Professores acusam Junta da Galiza de “falta vontade política” no ensino da língua portuguesa

A Associação de Docentes de Português na Galiza (DPG) acusou a Junta da Galiza de “falta de vontade política” no ensino da língua portuguesa a nível básico e secundário, por não ter aberto vagas em 2016.

Em comunicado, a DPG criticou a Consellaría de Educación de “nada ter feito pela integração da língua portuguesa no sistema público de ensino espanhol”.

“Além do ensino do português não ter sido promovido houve até obstáculos, por parte de algumas direções de centros e inspeções educativas”, sustentam.

A introdução do ensino da língua e cultura portuguesa no sistema educativo espanhol consta da lei 1/2014 aprovada em abril desse ano pelo parlamento daquela região de Espanha.

O diploma nasceu de uma iniciativa popular, conhecida como Iniciativa Legislativa Popular Valentín Paz-Andrade. A petição a exigir o ensino do português nas escolas da Galiza foi assinada por mais de 17 mil galegos.

Para a DPG, a Consellería de Educación da Junta da Galiza “não tem cumprido” o disposto na lei, que pretende estreitar os laços com os países da lusofonia, defendendo que “deveria ter sido feita uma aposta clara neste ano académico para a introdução da língua portuguesa no sistema de ensino formal galego, nos seus níveis de primária e secundária”.

Esta quinta-feira, fonte da Consellería de Educación da Junta da Galiza explicou que, “neste momento, o número de docentes de português contratados é suficiente para cobrir as necessidades do sistema educativo, razão pela qual não foram abertas vagas”.

“No momento em que se registar maior procura por parte dos alunos será avaliada a possibilidade de abertura de novas vagas para a contratação de professores”, disse.

A fonte da Consellaría de Educacíon adiantou que a lei Paz-Andrade “estabelece que a introdução do português como segunda língua estrangeira seja progressiva.

“O nosso objetivo é impulsionar o ensino do português e, nesse sentido, já se deram passos muito importantes com um aumento considerável de alunos, o que fortalece o sistema educativo galego”, defendeu.

Já a associação de docentes de português na Galiza acusou o Governo daquela região espanhola de “discriminar o português em relação à língua francesa que viu recentemente serem abertas as vagas para o ensino secundário”, referindo-se a um anúncio aberto, dia 21 de janeiro passado, pela Direção Geral de Centros e Recursos Humanos.

Para a DPG, aquelas vagas foram abertas “em detrimento da língua portuguesa, tal como aconteceu com a língua italiana, com abertura de vagas realizada no passado dezembro de 2014”.

“Consideramos que a língua portuguesa está a ser prejudicada em comparação com as restantes línguas no atual sistema educativo”, argumentou a associação, “exigindo” que seja “acelerado o processo de introdução da língua portuguesa no secundário”.

A fonte do governo galego explicou que adiantou a introdução “progressiva do português nas escolas galegas como consta também de um acordo assinado entre a Junta da Galiza e o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

“Trata-se de um processo progressivo, no qual estamos a trabalhar e que aumentou de 800 alunos no ano letivo 2014/2015 para os 1.800 em 2015/2016”, adiantou.

A Junta da Galiza adiantou que, no âmbito daquele acordo, teve início em 2015, em colaboração com Camões – Instituto da Cooperação e da Língua a formação de professores galegas para lecionarem noções básicas de língua português no ensino primário e para a introduzir, como segunda língua estrangeira no ensino secundário.

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