O professor Luís Sottomayor Braga, subdiretor do Agrupamento de Escolas da Abelheira, em Viana do Castelo, irá entrar em greve de fome a partir desta segunda-feira em protesto contra o Governo e contra o Presidente da República, a quem acusa de ignorarem as reivindicações dos professores.
Para o docente, todas as outras formas de protesto até agora não surtiram efeito, por isso “há que usar outros meios”.
“O que me possa acontecer e obviamente não desejo será sempre responsabilidade do Ministro, do Primeiro Ministro e do Presidente da República”, acusa.
Luis Braga diz ter optado por esta via uma vez que “o recurso à via violenta” está “vedado” aos “professores e cidadãos de um estado de direito”.
“É inconcebível que professores cheguem a ponderar sequer partir coisas ou ser vândalos. Há assim que trilhar o outro rumo, o da desobediência civil não violenta”, defendeu.
O professor considera ser mais fácil uma ação individual do que as ações de tipo coletivo, como boicotes ou recusa de serviço, porque exigem grande organização, tempo de preparação e disciplina.
“As ações individuais, que só dependem da vontade do indivíduo que as vai realizar com algum apoio, como exemplo a auto imolacão pelo fogo ou a mais usada, por razões óbvias, greve de fome nas suas diversas variantes. Como não penso queimar-me, já perceberam o caminho que vou seguir”, disse.
Consciente de que será “muito criticado de muitos ângulos” e de que irá “ficar exposto e isso vai suscitar reações”, defende que a greve de fome “é isso mesmo: um indivíduo sozinho enfrenta os argumentos do poder com a força da sua resistência e liberdade individual”.
O professor diz que deve “dar esse passo” porque não tem filhos, é saudável e relativamente jovem, consegue dar a visibilidade necessária ao ato e tem apoio alargado e generoso de familiares e de amigos da terra e fora.
“Até tenho gordura corporal a mais, o que, se não houver outras complicações, permite prolongar a duração”, brinca.
Revela também que tem apoio da sua escola, e que o diretora da mesma alinharia consigo “caso tivesse saúde para isso”.
Para Luís Braga, este “é um ato individual, a que outros se poderão juntar, apoiado por colegas e amigos que se organizam para ajudar e não me deixar só”.
“Criado no ativismo de direitos humanos a apoiar à distância pessoas que fazem coisas destas contra tiranias, nunca pensei que chegasse a ser tão lógico fazê-lo contra o governo da democracia criada pelo 25 de Abril”, disse.
“Governem bem e com políticas justas e não é preciso fazer coisas destas”, conclui.