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O Município da Póvoa de Lanhoso tem investido nos últimos três anos no sistema de proteção civil, como nunca havia sido feito antes, estando hoje melhor preparado para acorrer a emergências graves, como é o caso dos incêndios florestais.
Em declarações a O MINHO, o seu presidente, Frederico Castro disse que o seminário hoje realizado na vila pela REN – Rede Elétrica Nacional e pela Liga Portuguesa dos Bombeiros é o reconhecimento desse trabalho: “Mais de 140 bombeiros de 50 corporações dos distritos de Braga, Bragança, Porto, Viana do Castelo e Vila Real e 13 outras entidades para uma sessão sobre fogos florestais e segurança de infraestruturas elétricas”.
A aproximação da fase crítica dos incêndios esteve na base da organização da sessão, que contou ainda com um exercício prático de prevenção de incêndios na Subestação da REN, em Pedralva.
O autarca socialista salientou que, embora seja difícil dizer que se está preparado para eventos extremos, como os dos fogos florestais “medonhos” de 2024, o último apagão elétrico mostrou que existe, na Póvoa, uma boa coordenação entre todos os atores: “Pouco depois da falha de luz, estavam concentrados na Câmara e em coordenação, quer os serviços locais de Proteção Civil, quer a GNR, os bombeiros e a própria REN”.
Formação e instrução de bombeiros
Além de Frederico Castro, o evento contou com a participação de Domingos Xavier Viegas, do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra, e um dos maiores especialistas no tema do país, que fez uma apresentação sobre a interação entre o fogo e a atmosfera. A sessão contou ainda com apresentações de especialistas da REN sobre gestão florestal e segurança e combate a incêndios em subestações na vizinhança de linhas elétricas.
António Nunes, presidente da Liga de Bombeiros Portugueses, encerrou a sessão, não sem alertar para a “indispensabilidade da formação e instrução dos Bombeiros, em particular para os riscos específicos de elevada complexidade”.
Simulacro em Pedralva
Da parte da tarde, realizou-se um simulacro de incêndio na Subestação de Pedralva da REN com a participação das corporações dos Bombeiros Sapadores e dos Bombeiros Voluntários de Braga, que teve como objetivo testar a eficácia dos planos de emergência, treinar a coordenação entre equipas e avaliar a capacidade de resposta em situações de risco real.
REN limpou 50 mil hectares
No seminário, foi revelado que, “com 66% das suas linhas elétricas e gasodutos inseridos em espaços rurais, nos últimos cinco anos a REN fez a gestão e limpeza de mais de 50 mil hectares. Este trabalho é efetuado em terrenos que não pertencem à REN, o que implica um contacto com os proprietários antes de qualquer intervenção. Neste trabalho de prevenção, só no ano de 2024, foram contactados mais de 36 mil proprietários”.
Em 2024, a nível nacional, a REN – soube-se, ainda – procedeu à gestão e limpeza de vegetação numa área de cerca de 10.200 hectares, tendo para esse efeito contactado mais de 36 mil proprietários. Ainda em 2024, e tendo em conta a adaptação dos usos dos solos das faixas de proteção das linhas, foram (re)arborizados 461 hectares, com o envolvimento de 1 900 proprietários.
A REN, através do seu programa de reflorestação das faixas de servidão, entre 2010 e 2024 já (re)arborizou 4.553 hectares, com a plantação de mais de 1,5 milhões de árvores. Neste processo foram envolvidos mais de 24 mil proprietários, sendo as espécies mais plantadas o medronheiro e o carvalho, aumentando a biodiversidade e a resiliência aos incêndios florestais das áreas intervencionadas.
Seis equipas de prevenção
Desde 2020, e durante toda a época de incêndios, a REN tem em operação seis equipas de prevenção e vigilância, disponíveis 24 horas/dia, sete dias por semana. Estas equipas estão equipadas com equipamento de primeira intervenção, que lhes permite fazer uma primeira intervenção de combate aos focos de incêndio.
Desde 2009, a REN doou 95 veículos no âmbito da prevenção de fogos florestais. 65 veículos foram doados a corporações de Bombeiros Voluntários, 30 a equipas de prevenção de incêndios da proteção civil das autarquias.