PS de Braga acusa Câmara de “desbaratar escandalosamente dinheiros públicos” com S. Geraldo

Autarquia paga renda mensal de 12.500 euros à arquidiocese
Foto: CM Braga / Arquivo

Os vereadores do PS na câmara de Braga afirmaram hoje que o contrato de arredamento do edifício do antigo cinema S. Geraldo, celebrado entre o município e a arquidiocese, significa um “desbaratar escandaloso de dinheiros públicos”.

Em conferência de imprensa realizada junto ao edifício, os socialistas denunciaram que, seis anos depois da assinatura do contrato, “as ruínas estão ainda mais degradadas”, enquanto a câmara paga uma renda mensal de 12.500 euros.

“É um desbaratar escandaloso de dinheiros públicos, um autêntico sorvedouro de dinheiros públicos”, disse o vereador socialista Adolfo Macedo.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara, Ricardo Rio, lembrou que, quando o município tomou a decisão de arrendar o imóvel, a Igreja já tinha fechado o negócio para lá ser instalado um equipamento comercial privado, com mercado e hotel.

“Decidimos intervir para manter aquele imóvel na esfera pública e o pôr ao serviço da dinâmica cultural da cidade”, referiu.

Rio sublinhou que, na altura, não existia qualquer estudo prévio ou projeto para o imóvel, pelo que, uma vez firmado o contrato de arrendamento, foi necessário fazer todo esse trabalho, “necessariamente moroso”.

“De permeio, aconteceu a pandemia, que veio atrasar muito mais o processo”, acrescentou.

Os socialistas reconhecem que o arrendamento foi uma “espécie de emergência municipal” para salvar um edifício que diz muito à população da cidade, mas consideram que o contrato celebrado “é mau”.

O contrato de arrendamento do antigo cinema S. Geraldo foi firmado em 2017, por um prazo de 10 anos.

O PS diz que não há nenhuma garantia de que o contrato seja renovado, mas Ricardo Rio está “descansado” em relação a isso, pelos contactos que tem mantido com a arquidiocese.

Em relação a uma eventual futura compra do edifício, Rio admitiu que essa transação estará sempre dependente da anuência da Santa Sé.

Em caso de aquisição do edifício, uma parte das rendas será descontada no valor a pagar, com o PS a dizer que se trata de uma percentagem “diminuta” e Rio a contrapor que foi a maior possível.

Rio disse ainda que o contrato de arrendamento “foi muito bem feito” e que o valor da renda “está dentro das condições de mercado”.

Segundo o presidente da Câmara, o projeto de arquitetura de intervenção no imóvel “está validado” e estão a ser desenvolvidos os projetos de especialidade, tudo apontando para que a obra fique concluída em finais de 2025, num investimento de cerca de 5 milhões de euros.

No edifício, será instalado o Media Arts Center.

 
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