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Cávado

“Presidenta” de Esposende recorda “cunha” para construção de C+S na Apúlia

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A única mulher que já presidiu à Câmara de Esposende, Laurentina Torres, atualmente com 78 anos, revelou hoje que foi graças à “intermediação” do seu homólogo de Celorico de Basto que conseguiu uma escola C+S para a Apúlia.

“Comentei com o João Pulido [então presidente da Câmara de Celorico de Basto] que um secretário de Estado me tinha dito para lhe falar do assunto da escola dali a 10 anos e ele só me disse para no domingo a seguir ir almoçar a casa dele”, contou Laurentina Torres à Lusa.

Nesse domingo, na casa de João Pulido, estava Roberto Carneiro, que foi ministro da Educação entre 1987 e 1991.

“O João Pulido pediu-lhe uma escola para Gandarela de Basto, eu pedi uma escola para Apúlia. Em julho de 1989, a ‘minha’ escola estava adjudicada, mas houve quem tratasse de emperrar as coisas para que as obras só começassem depois das eleições autárquicas, que se realizaram em Dezembro. Sabe como é a política, não sabe?”, contou Laurentina Torres.

Sublinhou que “o que importa” é que dali a três anos a Escola C+S de Apúlia estava a funcionar, colmatando assim uma lacuna que se registava na zona sul do concelho.

“Outros fizeram a inauguração e tentaram ficar com os louros, mas quem conseguiu a escola fui eu”, afirmou.

A história foi desfiada “à boleia” de mais um almoço-convívio de antigos autarcas do norte, que hoje se realizou em Apúlia, Esposende, e que teve Laurentina Torres como anfitriã.

Laurentina Torres foi presidente da Câmara de Esposende entre 1986 e 1990, cargo que assumiu após a morte do autarca eleito, seu familiar.

“Sabia que foi também no meu mandato, em 1987, que foi publicado em Diário da República o decreto-lei que criou a Área de Paisagem Protegida do Litoral de Esposende?”, questionou, com orgulho, a única “presidenta” do concelho.

No mesmo tom, lembrou que foi ela quem “bateu o pé” para que Esposende beneficiasse das verbas da zona de jogo de Póvoa de Varzim.

Esposende, como garantiu, acabou por ter direito a “1 milhão e 500 mil contos”, dinheiro que, no entanto, só chegou aos cofres do município depois de Laurentina Torres ter saído da presidência da câmara.

“Outros fizeram brilharetes, como piscinas e afins, à custa do dinheiro que eu consegui”, acrescentou.

Nas Autárquicas de 1989, Laurentina Torres (CDS) perdeu a câmara para Alberto Figueiredo (PSD), por 400 votos de diferença.

Cumpriu um mandato na oposição e, durante esse tempo, tirou a licenciatura em Educação.

Foi professora e, atualmente, dirige a Casa do Povo e o grupo folclórico Sargaceiros de Apúlia.

O próximo almoço-convívio dos antigos autarcas do norte está marcado para a última sexta-feira de Abril, em Póvoa de Lanhoso, na casa do ex-presidente da câmara local José Portela.

“São almoços em que se fala um bocadinho de tudo, até mesmo de política”, rematou, com humor, Laurentina Torres.

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