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PSD e CDS-PP apontam falhas na resposta do Estado social à pandemia

Covid-19

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Hugo Carvalho. Foto: Facebook

O PSD e o CDS-PP apontaram hoje falhas na resposta do Estado social na pandemia de covid-19, com o PS a recuperar as críticas aos cortes feitos pelo último executivo destes partidos na saúde e segurança social.


Na intervenção de fundo do PSD na interpelação ao Governo pedida pelo PS sobre a resposta do Estado social à pandemia, o deputado Hugo Carvalho salientou que a opção dos sociais-democratas não foi a de “quanto pior melhor”, mas estranhou que os socialistas tenham escolhido “parar para balanço”.

“Foram muitas as solicitações ao Estado, mesmo por parte dos da antipolítica e dos que não acreditam no Estado social. Mas a verdadeira resposta do Estado social não foi a do PS, foi a da sociedade civil”, disse, apontando “as horas extra e o trabalho incansável” dos profissionais de saúde, das forças de segurança, dos professores ou dos transportes, entre outros.

O deputado da JSD acusou o Governo de falhar às pequenas empresas, aos sócios gerentes, aos fornecedores ou aos trabalhadores de áreas como a cultura, dos ginásios ou aos feirantes, que continuam “sem resposta do Estado social”.

“O Estado social não pode ser o apoio de apenas alguns, não pode ser menos do que a situação exige”, desafiou.

Na parte mais ‘quente’ da interpelação, a deputada do PS Sónia Fertuzinhos respondeu às críticas do PSD com acusações ao executivo PSD/CDD-PP, que governou entre 2011 e 2015.

“Não deixa de ser engraçado que tenha vindo falar das dificuldades destes trabalhadores e do muito que lhes devemos, quando foi o Governo do partido que o senhor apoiou que lhes cortou salários, que lhes aumentou os horários”, acusou, sob grandes protestos da bancada do PSD.

A deputada socialista fez o contraponto entre o que disse serem medidas de austeridade desse executivo, e que levaram muitos jovens a emigrar, e as “medidas contracíclicas” que o Governo PS está a adotar.

“Percebemos pela sua intervenção e pelas medidas que o dr. Rui Rio apresentou hoje que infelizmente o PSD não aprendeu nada”, criticou a deputada socialista, referindo-se ao programa na área social hoje anunciado pelo líder do PSD.

“Enquanto a senhora deputada faz esse joguete parlamentar as pessoas que estão em casa ficam exatamente na mesma, sem respostas nenhumas e a perderem o interesse na política”, lamentou Hugo Carvalho, na réplica.

Antes, o deputado do CDS-PP João Almeida tinha lamentado que o a interpelação do PS não tenha servido para discutir “o que correu melhor e pior”, mas para fazer “um ajuste de contas, dizendo “quem são os bons e os maus da história”.

“Não tem razão nenhuma, o modelo social que vigora em Portugal e na Europa é uma construção de sociais-democratas e democratas-cristãos”, apontou.

João Almeida questionou ainda “onde estava o Estado forte” quando foram precisas respostas para os idosos em lares, mais testes para as populações ou computadores para os alunos mais desfavorecidos, defendendo que as soluções vieram, em muitos casos, das autarquias e do setor social.

“Um bocadinho de humildade fazia sentido, seria importante reconhecer a importância da pluralidade desta resposta”, disse.

O deputado único e presidente da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, lamentou que o PS faça “equivaler o Estado social a serviços exclusivamente públicos”.

“É pura propaganda ortodoxa socialista”, criticou, desafiando os socialistas a apoiarem a proposta do partido para que consultas e cirurgias possam ser feitas também nos privados.

O deputado único do Chega, André Ventura, alinhou na acusação de propaganda ao PS, dizendo que quem assistisse ao debate parlamentar de hoje pensaria que vivia “num país diferente”.

Ventura confrontou a ministra do Trabalho com a notícia de um lar em Portalegre onde, alegadamente, nenhum funcionário teria sido testado à covid-19, mas Ana Mendes Godinho desmentiu imediatamente a informação.

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Elisa Ferreira diz que previsões económicas reforçam urgência de acordo na UE

Comissária europeia da Coesão e Reformas

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Elisa Ferreira. Foto: Twitter

A comissária europeia da Coesão e Reformas, Elisa Ferreira, defendeu hoje perante o Parlamento Europeu que as mais recentes previsões económicas da Comissão mostram que é necessário pôr em ação sem mais demoras um plano de recuperação ambicioso.

Num debate no hemiciclo de Bruxelas sobre o papel da Política de Coesão na resposta à crise provocada pela pandemia de covid-19, a comissária portuguesa reiterou que “a coesão é essencial para combater as crescentes disparidades entre os Estados-membros e dentro dos Estados-membros”, afirmando que só um plano de recuperação com a solidariedade e convergência no seu cerne garantirá uma retoma “justa e resiliente”.

“As previsões publicadas esta semana pela Comissão mostram que o impacto económico desta crise vai ser ainda maior que o esperado, que a recuperação no próximo ano será mais frágil que antecipado”, sublinhou, apontando ainda que “os riscos negativos” associados às projeções “são consideráveis”, pelo que “a divergência, as assimetrias e a fragmentação são ameaças para a União”.

Apontando que a Europa vive “um momento muito crítico”, Elisa Ferreira, fazendo a defesa da proposta da Comissão Europeia de um plano de recuperação “com uma ambição sem precedentes, e com a coesão e solidariedade no seu cerne”, advertiu ainda que as negociações não podem arrastar-se, pois a situação exige uma resposta urgente.

“Cada dia perdido sem ação é uma vida, um emprego, um negócio que se perdem, por falta de apoios”, alertou.

O debate de hoje durante a sessão plenária do Parlamento Europeu ocorre precisamente a uma semana de uma cimeira de chefes de Estado e de Governo da UE, na qual os 27 vão tentar chegar a acordo sobre o Fundo de Recuperação e uma proposta revista do Quadro Financeiro Plurianual da União para 2021-2027.

A Comissão apresentou no final de maio uma proposta de um Fundo de Recuperação de 750 mil milhões de euros – com 500 mil milhões de euros canalizados para os Estados-membros através de subsídios a fundo perdido e os restantes 250 mil milhões na forma de empréstimos –, associado a um orçamento para sete anos num montante de 1,1 biliões de euros.

Hoje mesmo, o presidente do Conselho Europeu vai apresentar uma proposta revista, depois das consultas bilaterais que levou a cabo nas últimas semanas com os líderes dos 27, com vista a tentar aproximar posições para a cimeira de 17 e 18 de julho.

Na passada terça-feira, a Comissão Europeia publicou as previsões macroeconómicas intercalares de verão, agravando as projeções do impacto da crise da covid-19 na zona euro e na UE.

O executivo comunitário, que em maio projetava para este ano uma contração, já recorde, de 7,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no espaço da moeda única, prevê agora um recuo de 8,7%, apenas parcialmente compensado em 2021, com um crescimento de 6,1% (também uma revisão em baixa face à primavera, quando apontava para 6,3%).

Bruxelas também agravou as suas previsões económicas para Portugal este ano face aos choques da covid-19, estimando agora uma contração de 9,8% do PIB, muito acima da anterior projeção de 6,8% e da do Governo, de 6,9%.

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Segurança do Turismo depende de “combinação” de fatores

Segundo a OMS

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Foto: DR / Arquivo

A segurança do turismo depende de “uma combinação” de fatores, variáveis no tempo e no espaço, assinala à Lusa um conselheiro da Organização Mundial da Saúde (OMS), a dias de participar numa iniciativa ibérica sobre o tema.

Maurizio Barbeschi, conselheiro do diretor executivo para as Emergências Sanitárias da OMS, utiliza uma comparação gastronómica para melhor explicar o que quer dizer: “Qualquer das medidas [de controlo da epidemia] tomada isoladamente é apenas parte da receita. Quando se cozinha um prato, tem de se usar todos os ingredientes, é a combinação destes que faz o prato.”

Em declarações à Lusa a propósito da conferência online que a agência de notícias de Portugal vai realizar, em conjunto com a agência de notícias espanhola Efe, sobre o impacto da pandemia no turismo – que será transmitida nos dias 15 e 16 –, o conselheiro sanitário sinaliza que “os países que foram bem sucedidos no controlo [da epidemia] adotaram todas as medidas, ao mesmo tempo”.

Portanto, a combinação importa. “Não podemos dizer, em termos absolutos, o que é arriscado e o que não é. Se agora formos de sul para oeste da Nova Zelândia, é muito seguro viajar. Se estivermos noutros Estados-membros [da OMS], em que a transmissão é muito elevada, no Brasil hoje, por exemplo, a perceção do risco é diferente”, realça.

“A OMS criou uma ferramenta de avaliação do risco, que faz um equilíbrio entre os riscos – sabendo que o risco zero não existe – e as medidas de mitigação. É a combinação das duas que permite tomar decisões acertadas. A decisão de ter um pacote sobre viagens e turismo faz-se na base das medidas de mitigação e do momento da pandemia: a mesma ferramenta, se for aplicada dentro de três semanas ou de três meses pode conduzir a decisões diferentes”, explica.

“Por último, mas não menos importante, é essencial comunicar o resultado do risco. No início da pandemia, vimos tudo a fechar – estádios, eventos, tudo fechou, em efeito dominó –, nem sempre baseado nos riscos e nem sempre bem comunicado às pessoas e isso criou pânico e incerteza”, aponta Maurizio Barbeschi, originário de Itália, um dos países mais afetados pela pandemia.

“As decisões que forem tomadas têm de ser bem comunicadas às pessoas e devem ser reavaliadas em dois ou três meses”, insiste.

Para a indústria do turismo, é importante ter em conta “todo o pacote”, porque há “toda uma combinação” entre a viagem e a estadia, aconselha. “A maior parte das pessoas viaja de A para B, mas, quando está no B, fica num hotel, come num restaurante, vai a um jogo de futebol, à igreja, a uma festa”, recorda.

Maurizio Barbeschi antecipa que as feridas que a pandemia de covid-19 infligiu no turismo “vão demorar a sarar”, como noutro setor qualquer. “Haverá possíveis mudanças na forma como pensamos em viagens, turismo, lazer. Se será mais saudável ou não, temos de esperar para ver. Mas definitivamente haverá um processo de tomada de decisão de maior qualidade, baseado na abordagem do risco”, acredita.

“Estamos a ver já essas mudanças, nas pessoas”, comenta. “Se o número de turistas, no tempo e no espaço, vai voltar a ser o mesmo? Possivelmente não”, prevê, desejando que o tipo de turismo mude para: “mais qualidade, menos tempo, viagens mais inteligentes, partilha de carros para diminuir a poluição”.

Toda a gente pergunta se o hotel A ou B é seguro, mas não é possível responder sem saber que hotel, com que dimensão, em que localização, etc., destaca o conselheiro, acreditando que “todos os hotéis usarão as mesmas precauções e as mesmas ferramentas e farão o melhor para minimizar os riscos”.

Porém, “o mesmo hotel, dentro de dois meses, pode ser arriscado, depende das circunstâncias externas e do momento da pandemia”, alerta.

“É mais seguro um hotel mais pequeno, mas sem médicos nem serviços de saúde perto, ou um hotel maior, com acesso facilitado a cuidados de saúde?”, exemplifica. “Não há receita, não pode haver uma. Depende do país e de onde no país”, esclarece. “A abordagem da mitigação dos riscos é importante por isso”, resume.

O impacto da covid-19 no turismo europeu, nomeadamente na Pensínsula Ibérica, será o tema de debate de uma parceria inédita entre a Lusa e a Efe, no contexto do fórum virtual EURAGORA, financiado pelo projeto-piloto europeu Stars4Media, que pretende apoiar a inovação no setor dos media, através da formação e da cooperação transfronteiriça dentro da União Europeia.

O fórum conjunto juntará organizações internacionais, comissários europeus, ministros e responsáveis regionais e locais dos dois países, e associações do setor do turismo e dos consumidores.

O debate será subdividido em dois grandes tópicos: “Segurança, o que esperam os consumidores, como respondem indústria, governos, União Europeia?” (dia 15 de julho, às 10:00 de Lisboa, em https://youtu.be/oXm5alG0mp4) e “Reinvenção e oportunidades: sol e praia/urbano e cultural/turismo rural” (dia 16 de julho, às 10h00 de Lisboa, em https://youtu.be/unA38PYTa5g).

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Empresários pedem diplomacia junto dos países que impuseram quarentena a Portugal

Covid-19

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Foto: DR

As maiores associações empresariais do Algarve apelaram hoje ao Governo para que intensifique a diplomacia junto dos países que impuseram quarentena obrigatória aos turistas que regressam de Portugal, de forma a que a decisão seja revertida.

“As associações empresariais do Algarve apelam ao Governo para que intensifique a sua ação política, no sentido de alterar rapidamente as decisões daqueles países de impor quarentena aos turistas provenientes de Portugal e em particular do Algarve”, no âmbito da pandemia da covid-19, lê-se num comunicado enviado à agência Lusa pelas seis maiores associações de empresários algarvios.

O documento é subscrito pela Confederação dos Empresários do Algarve (CEAL) e associações dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), Industriais Hoteleiros e Similares do Algarve (AHISA), Núcleo Empresarial da Região do Algarve (NERA) e Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE).

Os empresários consideram que a situação no Algarve “agravou-se de forma dramática, em consequência da obrigatoriedade de quarentena imposta pelo Reino Unido, relativamente aos turistas provenientes de Portugal, sendo que a mesma situação está a ser ampliada a outros países”.

“Trata-se de um golpe profundo, nas expectativas dos empresários e da economia da região, cuja consequência pode originar milhares de insolvências”, alertam.

Portugal foi excluído dos corredores de viagens internacionais com destinos turísticos para os quais o Governo britânico autoriza que os cidadãos britânicos possam deslocar-se sem terem de cumprir um período de 14 dias de quarentena no regresso ao país.

Portugal não consta da lista de 59 países e territórios publicada no dia 03 julho, que inclui Espanha, Alemanha, Grécia, Itália, Macau ou Jamaica.

O mercado britânico representa para o Algarve cerca de 6,4 milhões de dormidas por ano, um terço dos turistas e das dormidas e quase 50% dos passageiros que desembarcam no aeroporto de Faro.

Para as associações, a quebra dos mercados turísticos, “em especial do britânico, defrauda não só as expetativas de atenuação dos prejuízos das empresas, acumulados desde março, como a esperança de enfrentar a época baixa em melhores condições”.

Os empresários recordam que a crise que se abateu sobre Portugal em consequência da pandemia da covid-19 paralisou a atividade do turismo, “o principal setor económico, com o quase total encerramento das unidades de alojamento, em consequência da paragem brusca das viagens turísticas”.

A quebra do afluxo de turistas, além dos efeitos no alojamento, teve consequências em todos os setores económicos, num universo de 70 mil empresas, das quais 20 mil são sociedades.

“Esta situação gerou quebras de atividade das empresas dos diferentes setores da ordem dos 70%, 80%, 90%. Gerou desemprego e travou a contratação de trabalhadores para o verão. Congelou o investimento”, lê-se no documento.

As associações de empresários algarvios congratulam-se com o Plano Especial de Recuperação do Algarve, anunciado pelo Governo, considerando que o mesmo “é urgente, aguardando-se que contenha as soluções adequadas à situação”.

As associações consideram que o Algarve necessita de uma visão estratégica que, “tendo o turismo como principal atividade, aponte linhas de diversificação económica, no aproveitamento de recursos endógenos, numa perspetiva de uma economia moderna e competitiva, assente num desenvolvimento sustentável, tendo também em conta o novo quadro de recuperação económica proposto recentemente pela União Europeia”.

De acordo com os empresários, vão ser pedidas audiências ao Governo e ao Presidente da República para serem apresentadas “as linhas de trabalho e um pacote de propostas com medidas concretas”.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 549 mil mortos e infetou mais de 12 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.644 pessoas das 45.277 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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