A concelhia do Partido Socialista (PS) de Vila Verde denunciou, esta sexta-feira, o “atentado” ambiental que está a ocorrer na Serra do Oural devido à desmatação para colocação dos postes da linha de muito alta tensão, nas zonas de RIbeira do Neiva e Vade.
De acordo com os socialistas, o traçado “ameaça seriamente um carvalhal com árvores centenárias” e ainda o “impacto profundo” nas nascentes dos rios Neiva, Covo e Trovela.
O líder da Comissão Política Concelhia do PS de Vila Verde e candidato à Câmara, Filipe Silva, manifestou, em comunicado, solidariedade com a população que está “revoltada”, acusando o deputado social-democrata Carlos Cação de “deslealdade”.
“A Câmara e o deputado simularam apoiar os populares, enquanto estendiam uma passadeira vermelha a um verdadeiro atentado contra o património ambiental do concelho, na idílica Serra do Oural. Pela frente, fizeram declarações públicas e até moções para alterar o percurso da linha de muito alta tensão. Atrás das portas fechadas dos gabinetes, a postura mudou bastante. O percurso foi definido, a área de risco foi ignorada e a população nunca foi sequer informada”, lê-se no comunicado enviado às redações.
Carlos Cação, deputado na Assembleia da República e presidente da junta do Vade, lamenta o “ato de desespero” do líder socialista.
“Aprovada e licenciada pelo governo do PS”
“Esta linha de muito alta tensão foi aprovada e licenciada pelo governo do PS, num processo lamentável e que praticamente inviabilizou a reação das autarquias e das populações locais, em que até a fase de discussão pública decorreu num quase secretismo. Foi também o governo do PS que classificou o projeto da Redes Energéticas Nacionais (REN) como de ‘interesse nacional'”, disse, numa nota em que responde às “mentiras” de Filipe Silva.
Cação lembra que foi com o governo da AD, através da Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que foi possível “ganhar abertura para reavaliar o projeto, já herdado como irreversível”.
Apesar disso, e “depois de várias reuniões e visitas ao terreno”, foi possível “convencer a REN a introduzir alguns ajustes no traçado e no projeto de implantação da linha”. O deputado diz que os ajustes permitiram minimizar o “impacto da linha, designadamente sobre o património ambiental e paisagístico”.
O deputado social-democrata considera que este ‘ataque’ da concelhia socialista se tratou de um ato de “desespero”, depois de ter “sido relegado para lugares tão secundários na lista de candidatos a deputados do distrito nas próximas eleições legislativas, ao ponto de ‘optar’ por ficar de fora”.
“Percebe-se também o desencanto socialista liderado por Filipe Silva, que continua apeado na administração da Águas do Norte sem nunca ter contribuído para resolver os problemas do serviço da empresa pública no concelho. Mas nada justifica faltar à verdade de forma consciente e mal-intencionada – o que significa mentir e evidentemente classifica apenas os seus autores”, conclui a nota enviada a O MINHO.
Em causa está a linha dupla de muito alta tensão que vai ligar Ponte de Lima a Fonte Fria (Galiza), a 400 kV. Destina-se a permitir a importação e exportação de eletricidade.
Terá passagem pelos concelhos de Vila Verde, Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Monção e Melgaço, e como O MINHO noticiou, foi contestada pelas populações.