PSD “respeita” resultado eleitoral em Itália e acusa PS de “normalizar a extrema-esquerda” em Portugal

Política
Foto: DR / Arquivo

O presidente do PSD afirmou hoje que o partido “respeita a manifestação da vontade do povo italiano” nas legislativas de domingo, embora admitindo preocupações, e devolveu as críticas aos que, em Portugal, o acusam de normalizar o Chega.

“É um bocadinho anedótico a deputada Catarina Martins e o deputado Jerónimo de Sousa falarem nesse aspeto e ainda mais anedótico se vier de dirigentes do PS. Se há normalização em termos de presença governativa de partidos da extrema-esquerda do espetro político é a que aconteceu em Portugal em 2015, quando o PS decidiu governar com dois partidos da extrema-esquerda”, afirmou Luís Montenegro, questionado pelos jornalistas, no final de um encontro com associações do ensino superior.

Para o presidente do PSD, “o que deve ser normalizado é o respeito pela vontade das pessoas, o respeito pela vontade dos eleitores”.

“A esquerda ainda não percebeu uma coisa e o PS já percebeu, mas faz de propósito: quanto mais ataques desferir desse teor querendo dar uma conceção antissistema a partidos com representação parlamentar, mais valorizam esses partidos”, defendeu.

Questionado se o PSD admite uma eventual coligação com o Chega nas próximas legislativas, previstas para 2026, Montenegro respondeu apenas: “Essa questão não tem nenhum tipo atualidade”.

“O PS puxa muito pelo Chega a ver se o Chega ocupa um espaço político, mas claro que se vai enganar. O que vai acontecer é o reforço do espaço político que o PSD representa”, disse, reiterando a ambição de “com moderação” conquistar os que votaram no Chega e na IL nas legislativas de 30 de janeiro, bem como outros que votaram no PS e estão desiludidos.

Em concreto sobre as eleições de Itália, Luís Montenegro afirmou que, em primeiro lugar, “o PSD tem de respeitar a manifestação de vontade que o povo italiano demonstrou, fazendo as suas escolhas de forma livre e democrática”.

“Não somos indiferentes aos resultados e às preocupações que encerram no respeito pelos valores europeus que o Partido Popular Europeu vem defendendo ao longo dos anos e nos quais o PSD se identifica”, disse.

O presidente do PSD considerou que “ainda é cedo” para avaliar todo o quadro político de Itália, dizendo esperar que os partidos que poderão vir a integrar o Governo em Itália que pertencem ao PPE “possam ser a voz da moderação” nesse executivo.

De acordo com resultados parciais das legislativas italianas de domingo, a coligação de direita e extrema-direita – liderada pelo partido Irmãos de Itália (FdI, sigla em italiano) e que reúne ainda a Liga, de Matteo Salvini, e o partido conservador Força Italia, de Silvio Berlusconi – obteve cerca de 43% dos votos.

O bloco de centro-esquerda, liderado pelo Partido Democrático, de Enrico Letta, deverá ter 26% dos votos.

O partido Irmãos de Itália, liderado por Giorgia Meloni, foi fundado em 2012 e tem raízes no Movimento Social Italiano (MSI), fundado pelos seguidores do ditador fascista Benito Mussolini.

 
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