessidade premente de uma revolução no interior dos partidos, há gente boa e bem preparada em todos os quadrantes partidários, há gente boa e cansada de tanta corrupção e tráfico de influências em todos os partidos, há gente boa e bem preparada em Portugal.

Sente-se e lê-se diariamente que os jovens portugueses interessam-se, discutem e fazem política no seu dia a dia, basta ler na diagonal um feed no Facebook, a grande dificuldade passa e passará por atrair essas pessoas para a participação activa no seio dos partidos.

Poucos são os que se sujeitam e estão nos partidos em regime de voluntariado, por serviço e não para se servirem, poucos são os que estando no interior dos partidos aguentam a pressão de lidar com os esquemas dos aparelhos partidários recheados de medíocres rendidos e vendidos a interesses.

Eu sou um dos maluqinhos que ainda acredita nisso… Eu sou um dos que acredita que o próprio PCP tem gente altamente preparada e moralmente qualificada para o exercício de cargos políticos.

Cresci ao lado de muitos deles, sei bem da sua seriedade, da sua generosidade e da sua honestidade , mas não me venham por favor com o discurso da formiga operária,”nós é que somos (mais) sérios e correctos”, conforme se vê as maças podres existem em todos os cestos.

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Opinião

Europa, continente sem rumo

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ARTIGO DE PEDRO MEIRA

Presidente do CDS-PP de Viana do Castelo. Advogado.

Há um mês quem abrisse os jornais, assistisse a qualquer telejornal e navegasse pelas redes sociais sentiria que estaria a viver numa qualquer cidade brasileira, tal a participação activa e torrente opinativa de tantos portugueses relativamente às eleições presidenciais brasileiras.

A verdade é que apesar da ligação umbilical entre os dois países, este recente e novel fascínio pela política brasileira deveu-se única e exclusivamente ao fenómeno Bolsonaro.

Acontece que Bolsonaro é somente mais uma onda de um maremoto político que assola e vai continuar assolar o mundo, sendo este um movimento comum a muitos países do mundo, que vêm preferindo políticos considerados anti-establishment, “politicamente incorretos”, em oposição ao movimento mainstream progressista.

Os danos mais evidentes deste maremoto são a vitória de Trump nos Estados Unidos, o abandono da UE por parte dos britânicos (o chamado Brexit) e o manifesto e claro aumento das intenções de voto de candidatos da extrema-direita em diversos países da Europa ocidental. Quanto a Portugal, a seis meses de eleições europeias, os Portugueses pouco ou nada parecem estar sintonizados ou alertados para a importância do momento eleitoral que se avizinha.

Na verdade o nosso país pouco ou nada conta para o futuro que se adivinha e que se receia, sejamos francos, ao lado dos grandes problemas da actualidade, Portugal pesa pouco, muito pouco.

No entanto, quer queiramos quer não, a Europa é que condiciona e vai condicionar o nosso futuro e o futuro do nosso país nos próximos anos, porque endividados como estamos, dependemos fortemente dos outros, sobretudo da Europa.

O estado em que se encontra actualmente o continente europeu não é de molde a dar-nos esperança, pelo contrário, vivemos hoje os tempos mais perigosos que a Europa conheceu desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

O terrorismo, a insegurança, a crise dos migrantes, uma defesa autónoma incipiente, uma capacidade financeira e económica débil, uma política confusa em face de uma notória ausência de líderes europeus carismáticos e agregadores, uma população envelhecida, todos estes factores levam a que o peso da Europa no Mundo tivesse diminuído, o crescimento europeu baixasse e face a isto a Europa dificilmente
conseguirá sustentar, nas condições actuais, o bem-estar e garantir o Estado Social para as próximas gerações.

Há muitas décadas que as fragilidades europeias não eram tão notórias e evidentes e as eleições
nacionais em vários países têm sido o reflexo disto mesmo, sendo a cidadania europeia hoje uma pura ficção.

A pressão dos refugiados, que fogem da guerra e da fome é enorme e a Europa não está preparada para os receber e pior ainda nem preparada está para os recusar.

Não diria que estejamos a viver o crepúsculo da civilização ocidental, cristã, europeia, industrial, liberal e democrática mas que há uma clara necessidade de se lançar mão, de forma urgente, de um processo de refundação da Europa, isso parece-me claro.

Merkel dizia há semanas que “ a abordagem no sentido de construir uma sociedade multicultural, vivermos lado a lado e gostarmos uns dos outros, falhou, falhou por completo.” O multiculturalismo falhou por completo.

Não temos hoje uma política europeia comum e alinhada para o fenómeno da imigração e consequente integração, há até uma espécie de temor em redor do debate sobre a imigração, a integração e o Islão, temos medo de abordar o tema sob pena de nos apelidarem de racistas, xenófobos. Em Portugal não o sentimos tão na pele ainda, não é um problema que nos afecte e que nos vá afectar a breve trecho directamente, mas hoje viajar no Metro ou num comboio urbano no centro de Paris faz- nos sentir como se estivéssemos num comboio subterrâneo numa cidade africana, ficamos com a mesma sensação viajando por algumas cidades do Norte de Inglaterra, por certos bairros de Roterdão ou Amesterdão na Holanda, subúrbios de Bruxelas como Molenbeek, zonas de Berlim como Wedding e NeuKooln e imagine-se que hoje pode sentir-se já o mesmo nos subúrbios de Estocolmo e Malmo, na Suécia.

Todos estes são locais onde os imigrantes vivem mas que não apresentam semelhanças algumas com as zonas habitadas pelos locais e tudo isto nas mesmas cidades e no mesmo Continente.

Há mais refugiados hoje no Mundo do que durante e depois da Segunda Guerra Mundial, a migração sobretudo a partir de 2015 tornou-se quase que “um fenómeno bíblico”.

Qual é a consequência de as pessoas virem em massa para a Europa em números incalculáveis? Neste momento ninguém sabe, a única coisa de que podemos estar certos é que este fenómeno terá inevitavelmente séria(s) consequência(s).

Colocar dezenas de milhões de pessoas com os seus costumes, a sua religião e a sua cultura num continente com os seus próprios hábitos, com a sua cultura e uma religião dominante diferente tem que ter, inevitavelmente, consequências.

As visões mais catastróficas referem que as projecções demográficas, a imigração em curso e o crescimento desproporcionado da população entre as comunidades imigrantes existentes significará que a população não europeia em alguns países crescerá e atingirá em breve números que colocarão em perigo a sobrevivência da cultura e dos valores europeus.

Não partilho desta visão apocalíptica, mas o que é certo é que, por exemplo, a baixa natalidade entre os alemães e um nível excessivamente elevado de imigração, em especial, imigração muçulmana, está a transformar de forma muito visível a natureza da sociedade alemã, motor da Europa.

Sabia que, por exemplo, nos últimos trÊs anos, o nome mais registado em bebés rapazes recém-nascidos no Reino Unido não é John ou Charles, mas imagine-se Mohamedd? (!!!) São realidades que , por ora, a nós portugueses, nos ultrapassam.

Mas mais grave ainda do que esta crise migratória é para mim a crise de identidade europeia, a falta de sentimento de cidadania europeia, estes sintomas de doença interna é que têm que ser rápida e urgentemente debelados e tratados, e este tratamento só é possível ser feito com actores fortes e credíveis, com líderes políticos sérios e mais muito mais consistentes.

“A verdade é que em todas as democracias temos estado demasiadamente preocupados com a identidade daqueles que chegaram e não preocupados o suficiente com a identidade do país que os acolheu.” dizia Sarkozy.

É certo que estes problemas parecem-nos todos muito distantes e que os problemas brasileiros, e o pretenso fascista brasileiro Bolsonaro, é que realmente importa para as nossas mentalidades e consciências cívicas, mas e o continente onde vivemos?

Atentemos ao caso paradigmático da Suécia, país da UE da qual fazemos parte, a partir de 2010 a migração para a Suécia aumentou exponencialmente, potenciais migrantes viam a Suécia como apetecível, uma vez que recebiam habitação e excelentes subvenções sociais.

Em 1990 os imigrantes não europeus totalizavam 3% da população da Suécia, em 2016, notem, 13 a 14%, existindo um crescimento contínuo de dois pontos percentuais por ano.

Em Malmo, a terceira maior cidade da Suécia, os não etnicamente suecos constituem já quase metade da população, dentro de uma geração os etnicamente suecos serão uma minoria em todas as cidades importantes, por um lado em consequência da imigração, por outro como consequência da taxa de natalidade mais elevada entre imigrantes.

Este crescimento e impacto demográfico tem causado novos problemas ao Estado sueco. Em 1975, foram apresentadas 421 queixas por violação à polícia sueca. Em 2014, o número anual de queixas por violação subiu para 6620 (números do Conselho Nacional Sueco para a prevenção do crime), em 2015 a Suécia tinha o nível de violações per capita mais elevado do que qualquer país do Mundo, depois do Lesoto (note-se que o incremento destes crimes se deve comprovadamente a um aumento dos gangues de imigrantes).

Face a estes e outros dados o que é que aconteceu ao cenário político na Suécia? O quadro político do país mudou rápida e drasticamente devido ao facto de a demografia ter mudado de forma tão inesperada e repentina, O partido anti-imigração, os Democratas Suecos, partido de extrema-direita, triplicou o número de votos nas eleições de setembro deste ano e é hoje já é a terceira força política do país.

A Europa está em plena transformação e a atravessar uma complexa convulsão, quem não quiser olhar atentamente e seriamente para estes dados corre o risco de daqui a uma, duas décadas, ser surpreendido com uma profunda transformação do Continente onde vive.

A 25 de abril de 2016, um mês depois dos atentados em Bruxelas, o Ministro da Justiça belga, Koen Geens, disse ao Parlamento Europeu que os muçulmanos superariam muito em breve os Cristãos na Europa em número.

A Europa e muitos Europeus não percebem ou não querem perceber isto, mas esta é a realidade, esta é a nossa realidade.

Que as eleições europeias que se avizinham sejam um momento de um profundo e intenso debate da sociedade portuguesa relativamente ao presente e ao futuro da Europa, e que mais do que preocupados com o aparecimento de Bolsonaro no Brasil, estejamos mais atentos ao rumo e aos problemas internos de nossa casa, a Europa.

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