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Recolher obrigatório à tarde e noite nos próximos dois fins de semana

Estado de Emergência

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Foto: DR

O Governo decretou o recolher obrigatório entre as 23:00 e as 05:00 no dias de semana, a partir de segunda-feira e até 23 de novembro, nos 121 municípios mais afetados pela pandemia, anunciou hoje o primeiro-ministro.

O executivo determinou ainda que, ao fim de semana, o recolher obrigatório inicia-se a partir das 13:00 nos mesmos 121 concelhos. Os fins de semana são os de 14 e 15 de novembro e de 21 e 22 de novembro. As medidas vão ser reavaliadas semanalmente.

Esta limitação da liberdade de circulação é  a “medida mais restritiva que está prevista no decreto”, disse o primeiro-ministro.

Caso alguém seja apanhado em incumprimento, será acompanhado pelas autoridades até casa, não se sabendo ainda a moldura penal.

A restrição noturna entre as 23 e as 05 da manhã é para toda a semana. Ao fim de semana, vigora essa proibição suplementar. As medidas são apenas para os 121 concelhos que estão na lista de risco, 18 deles no Minho.

18 concelhos do Minho em confinamento parcial a partir de 04 de novembro

“Como já tinha sido referido, a partir de segunda-feira haverá uma proibição de circulação na via pública entre das 23 e as 05 horas do dia seguinte, com exceções de quem tem de ir trabalhar, sair por motivo de urgência, para ir a saúde, farmácia, para acudir um familiar doente”, disse.

“Também nos próximos dois fins de semana vigorará a limitação à liberdade de circulação entre as 13:00 de sábado e as 05:00 de domingo e as 13:00 de domingo e as 05:00 de segunda”, disse.

Não estão previstas exceções. António Costa explica que, para levantar um take-away, tem de ser antes das 13:00 horas, tanto no sábado como no domingo. No entanto, a entrega ao domicílio pode ser feita a qualquer hora.

António Costa falava no final da reunião extraordinária de Conselho de Ministros, que decorreu no Palácio da Ajuda, em Lisboa, desde as 19:00 horas deste sábado, e cujo propósito foi regulamentar o decreto de Estado de Emergência feito pelo Presidente da República na sexta-feira.

“Muitas pessoas põe em causa a utilidade desta medida. A razão fundamental é que nós temos a nítida noção que o convívio social tem um contributo muito importante para a disseminação para as situações de contágio. E isso desenvolve-se no período pós-laboral”, explicou o chefe do Governo.

Outras medidas

“No dia de 14 de outubro, houve obrigatoriedade de utilização das máscaras, disse que a situação era grave. Tínhamos 2.000 novos casos por dia. Menos de um mês depois temos 6.000 novos casos por dia. Significa que o conjunto de medidas e ajustamento de comportamentos da comunidade não tem sido suficiente para podermos controlar o crescimento da pandemia”, começou por justificar António Costa, divulgando números da pandemia.

“O pior dia que o SNS enfrentou na primeira vaga, tivemos um máximo de 1.302 pessoas internadas, das quais 271 nos cuidados intensivos. Hoje, temos 2.420 internados, 366 em cuidados intensivos”, realçou.

“Isto significa que não podemos ter a menor dúvida de que tudo há que fazer para conseguir controlar a pandemia”, acrescentou.

Outra medida, já adotado por várias instituições e empresas, “é o controle de temperatura a trabalho, estabelecimentos de ensino, espaços comerciais, culturais e desportivos”.

Também os testes de antigéneo, conhecidos como testes rápidos, vão passar a ser uma possibilidade em instituições ligadas a saúde, a lares, fronteiras aéreas e marítimas, prisões e outros locais futuramente definidos pela DGS.

Outra medida passa pela “utilização, por acordo, de equipamentos de saúde do setor social, privado e cooperativo com o SNS”.

Costa anunciou ainda “a possibilite de mobilização de recursos de humanos para apoiar os profissionais de saúde”.

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Especialistas preveem mais birras e frustrações nas crianças no novo confinamento

Covid-19

Foto: DR / Arquivo

A falta das brincadeiras e da socialização, aliadas a um aumento da exposição aos ecrãs, podem originar mais birras, desentendimentos e frustrações das crianças e jovens que regressam a casa para um novo confinamento, asseguram especialistas.

De acordo com especialistas ouvidos pela Lusa, mais birras, impaciência, raiva, frustração e situações de confito são situações espetáveis de acontecer neste regresso a casa das crianças e dos jovens para um novo confinamento.

“Não estamos a entrar neste confinamento como entrámos no outro, em que tudo era desconhecido e uma incógnita”, lembrou Raquel Raimundo, presidente da delegação regional do sul da Ordem dos Psicólogos.

O medo, a angústia, a tristeza, a inquietação e a insegurança podem facilmente despoletar estas manifestações, acredita a psicóloga escolar, uma vez que o regresso a casa significa deixar para trás mais momentos e etapas “cruciais na vida” destas crianças e jovens.

“Eles já têm uma ideia do que é estar confinado”, salientou.

Para a presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria, Inês Azevedo, o novo confinamento, delineado de “forma intempestiva e não programada”, deixará marcas no futuro das novas gerações.

“Nunca passamos por uma situação de confinamento de crianças tão dramática como esta”, afirmou a pediatra, acrescentando que o prolongamento do confinamento vai ter “impactos negativos, tanto na aprendizagem formal como informal”.

Da mesma forma, a “incompreensão do que se está a passar e o medo do desconhecido” podem ter repercussões na saúde mental e desenvolvimento das crianças, defendeu Vera Ramalho, psicóloga especialista em psicoterapia.

“Os pais devem clarificar à criança porque voltamos para casa, explicando o que se passa com palavras adaptadas à sua idade, garantindo que elas compreendem”, esclareceu.

As três especialistas defenderam igualmente a necessidade de não se deixarem as crianças e jovens cujas famílias são “mais disfuncionais” desprotegidas.

“A escola é um suporte muito importante, é assim que muitas situações são sinalizadas e é por isso importante não deixar estes miúdos desprotegidos”, disse Raquel Raimundo.

Além de não brincarem ou socializarem, o regresso a casa faz-se acompanhar de uma preocupação partilhada pelas especialistas: a exposição aos ecrãs e meios digitais.

“O facto de estas crianças estarem em casa não significa que estão seguros, mesmo à distância podem começar a ser alvo de situações de ‘cyberbullying’ e é preciso que os pais estejam atentos às relações que eles estabelecem ‘online’”, alertou Raquel Raimundo.

À semelhança da psicóloga escolar, também Inês Azevedo alertou que muitas horas de exposição aos meios digitais podem revelar-se “dramáticas” e influenciarem o neurodesenvolvimento das crianças e jovens.

“Em termos de saúde cardiovascular vamos ter reflexos desta dependência dos meios digitais. As redes já eram um problema que agora vai ser maior”, assegurou a pediatra e docente na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

A par do neurodesenvolvimento, esta exposição pode vir a ter impactos na saúde mental das crianças e jovens, com os níveis de ansiedade, depressão e ‘stress’ a intensificarem-se.

O fundamental, assegura Vera Ramalho, é encontrar um “equilíbrio” e existir uma “negociação”, especialmente com os mais velhos que “precisam de sentir que também controlam a situação”.

“Muitas crianças tornam-se dependentes do ecrã porque não encontram alternativas de entretenimento, e os equipamentos eletrónicos acabam por substituir a interação com outras pessoas”, alertou a psicóloga diretora do Psiquilibrios.

As especialistas consideram ser necessário estabelecer rotinas, promover horários de sono, uma boa alimentação, atividades físicas e até estimular a socialização.

“É importante passar a mensagem de que a pandemia não vai ser para sempre e que o confinamento há de terminar”, defendeu Raquel Raimundo.

Todas as escolas de todos os níveis de ensino estão encerradas desde sexta-feira e durante duas semanas, uma medida anunciada na quinta-feira pelo Governo para conter a pandemia de covid-19.

Além das escolas, também todas as creches e ateliês de tempos livres vão permanecer encerrados durante 15 dias, o mesmo acontecendo com os tribunais de primeira instância, que só funcionam para atos processuais urgentes.

As medidas, entre outras, foram anunciadas na quinta-feira pelo primeiro-ministro, António Costa, e seguem-se a outras já anteriormente tomadas para tentar conter a propagação da covid-19.

António Costa disse que as decisões de quinta-feira se justificam pelo aumento do número de casos de uma variante mais contagiosa do novo coronavírus, que cresceram de uma prevalência de 8% na semana passada para os atuais 20%.

Em Portugal, morreram 10.469 pessoas dos 636.190 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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Desastres climáticos provocaram 475 mil mortos nos últimos 20 anos

Segundo ONG

Foto: DR / Arquivo

Quase meio milhão de pessoas morreram em desastres naturais relacionados com as alterações climáticas nos últimos 20 anos, de acordo com a organização não-governamental (ONG) GermanWatch, que considerou Moçambique o país mais vulnerável.

Segundo a ONG, que divulgou hoje o Índice de Risco Climático Global, publicado anualmente, Moçambique ocupa o primeiro lugar na lista dos países mais vulneráveis às alterações climáticas, depois de ter sido afetado em 2019 (último ano analisado) por dois dos maiores ciclones que já se abateram sobre o país (Idai e Kenneth), que fizeram cerca de 700 mortos.

O Zimbabué, também afetado pelo ciclone Idai, ocupa o segundo lugar na lista de países com mais mortos e danos em 2019, estando o Maláui, igualmente vítima da tempestade tropical, em quinto lugar.

O Idai “converteu-se rapidamente no ciclone tropical mais mortífero e com maiores custos do sudoeste do Oceano Índico, causando danos económicos de 2.200 milhões de dólares” (1.802 milhões de euros) e provocando mil mortos naqueles três países, apontou a ONG.

As Bahamas (3.º) e o Japão (4.º) completam os cinco primeiros lugares do Índice de 2021, que elenca os países mais vulneráveis aos desastres naturais provocados pelas alterações climáticas.

Porto Rico, Myanmar (antiga Birmânia) e Haiti foram os três países mais afetados nos últimos 20 anos, seguidos das Filipinas (4.º) e Moçambique (5.º), numa lista que soma 475.000 mortes causadas por mais de 11.000 fenómenos meteorológicos extremos, registados entre 2000 e 2019 pela GermanWatch.

De acordo com o Índice Global de Risco Climático, desde o início do século as catástrofes naturais terão custado 2.560 mil milhões de dólares (2.102 mil milhões de euros).

Segundo a ONG, são os países mais pobres que pagam o preço mais elevado pelas tempestades, inundações ou vagas de calor provocadas pelo aquecimento global.

“Os países pobres são mais afetados porque são mais vulneráveis aos efeitos devastadores dos perigos e têm menos capacidades para os ultrapassar”, apontou Vera Keunzel, uma das autoras do relatório, à agência de notícias France-Presse (AFP).

Países como o Haiti, Filipinas ou o Paquistão são atingidos por catástrofes climáticas com tanta frequência que não têm tempo para recuperar totalmente antes da seguinte, observou ainda.

Os países ricos tinham prometido aumentar a ajuda climática aos países em desenvolvimento para 100 mil milhões de dólares (82 mil milhões de euros) por ano a partir de 2020, o que ainda não foi cumprido.

Num relatório divulgado em meados de janeiro, responsáveis do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) afirmaram que há um défice significativo no financiamento global de medidas de adaptação.

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Perda de gelo nas últimas décadas cumpre os “piores cenários” científicos

Estudo

Foto: DR / Arquivo

A Terra perdeu 28 triliões de toneladas de gelo nas últimas décadas, o equivalente a uma camada de 100 metros de espessura a cobrir o Reino Unido, cumprindo os “piores cenários” científicos, indica um estudo hoje divulgado.

Uma equipa de cientistas liderada pela Universidade de Leeds, no Reino Unido, efetuou um levantamento da perda global de gelo utilizando dados de satélite e constatou que, nos últimos trinta anos, verificou-se uma redução significativa com potenciais reflexos no aumento do nível do mar, que terá “impactos muito sérios nas comunidades costeiras neste século”.

O estudo, que envolveu outras instituições de investigação e que foi publicado na revista científica The Cryosphere, concluiu que se registou um aumento de 65% na taxa de perda de gelo durante anos da pesquisa, verificando-se aumentos acentuados nas perdas dos mantos polares na Antártica e na Groenlândia.

“Embora todas as regiões que estudamos tenham perdido gelo, as perdas nas camadas da Antártica e da Groenlândia foram as que mais se aceleraram”, alertou Thomas Slater, investigador principal do estudo, ao assegurar que essa situação está a cumprir os “piores cenários de aquecimento climático” estabelecidos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

Segundo disse, nas últimas três décadas, tem havido um grande esforço internacional para entender a evolução do sistema de gelo da Terra, que tem sido impulsionado por satélites “que permitem monitorar rotineiramente as vastas e inóspitas regiões onde o gelo pode ser encontrado”.

“Este estudo é o primeiro a combinar esses esforços, observando o gelo que está a ser perdido em todo o planeta”, assegurou Thomas Slater, ao explicar que o aumento da perda de gelo foi desencadeado pelo aquecimento da atmosfera e dos oceanos em 0,26 graus e 0,12 graus por cada década, desde 1980.

De acordo com o estudo, o aumento da temperatura atmosférica tem sido o principal fator para o declínio do gelo do Ártico e dos glaciares de montanhas em todo o mundo, enquanto o aumento da temperatura do oceano acelerou o derretimento da camada de gelo da Antártica.

A pesquisa conclui ainda que cerca de metade da perda de gelo detetada verificou-se em terra – em glaciares de montanha, na Gronelândia e na Antártica -, o que elevou o nível global do mar em 35 milímetros.

Estima-se que, para cada centímetro de elevação do nível do mar, cerca de um milhão de pessoas correm o risco de serem deslocadas das zonas mais baixas e costeiras.

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