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Professores alertam que “desprezo” do Governo terá “consequências terríveis” no futuro

Governo “desrespeita, desvaloriza e até chega a manifestar desprezo pelos professores”

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Foto: comregras.com / Direitos Reservados (Arquivo)

O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, argumentou hoje que o Governo “desrespeita, desvaloriza e até chega a manifestar desprezo pelos professores”, o que terá “consequências terríveis para o futuro”, como a falta de docentes.

“O que temos tido é um Governo que, permanentemente, desrespeita, desvaloriza e, em certo momento, até chega a manifestar desprezo pelos professores”, afirmou, em Évora.

Segundo o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), “isto não é aceitável porque, se os governantes não percebem que a desvalorização dos professores tem consequências terríveis para o futuro da educação, não percebem nada”.

Mário Nogueira falava aos jornalistas à margem do quarto dos cinco “Comícios da Indignação” convocados pelos sindicatos de docentes para esta semana, em diversos locais do país.

Em Évora, à margem da iniciativa que juntou cerca de 100 professores, Mário Nogueira dirigiu críticas ao primeiro-ministro, António Costa, por ter sido “quem deu o pior exemplo” em relação aos docentes e à divergência em torno da recuperação do tempo de serviço.

“Portou-se mal quando criou uma aparente crise política, fazendo uma chantagem absolutamente inaceitável sobre os partidos e sobre o país”, considerou o dirigente da Fenprof, aludindo à ameaça de demissão do executivo PS.

Segundo Mário Nogueira, rodeado dos participantes no comício que exibiam cartazes, bandeiras ou t-shirts a exigir a recuperação dos nove anos, quatro meses e dois dias de tempo de serviço, “o primeiro-ministro de Portugal deveria ser o primeiro a valorizar os professores e a considerá-los”.

Para ilustrar os efeitos negativos do que considera que tem sido um “ataque violentíssimo” contra os docentes, feito “por governantes, por políticos, por dirigentes do PS, por comentadores, alguns da comunicação social”, Mário Nogueira aludiu a um estudo da OCDE.

“Basta ver que os alunos portugueses, os jovens com 15 anos, são aqueles que mais respeitam e valorizam os seus professores”, no espaço da OCDE, mas, ao mesmo tempo, “são aqueles que menos querem ser professores”, disse.

E, frisou, “isso está já a refletir-se”, porque, este ano, “o Politécnico de Portalegre teve zero candidatos aos cursos de professores” e “a Guarda teve um candidato”.

“Dos 21 novos cursos para a docência, este ano, 12 tiveram menos de 10 candidatos. O que eles estão a fazer aos professores terá como consequência falta de professores dentro de muito pouco tempo e com uma quebra da qualidade da educação, porque vão ter que recorrer a gente não formada”, alertou.

O dirigente voltou também a alertar os docentes para que “não se precipitem” em relação “ao processo de recuperação dos dois anos, nove meses e 18 dias, que vai até 30 de junho”.

“Ainda hoje saíram esclarecimentos do Ministério da Educação”, mas, para a Fenprof, “carecem ainda de uma consideração relativamente aos professores que só iriam progredir mais tarde”, pelo que “vai seguir agora um pedido de reunião para o Ministério”, argumentou.

A “indignação muito forte” dos professores mantém-se, assegurou Mário Nogueira, afiançando que os docentes não vão parar de lutar para a recuperação dos nove anos, quatro meses e dois dias de carreira.

“Em começando a próxima legislatura, nós estaremos no primeiro dia do mandato do novo ministro a bater-lhe a porta e a dizer: ‘Senhor ministro [da Educação], temos que resolver este problema’”, prometeu.

O quinto e último ‘Comício da Indignação’ decorre em Coimbra, na sexta-feira, seguindo-se uma “arruada” dos professores pela Baixa da cidade.

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Pelo menos 20% das escolas não cumpre lei da educação sexual

Em cada ciclo de escolaridade

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Foto: DR / Arquivo

Pelo menos 20% das escolas em cada ciclo de escolaridade não cumpre a legislação no que diz respeito ao número de horas que cada turma deve dedicar à educação sexual, revela um relatório do Ministério da Educação.

O relatório de acompanhamento e avaliação da implementação da Lei n.º 60/2009, de 06 de agosto, publicado na terça-feira pela Direção-Geral de Educação, revela os resultados de um inquérito disponibilizado às escolas entre 12 de janeiro e 17 de fevereiro deste ano para aferir o efetivo cumprimento da lei que estabelece o regime de aplicação de educação sexual em meio escolar.

O Projeto de Educação Sexual de Turma (PEST), tutelado pelo diretor de turma, deve, segundo a lei, definir os conteúdos e temas a abordar, assim como as iniciativas a realizar e as entidades ou especialistas a convidar a visitar as escolas, e para cada nível de ensino há uma carga horária anual mínima que deve ser cumprida, mas que em nenhum dos ciclos de escolaridade está a ser respeitada na totalidade.

No 1.º ciclo há 12% de escolas que não cumpre o mínimo de seis horas por ano e 13% dizem não ter qualquer projeto, o que significa que 25% das escolas do 1.º ciclo, pelo menos, não cumpre a legislação.

No 2.º ciclo a percentagem de escolas que respondeu ao inquérito dizendo não ter PEST é de 12% e 7% não cumprem o mínimo de seis horas.

No 3.º ciclo, o mínimo de horas anual sobe para 12, mas 36% das escolas não cumpre o limite mínimo ou não tem sequer PEST. No ensino secundário, que também tem um limite mínimo de 12 horas, o incumprimento é de, pelo menos, 55%.

Questionadas sobre os condicionamentos que encontram para o cumprimento da lei, “77% não respondem, ou seja, não identificam nenhum constrangimento para a elaboração do PEST”, refere o relatório, que indica ainda necessidades residuais de formação, apontadas por 4% das escolas, e condicionamento das horas a disponibilizar e extensão do currículo, indicado por 12% das escolas. Sete por cento afirmaram não ter nada a referir.

O relatório apresenta como sugestões para ultrapassar os condicionamentos identificar as necessidades de formação a realizar e “apresentar candidatura ao selo escola saudável, cujo financiamento pode contribuir para colmatar dificuldades financeiras identificadas”.

No que diz respeito a atingir a finalidade da lei, a maioria das escolas indicou nunca ter registado, nos últimos três anos letivos, situações que violem o respeito pela diferença entre pessoas e pelas diferentes orientações sexuais ou a promoção da igualdade entre géneros, por exemplo, mas nestas mesmas questões há uma percentagem reduzida de escolas, entre 1% e 2%, que declararam ter registado cinco casos de violação destes princípios cinco ou mais vezes por ano letivo.

As escolas declaram ainda estar sensibilizadas para questões como a violência no namoro ou a mutilação genital feminina, mas a grande maioria só desenvolve projetos no âmbito da violência no namoro.

Segundo o relatório, 94% das escolas têm um professor coordenador de educação para a saúde e educação sexual e em 83% há uma equipa multidisciplinar para trabalhar esta matéria.

As equipas multidisciplinares têm quase sempre professores na sua composição, mas 75% não têm qualquer aluno e 77% não têm pais na composição, 75% não têm assistentes sociais e 18% não têm qualquer psicólogo.

“É importante que a equipa tenha uma constituição em número e diversidade e também de crédito horário, que lhe permita, em articulação com a estratégia de educação para a cidadania de escola, propor e desenvolver um projeto de educação para a saúde e educação sexual conducente ao desenvolvimento de competências, nomeadamente no relacionamento interpessoal, no desenvolvimento pessoal e autonomia, no bem-estar, saúde e ambiente, na consciência e domínio do corpo, que se pretendem nos alunos à saída da escolaridade obrigatória”, refere a proposta de melhoria que consta das considerações do relatório.

As considerações apontam ainda a falta de articulação entre os coordenadores para a educação em saúde e educação sexual e os coordenadores para a cidadania, estando em causa conseguir atingir os objetivos no Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, o novo documento orientador de currículos, avaliação interna e modelos de aprendizagem.

Acederam ao formulário disponibilizado pela Direção-Geral da Educação 668 escolas, das quais 633 preencheram a maioria das questões.

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Crianças e alunos do 1.º ciclo estão a aprender programação e robótica

Em Braga, Algarve, Setúbal, Aveiro, Viseu, e Bragança

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Foto: DR / Arquivo

Centenas de crianças de jardins-de-infância e escolas do 1.º ciclo estão a aprender a programar robots e a fazer filmes animados em tablets, através de um novo programa educativo que ensina programação e robótica.

Existem 30 escolas em Braga, Algarve, Setúbal, Aveiro, Viseu, e Bragança onde os tradicionais lápis de cor e livros de aventuras dividem o espaço e a atenção dos alunos com robots e tablets, tecnologias que as crianças rapidamente aprendem a manusear.

Apesar de muitos ainda não saberem ler nem escrever, nestas escolas aprendem-se as bases da programação e da robótica “sempre de forma lúdica”, contou à Lusa a professora universitária Maribel Miranda, coordenadora do projeto “Kids Media Lab”, que começou em 2015.

Na altura havia “crianças com três anos que hoje têm quase seis e já sabem programar”, recordou a investigadora da Universidade do Minho, que gostaria que o projeto passasse a fazer parte do currículo de todos os alunos.

Nas salas de aula, os professores e educadores começam por trabalhar o pensamento computacional e só depois passam para a programação e robótica. Para ajudar nesta missão, já chegaram às escolas 150 robots para serem usados pelas crianças.

“Há muitas atividades que se podem trabalhar no pré-escolar tais como a orientação espacial ou saber o que é a direita e a esquerda. Há também a parte de saber contar e fazer uma sequência. Esse trabalho permite-lhes aprender a programar”, contou.

Quando se faz um bolo, por exemplo, existe uma sequência de ações que é preciso seguir para o sucesso da receita. “É o mesmo que vão fazer com o robot”, exemplificou, lembrando que “programar é ordenar ou dar orientações numa sequência de ações que se quer que o robot execute”.

Para os mais novos existem, por exemplo, robots direcionais que as crianças conseguem programar para se dirigirem para o local desejado através de comandos simples como botões que significam andar para a frente ou para trás, para a direita ou para a esquerda.

A professora universitária lembra que o que se está a fazer agora em Portugal já se faz há três décadas em escolas norte-americanas.

E foi precisamente de uma universidade dos Estados Unidos – o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT na sigla em inglês) – que veio o programa “Scratch”. As crianças portuguesas estão também a usar gratuitamente nos seus tablets o “ScratchJr”.

Com uma linguagem de programação de iniciação, o “ScratchJr” permite inventar jogos interativos ou fazer um filme animado inspirado nas suas histórias. As crianças podem fazer as personagens andar, saltar, dançar e cantar, mas também podem adicionar as próprias vozes e sons e até inserir fotografias.

Na quinta-feira, a especialista estará presente na conferência sobre a utilização da robótica como ferramenta educativa que decorre no Pavilhão do Conhecimento.

O investigador italiano Stefano Cobello, autor do projeto “Robótica contra o Bullying” que em breve chegará às escolas portuguesas, também estará presente na conferência.

“Robótica contra o Bullying” já foi aplicado em mais de quatro mil escolas italianas e “nos próximos três anos, será gradualmente implementado em dez países, entre os quais Portugal”, contou em declarações à Lusa o especialista.

O investigador acredita que os robots podem aproximar as pessoas, lembrando que nas aulas de robótica, os alunos são obrigados a trabalhar em equipa e, por vezes, agressor e vítima têm de comunicar e de se ajudar mutuamente para o sucesso do projeto.

Stefano Cobello não tem dúvidas de que “a robótica é um instrumento inclusivo”, já que obriga a trabalhar em conjunto, independentemente de quaisquer preconceitos.

Nas aulas também se preparam tarefas com conteúdos voltados para enfatizar a gravidade do bullying e para a prevenção.

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Economia portuguesa será das mais afetadas com envelhecimento da população

Aponta a Moody’s

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Foto: DR / Arquivo

A Moody’s alerta que, em 12 países analisados, Portugal está entre os cinco que enfrentarão maiores pressões de crescimento decorrentes do envelhecimento da população e só uma “reviravolta sem precedentes” no aumento da produtividade poderia anular o efeito.

“O potencial de crescimento [económico] vai cair para zero ou abaixo de zero [contração da economia] em Itália, no Japão, na Grécia, em Portugal e em Espanha a partir do início dos anos 2030, a menos que uma aceleração no crescimento da produtividade compense o impacto negativo da redução das populações”, indica a Moody’s num estudo hoje divulgado.

A agência de ‘rating’ fez uma análise de 12 países mais envelhecidos ou que serão alvo de um envelhecimento mais rápido da população nos próximos 15 anos.

“Concluímos que Portugal é um dos cinco países que enfrentarão graves pressões no crescimento [económico], a menos que o crescimento da produtividade acelere”, indica a Moody’s.

As simulações da agência de notação financeira sugerem que, a partir de meados da década de 2020 em Itália, e do início dos anos 2030 no Japão, na Grécia, em Portugal e em Espanha, “o envelhecimento da população, se isolado de outras medidas que estimulem o crescimento da produtividade ou suportem o crescimento económico, fará com que o crescimento potencial desça para zero ou abaixo de zero”.

“Apesar de as reformas no mercado de trabalho e o investimento tecnológico poderem estimular o crescimento, a compensação total das contribuições negativas relacionadas com o envelhecimento da mão de obra exigiria uma reviravolta sem precedentes no crescimento da produtividade”, indica também a Moody’s.

Segundo Marie Diron, diretora-geral do grupo de risco soberano da Moody’s, citada no estudo, “apesar de as implicações nas métricas do crédito soberano se manifestarem apenas lentamente, a menos que os governos possam ajustar e implementar medidas efetivas para mitigar o impacto do envelhecimento da população, as desacelerações acentuadas no crescimento das economias, o crescimento mais lento nos rendimentos e o aumento do peso da dívida penalizarão constantemente os indicadores económicos e orçamentais” dos países.

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